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Tarifaço dos EUA: governo reforça programa de apoio enquanto Nordeste acompanha impactos

A princípio, a decisão do Governo Federal de reativar o programa de apoio aos setores atingidos pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos deve beneficiar diretamente cadeias produtivas com forte presença no Nordeste, como calçados, móveis, ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
22 de julho de 2026 - às 05:43
Atualizado 22 de julho de 2026 - às 05:43
5 min de leitura

A princípio, a decisão do Governo Federal de reativar o programa de apoio aos setores atingidos pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos deve beneficiar diretamente cadeias produtivas com forte presença no Nordeste, como calçados, móveis, madeira, cerâmica, açúcar e máquinas.

Os Estados Unidos confirmaram a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros a partir de 22 de julho. Em resposta, o Governo Federal anunciou que retomará o programa de apoio às empresas exportadoras afetadas, oferecendo linhas de crédito, capital de giro e incentivo à busca de novos mercados internacionais.

Nos últimos dias, porém, o cenário sofreu mudanças importantes. O governo dos Estados Unidos ampliou significativamente a lista de produtos brasileiros isentos das novas tarifas, enquanto o governo federal informou que cerca de 2,4 mil empresas exportadoras ainda poderão ser impactadas pelas medidas comerciais. Ao mesmo tempo, Brasília reforçou que continuará negociando diplomaticamente, sem descartar o uso da Lei da Reciprocidade Econômica e eventual recurso à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Quantas empresas podem ser afetadas?

IndicadorNúmero
Empresas exportadoras potencialmente afetadas2.400
Produtos retirados da lista de sobretaxamais de 2.100
Exportações brasileiras ainda sem sobretaxas adicionais52,7%
Exportações brasileiras alcançadas pelas novas sobretaxas23,1%
Mudanças na Exportações
Mudanças na Exportações FOTO Freepik

EUA ampliam lista de produtos brasileiros isentos da sobretaxa

Após audiências públicas realizadas nos Estados Unidos, o governo americano revisou a relação de mercadorias atingidas pelas tarifas e ampliou o número de produtos brasileiros excluídos da sobretaxa adicional de 25%.

Entre os itens preservados estão produtos estratégicos para a economia brasileira e também importantes para o Nordeste, como:

  • café;
  • suco de laranja;
  • carnes;
  • parte dos pescados;
  • mel;
  • fertilizantes;
  • minerais;
  • aeronaves e componentes da indústria aeronáutica.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, essa ampliação das exceções reduziu parte dos impactos inicialmente previstos sobre as exportações brasileiras para o mercado norte-americano.

Mesmo com isenções, Nordeste continua entre os mais expostos

Embora a lista de produtos isentos tenha sido ampliada, estudos do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (ETENE), do Banco do Nordeste, mostram que a região continua entre as mais vulneráveis às novas barreiras comerciais.

Segundo o levantamento:

  • os Estados Unidos seguem como o segundo maior destino das exportações nordestinas;
  • cerca de 47% da pauta exportadora regional pode ser afetada pelas novas tarifas;
  • em determinados segmentos, a exposição chega a 73% das exportações destinadas ao mercado americano.

Os estudos apontam que estados como Bahia, Ceará, Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte possuem cadeias produtivas diretamente ligadas ao mercado norte-americano, principalmente nos setores industrial, agroindustrial e de transformação.

Ao mesmo tempo, os segmentos anunciados pelo governo como prioritários no novo pacote de apoio têm forte presença na economia nordestina.

Entre eles estão:

  • calçados;
  • móveis e mobiliário;
  • madeira;
  • produtos cerâmicos;
  • máquinas e equipamentos elétricos;
  • açúcar.

Portanto, esses setores deverão contar com linhas especiais para capital de giro, financiamento de investimentos e apoio à diversificação de mercados internacionais.

Estados do Nordeste podem ser beneficiados

Em suma, a retomada do programa pode favorecer diversos polos industriais da região.

EstadoSetores com potencial de benefício
CearáCalçados, móveis e máquinas
BahiaMadeira, açúcar, cerâmica e equipamentos industriais
PernambucoAçúcar, máquinas, móveis e produtos industriais
ParaíbaCalçados e indústria coureiro-calçadista
Rio Grande do NorteCerâmica, móveis e açúcar
AlagoasAçúcar e derivados
SergipeCerâmica e equipamentos industriais
MaranhãoMadeira e setor moveleiro
PiauíMadeira e indústria de transformação

Programa já havia sido criado no primeiro tarifaço

Antes de mais nada, esse mecanismo não é inédito.

Durante o primeiro tarifaço norte-americano, em 2025, o Governo Federal lançou o Plano Brasil Soberano, oferecendo crédito, garantias para exportação e apoio financeiro às empresas atingidas pelas barreiras comerciais. Portanto, agora o plano volta a ativa e com ampliação para atender os novos setores impactados pelas tarifas e por outras instabilidades internacionais.

Além disso, o governo também ampliou instrumentos como o Seguro de Crédito à Exportação (SCE) e o Fundo Garantidor de Operações de Comércio Exterior (FGCE). Dessa forma, busca facilitar o financiamento das empresas e reduzir os riscos das exportações.

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Objetivo é preservar empregos e ampliar mercados

De acordo com o MDIC, a prioridade será manter a competitividade das empresas brasileiras enquanto o país busca novos compradores e amplia sua presença em outros mercados internacionais.

Assim, a estratégia inclui financiamento para produção, capital de giro, investimentos e apoio à abertura de novos destinos para os produtos brasileiros, reduzindo a dependência do mercado norte-americano.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.