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Da resistência à identidade nacional: capoeira ganha Dia Nacional no Brasil

A Lei 15.469/2026 cria o Dia Nacional da Capoeira, celebrado em 15 de julho. Salvador segue como a principal referência da tradição, patrimônio cultural do Brasil e da humanidade.
Eliseu Lins, da Agência NE9
20 de julho de 2026 - às 12:12
Atualizado 20 de julho de 2026 - às 12:12
5 min de leitura

Reconhecida como patrimônio cultural brasileiro e praticada em mais de 150 países, a capoeira acaba de ganhar um dia oficial no calendário nacional. A nova data reforça a importância histórica dessa manifestação que tem no Nordeste, especialmente na Bahia, algumas de suas raízes mais profundas.

Muito antes de conquistar academias na Europa, rodas nos Estados Unidos e admiradores em mais de 150 países, a capoeira nasceu como símbolo de resistência no Brasil. Agora, essa tradição acaba de ganhar mais um reconhecimento oficial: o Dia Nacional da Capoeira, celebrado em 15 de julho.

O reconhecimento nacional reforça uma tradição que continua viva nas ruas, praças e projetos sociais do Nordeste.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei nº 15.469/2026, que institui o Dia Nacional da Capoeira, celebrado anualmente em 15 de julho. A princípio, a nova data homenageia o dia em que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu a capoeira como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, em 2008.

A lei está na edição extra do Diário Oficial da União e teve origem no Projeto de Lei 7.536/2010, de autoria do deputado Márcio Marinho (Republicanos-BA). A matéria teve aprovação tanto na Câmara dos Deputados quando no Senado.

Na justificativa da proposta, o parlamentar destacou que a capoeira representa muito mais que uma prática esportiva.

“A capoeira é esporte, cultura e disciplina”, afirmou Marinho durante a tramitação do projeto.

Salvador é considerada a capital da capoeira

Capoeiristas em Salvador Foto Fabio Piva Red Bull
Capoeiristas em Salvador Foto Fabio Piva Red Bull

Poucas cidades no mundo têm uma ligação tão forte com a capoeira quanto Salvador. Foi nas ruas da capital baiana que mestres históricos ajudaram a transformar uma manifestação de resistência em um dos maiores símbolos da cultura brasileira.

Embora esteja presente ao mesmo tempo em todo o Brasil e em mais de 150 países, a capoeira possui uma ligação histórica especialmente forte com o Nordeste.

Antes de mais nada, entre todas as capitais nordestinas, Salvador é a principal referência da modalidade. Dessa forma, reúne centenas de grupos, academias e mestres que mantêm viva uma tradição iniciada ainda no período colonial.

Assim, foi na capital baiana que surgiram dois dos maiores nomes da história da capoeira:

  • Mestre Bimba, responsável pela criação da Capoeira Regional, que sistematizou o ensino da prática;
  • Mestre Pastinha, considerado um dos maiores defensores da tradição da Capoeira Angola.

Hoje, apresentações de capoeira fazem parte do cotidiano de locais turísticos como o Pelourinho, o Mercado Modelo e o entorno do Farol da Barra. Desse modo, atrai visitantes do Brasil e do exterior.

Patrimônio cultural e símbolo de resistência

Mais do que uma luta ou dança, a capoeira nasceu como forma de resistência da população negra escravizada durante o período colonial.

Contudo, ao longo dos séculos, incorporou música, canto, instrumentos tradicionais — como o berimbau, o atabaque e o pandeiro. Em suma, passou a representar um importante símbolo da identidade afro-brasileira.

Em 2014, a prática ganhou reconhecimento internacional ao ser inscrita pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

Cultura presente em todo o Nordeste

Além da Bahia, a capoeira possui forte presença em diversas capitais nordestinas. No Recife, rodas de capoeira ocupam praças e espaços culturais, especialmente durante eventos ligados à cultura popular.

Em Fortaleza, São Luís, João Pessoa, Natal, Maceió, Aracaju e Teresina, grupos tradicionais desenvolvem projetos sociais, aulas para crianças e apresentações em escolas e centros culturais.

Em muitos municípios, a capoeira também é utilizada como ferramenta de inclusão social, educação e valorização da cultura afro-brasileira.

Você sabia?

  • A capoeira é praticada em mais de 150 países.
  • A roda de capoeira foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2014.
  • O berimbau tornou-se um dos símbolos da cultura brasileira no exterior.
  • Salvador recebe visitantes do mundo inteiro interessados em vivenciar rodas tradicionais.

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Nova data reforça valorização da cultura brasileira

Mais do que uma celebração no calendário oficial, o Dia Nacional da Capoeira representa o reconhecimento de uma tradição que atravessou séculos, venceu o preconceito e hoje leva a cultura do Nordeste para centenas de cidades brasileiras e dezenas de países.

Portanto, para o Nordeste, onde a capoeira mantém raízes profundas e continua sendo transmitida entre gerações, a nova data reforça o papel da região como guardiã de uma das mais importantes expressões da cultura brasileira.

Curiosidades sobre a capoeira

FatoInformação
Dia Nacional15 de julho
Lei15.469/2026
Patrimônio do BrasilDesde 2008 (Iphan)
Patrimônio da HumanidadeDesde 2014 (UNESCO)
Principal referência no BrasilSalvador (BA)
Instrumento mais conhecidoBerimbau
OrigemResistência dos povos africanos escravizados no Brasil

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.