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Descubra como era o Nordeste há 13 mil anos atrás

Imagine que você entra numa máquina do tempo e volta 13 mil anos no passado. Estamos no ano 13 mil antes de Cristo, no período chamado Pleistoceno. O destino? O Nordeste do Brasil. Essa é a “expedição” ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
4 de maio de 2026 - às 08:03
Atualizado 4 de maio de 2026 - às 08:03
4 min de leitura

Imagine que você entra numa máquina do tempo e volta 13 mil anos no passado. Estamos no ano 13 mil antes de Cristo, no período chamado Pleistoceno. O destino? O Nordeste do Brasil. Essa é a “expedição” via Inteligência Artificial que o influencer @rodrigao.viaja faz para ilustrar de forma virtual uma viagem no tempo aos mais diversos locais do Brasil e do mundo.

Assim, será que você reconheceria alguma coisa? A resposta é: quase nada. O lugar era completamente diferente do que conhecemos hoje. Vamos fazer juntos essa viagem incrível?

Onde ficava o mar?

Hoje, ao olhar para a Praia da Barra, em Salvador, você vê o mar bem pertinho. Mas há 13 mil anos, o mar estava cerca de 10 quilômetros mais longe da costa! Isso mesmo: onde hoje é água, naquela época era terra firme.

O clima era outro

A princípio, a temperatura média no Nordeste era 5 graus mais baixa do que hoje. E não era um lugar seco, não. Pelo contrário: era muito mais úmido. O sertão, que hoje conhecemos com pouca vegetação, era verde e cheio de vida. Parece até mentira, não é?

Por que chovia tanto?

Ao mesmo tempo, a explicação está na Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). Esse é o nome técnico para a faixa onde se concentram as chuvas perto da linha do Equador. No final da última Era do Gelo, essa faixa estava mais para baixo, atingindo o Nordeste brasileiro. Resultado: muito mais chuva na região.

Além disso, como a temperatura era mais baixa, a água evaporava menos. Tudo isso junto fazia com que os rios ficassem mais cheios e a vegetação fosse muito mais abundante, principalmente de Mata Atlântica.

Quem vivia por aqui?

O vídeo também traz os grandes animais, hoje extintos, dominavam a paisagem. É por causa desse clima úmido e cheio de plantas que o Nordeste é a região com mais sítios arqueológicos de megafauna (animais gigantes) em todo o país.

Vamos conhecer alguns desses bichos que aparecem? A tabela abaixo resume os principais:

AnimalParecido com…Onde foi encontrado
Genorhinotérino-aienseUm cruzamento de camelo com girafaPraia da Barra (Salvador)
Notio Mastodonte latensesMastodonte (parente do elefante)Região do Rio São Francisco
Preguiça gigantePreguiça atual, mas do tamanho de um carroTodo o sertão nordestino
ToxodonteRinoceronteRegiões de cavernas e sertão
Smilodon (tigre dentes-de-sabre)Um gigantesco gato selvagemCavernas e áreas rochosas

O Rio São Francisco era diferente

Hoje conhecemos o “Velho Chico” como um rio importante, mas que às vezes sofre com a seca. Há 13 mil anos, ele era muito mais cheio e as margens tinham muita vegetação de Mata Atlântica. Era um paraíso para os animais gigantes e também para os primeiros humanos que viviam por ali.

A hora do susto

E para passar a noite longe dos perigos, nada melhor que uma caverna. Contudo, cuidado com o que vai encontrar. Em suma, fica a lição: há 13 mil anos, o Nordeste era um lugar lindo, verde e cheio de vida, mas também muito perigoso. Nem todo mundo sobrevivia a um encontro desses.

Além disso, foi por causa desse clima mais úmido que o Nordeste se tornou a região com mais fósseis de megafauna do Brasil? Isso significa que muitos dos maiores bichos que já viveram no nosso país andaram exatamente onde hoje ficam cidades como Salvador, Recife e o sertão de Pernambuco.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.