Reconhecida como patrimônio cultural brasileiro e praticada em mais de 150 países, a capoeira acaba de ganhar um dia oficial no calendário nacional. A nova data reforça a importância histórica dessa manifestação que tem no Nordeste, especialmente na Bahia, algumas de suas raízes mais profundas.
Muito antes de conquistar academias na Europa, rodas nos Estados Unidos e admiradores em mais de 150 países, a capoeira nasceu como símbolo de resistência no Brasil. Agora, essa tradição acaba de ganhar mais um reconhecimento oficial: o Dia Nacional da Capoeira, celebrado em 15 de julho.
O reconhecimento nacional reforça uma tradição que continua viva nas ruas, praças e projetos sociais do Nordeste.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei nº 15.469/2026, que institui o Dia Nacional da Capoeira, celebrado anualmente em 15 de julho. A princípio, a nova data homenageia o dia em que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu a capoeira como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, em 2008.
A lei está na edição extra do Diário Oficial da União e teve origem no Projeto de Lei 7.536/2010, de autoria do deputado Márcio Marinho (Republicanos-BA). A matéria teve aprovação tanto na Câmara dos Deputados quando no Senado.
Na justificativa da proposta, o parlamentar destacou que a capoeira representa muito mais que uma prática esportiva.
“A capoeira é esporte, cultura e disciplina”, afirmou Marinho durante a tramitação do projeto.
Salvador é considerada a capital da capoeira

Poucas cidades no mundo têm uma ligação tão forte com a capoeira quanto Salvador. Foi nas ruas da capital baiana que mestres históricos ajudaram a transformar uma manifestação de resistência em um dos maiores símbolos da cultura brasileira.
Embora esteja presente ao mesmo tempo em todo o Brasil e em mais de 150 países, a capoeira possui uma ligação histórica especialmente forte com o Nordeste.
Antes de mais nada, entre todas as capitais nordestinas, Salvador é a principal referência da modalidade. Dessa forma, reúne centenas de grupos, academias e mestres que mantêm viva uma tradição iniciada ainda no período colonial.
Assim, foi na capital baiana que surgiram dois dos maiores nomes da história da capoeira:
- Mestre Bimba, responsável pela criação da Capoeira Regional, que sistematizou o ensino da prática;
- Mestre Pastinha, considerado um dos maiores defensores da tradição da Capoeira Angola.
Hoje, apresentações de capoeira fazem parte do cotidiano de locais turísticos como o Pelourinho, o Mercado Modelo e o entorno do Farol da Barra. Desse modo, atrai visitantes do Brasil e do exterior.
Patrimônio cultural e símbolo de resistência

Mais do que uma luta ou dança, a capoeira nasceu como forma de resistência da população negra escravizada durante o período colonial.
Contudo, ao longo dos séculos, incorporou música, canto, instrumentos tradicionais — como o berimbau, o atabaque e o pandeiro. Em suma, passou a representar um importante símbolo da identidade afro-brasileira.
Em 2014, a prática ganhou reconhecimento internacional ao ser inscrita pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.
Cultura presente em todo o Nordeste
Além da Bahia, a capoeira possui forte presença em diversas capitais nordestinas. No Recife, rodas de capoeira ocupam praças e espaços culturais, especialmente durante eventos ligados à cultura popular.
Em Fortaleza, São Luís, João Pessoa, Natal, Maceió, Aracaju e Teresina, grupos tradicionais desenvolvem projetos sociais, aulas para crianças e apresentações em escolas e centros culturais.
Em muitos municípios, a capoeira também é utilizada como ferramenta de inclusão social, educação e valorização da cultura afro-brasileira.
Você sabia?
- A capoeira é praticada em mais de 150 países.
- A roda de capoeira foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2014.
- O berimbau tornou-se um dos símbolos da cultura brasileira no exterior.
- Salvador recebe visitantes do mundo inteiro interessados em vivenciar rodas tradicionais.

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Nova data reforça valorização da cultura brasileira
Mais do que uma celebração no calendário oficial, o Dia Nacional da Capoeira representa o reconhecimento de uma tradição que atravessou séculos, venceu o preconceito e hoje leva a cultura do Nordeste para centenas de cidades brasileiras e dezenas de países.
Portanto, para o Nordeste, onde a capoeira mantém raízes profundas e continua sendo transmitida entre gerações, a nova data reforça o papel da região como guardiã de uma das mais importantes expressões da cultura brasileira.
Curiosidades sobre a capoeira
| Fato | Informação |
|---|---|
| Dia Nacional | 15 de julho |
| Lei | 15.469/2026 |
| Patrimônio do Brasil | Desde 2008 (Iphan) |
| Patrimônio da Humanidade | Desde 2014 (UNESCO) |
| Principal referência no Brasil | Salvador (BA) |
| Instrumento mais conhecido | Berimbau |
| Origem | Resistência dos povos africanos escravizados no Brasil |


