A princípio, a decisão do Governo Federal de reativar o programa de apoio aos setores atingidos pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos deve beneficiar diretamente cadeias produtivas com forte presença no Nordeste, como calçados, móveis, madeira, cerâmica, açúcar e máquinas.
Os Estados Unidos confirmaram a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros a partir de 22 de julho. Em resposta, o Governo Federal anunciou que retomará o programa de apoio às empresas exportadoras afetadas, oferecendo linhas de crédito, capital de giro e incentivo à busca de novos mercados internacionais.
Nos últimos dias, porém, o cenário sofreu mudanças importantes. O governo dos Estados Unidos ampliou significativamente a lista de produtos brasileiros isentos das novas tarifas, enquanto o governo federal informou que cerca de 2,4 mil empresas exportadoras ainda poderão ser impactadas pelas medidas comerciais. Ao mesmo tempo, Brasília reforçou que continuará negociando diplomaticamente, sem descartar o uso da Lei da Reciprocidade Econômica e eventual recurso à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Quantas empresas podem ser afetadas?
| Indicador | Número |
|---|---|
| Empresas exportadoras potencialmente afetadas | 2.400 |
| Produtos retirados da lista de sobretaxa | mais de 2.100 |
| Exportações brasileiras ainda sem sobretaxas adicionais | 52,7% |
| Exportações brasileiras alcançadas pelas novas sobretaxas | 23,1% |

EUA ampliam lista de produtos brasileiros isentos da sobretaxa
Após audiências públicas realizadas nos Estados Unidos, o governo americano revisou a relação de mercadorias atingidas pelas tarifas e ampliou o número de produtos brasileiros excluídos da sobretaxa adicional de 25%.
Entre os itens preservados estão produtos estratégicos para a economia brasileira e também importantes para o Nordeste, como:
- café;
- suco de laranja;
- carnes;
- parte dos pescados;
- mel;
- fertilizantes;
- minerais;
- aeronaves e componentes da indústria aeronáutica.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, essa ampliação das exceções reduziu parte dos impactos inicialmente previstos sobre as exportações brasileiras para o mercado norte-americano.
Mesmo com isenções, Nordeste continua entre os mais expostos
Embora a lista de produtos isentos tenha sido ampliada, estudos do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (ETENE), do Banco do Nordeste, mostram que a região continua entre as mais vulneráveis às novas barreiras comerciais.
Segundo o levantamento:
- os Estados Unidos seguem como o segundo maior destino das exportações nordestinas;
- cerca de 47% da pauta exportadora regional pode ser afetada pelas novas tarifas;
- em determinados segmentos, a exposição chega a 73% das exportações destinadas ao mercado americano.
Os estudos apontam que estados como Bahia, Ceará, Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte possuem cadeias produtivas diretamente ligadas ao mercado norte-americano, principalmente nos setores industrial, agroindustrial e de transformação.
Ao mesmo tempo, os segmentos anunciados pelo governo como prioritários no novo pacote de apoio têm forte presença na economia nordestina.
Entre eles estão:
- calçados;
- móveis e mobiliário;
- madeira;
- produtos cerâmicos;
- máquinas e equipamentos elétricos;
- açúcar.
Portanto, esses setores deverão contar com linhas especiais para capital de giro, financiamento de investimentos e apoio à diversificação de mercados internacionais.
Estados do Nordeste podem ser beneficiados
Em suma, a retomada do programa pode favorecer diversos polos industriais da região.
| Estado | Setores com potencial de benefício |
|---|---|
| Ceará | Calçados, móveis e máquinas |
| Bahia | Madeira, açúcar, cerâmica e equipamentos industriais |
| Pernambuco | Açúcar, máquinas, móveis e produtos industriais |
| Paraíba | Calçados e indústria coureiro-calçadista |
| Rio Grande do Norte | Cerâmica, móveis e açúcar |
| Alagoas | Açúcar e derivados |
| Sergipe | Cerâmica e equipamentos industriais |
| Maranhão | Madeira e setor moveleiro |
| Piauí | Madeira e indústria de transformação |
Programa já havia sido criado no primeiro tarifaço
Antes de mais nada, esse mecanismo não é inédito.
Durante o primeiro tarifaço norte-americano, em 2025, o Governo Federal lançou o Plano Brasil Soberano, oferecendo crédito, garantias para exportação e apoio financeiro às empresas atingidas pelas barreiras comerciais. Portanto, agora o plano volta a ativa e com ampliação para atender os novos setores impactados pelas tarifas e por outras instabilidades internacionais.
Além disso, o governo também ampliou instrumentos como o Seguro de Crédito à Exportação (SCE) e o Fundo Garantidor de Operações de Comércio Exterior (FGCE). Dessa forma, busca facilitar o financiamento das empresas e reduzir os riscos das exportações.
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Objetivo é preservar empregos e ampliar mercados
De acordo com o MDIC, a prioridade será manter a competitividade das empresas brasileiras enquanto o país busca novos compradores e amplia sua presença em outros mercados internacionais.
Assim, a estratégia inclui financiamento para produção, capital de giro, investimentos e apoio à abertura de novos destinos para os produtos brasileiros, reduzindo a dependência do mercado norte-americano.


