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Senado aprova PEC da Segurança Pública e amplia integração das forças policiais no Brasil

Senado aprova PEC da Segurança Pública em dois turnos. Proposta amplia integração policial, muda atribuições e prevê novos recursos.
Eliseu Lins, da Agência NE9
4 de novembro de 2026 - às 06:01
Atualizado 4 de novembro de 2026 - às 06:01
6 min de leitura
Senado Federal aprova a PEC da Segurança Pública em dois turnos durante sessão plenária
Plenário do Senado em uma das sessões de discussão da propost foto Ton Molina Agencia Senado

Proposta recebeu 75 votos favoráveis no segundo turno e prevê mudanças na atuação da União, estados e municípios, além de novas regras para o combate ao crime organizado e financiamento do setor.

O Senado Federal aprovou, na terça-feira (3), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. A medida reorganiza a estrutura de segurança no país, amplia a cooperação entre os governos federal, estaduais e municipais e estabelece novos instrumentos para enfrentar facções criminosas e milícias.

A votação ocorreu em dois turnos e terminou sem votos contrários. No primeiro, a proposta recebeu 73 votos favoráveis. Já no segundo, contou com o apoio de 75 senadores.

A princípio, como a Câmara dos Deputados já havia aprovado o texto, a proposta segue agora para promulgação pelo Congresso Nacional. Portanto, não precisará retornar à Câmara para uma nova votação.

A PEC 18/2025, apresentada pelo Poder Executivo, busca fortalecer a coordenação nacional das políticas de segurança pública. Entre as principais mudanças estão a inclusão do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição, a ampliação das atribuições de forças policiais e a criação de mecanismos para garantir recursos ao setor.

O que muda com a PEC da Segurança Pública?

Um dos principais pontos da proposta é estabelecer a cooperação federativa como princípio da organização da segurança pública brasileira.

Na prática, isso significa ampliar a articulação entre União, estados, Distrito Federal e municípios. Assim, as instituições poderão desenvolver ações conjuntas, compartilhar informações e integrar sistemas de inteligência e investigação.

A PEC também inclui o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição Federal. O sistema já existe na legislação brasileira, mas a mudança fortalece sua presença na estrutura constitucional.

Com isso, a proposta busca dar mais estabilidade à integração entre as instituições responsáveis pela prevenção, investigação, repressão ao crime e execução penal.

Entenda as principais mudanças previstas

ÁreaO que prevê a PEC
Sistema de segurançaInclusão do Susp na Constituição Federal
Cooperação entre governosIntegração de ações entre União, estados e municípios
Polícia FederalAmpliação da atuação no combate ao crime organizado e aos crimes ambientais
Polícia Rodoviária FederalPossibilidade de policiamento ostensivo em ferrovias e hidrovias federais
Polícias municipaisPossibilidade de criação de corporações municipais de natureza civil, com requisitos específicos
Sistema penitenciárioCriação do Sistema de Políticas Penais
FinanciamentoProteção e regras de repasse de recursos dos fundos nacionais de segurança

Como ficará a atuação das polícias?

A proposta também modifica a organização e as atribuições de algumas instituições.

A Polícia Federal terá suas atribuições ampliadas no enfrentamento às organizações criminosas e aos crimes ambientais. Dessa maneira, o texto reforça a atuação federal em delitos que podem ultrapassar os limites de um estado ou atingir estruturas criminosas de alcance nacional.

Já a Polícia Rodoviária Federal poderá atuar no policiamento ostensivo de ferrovias e hidrovias federais, além das atribuições que já exerce nas rodovias.

Outro ponto é a possibilidade de criação de polícias municipais de natureza civil. Essas corporações poderão realizar policiamento ostensivo e comunitário dentro dos limites dos municípios, desde que atendam aos critérios estabelecidos na proposta.

Além disso, a PEC prevê controle externo do Ministério Público, formação padronizada e requisitos de estrutura e financiamento para essas instituições.

Portanto, a medida não significa que todos os municípios terão automaticamente uma nova polícia. Cada administração precisará observar as condições previstas no texto constitucional e na regulamentação aplicável.

Agentes da Polícia Federal em ação. Foto: Governo Federal
Agentes da Polícia Federal em ação. Foto: Governo Federal

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PEC prevê mais recursos para a segurança pública

Outro eixo importante trata do financiamento. A proposta estabelece mecanismos para proteger os recursos dos fundos nacionais e dar maior previsibilidade ao orçamento da segurança pública.

Entre eles estão o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP), o Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) e o fundo destinado ao aparelhamento e à operacionalização das atividades da Polícia Federal (Funapol).

Assim, o texto prevê proteção contra bloqueios e contingenciamentos, além de regras para os repasses de recursos aos estados e municípios.

A PEC também estabelece a destinação de 10% do superávit financeiro anual do Fundo Social, ligado às receitas do pré-sal, para os fundos da segurança pública.

Na prática, a intenção é reduzir a instabilidade no financiamento de políticas de prevenção, investigação, policiamento e administração penitenciária.

O que é o Sistema de Políticas Penais?

A proposta também cria o Sistema de Políticas Penais, voltado à organização e à integração das ações relacionadas ao sistema prisional brasileiro.

Com isso, o objetivo é fortalecer a atuação das polícias penais federal, estaduais e distrital, além de melhorar a coordenação da custódia e da disciplina de pessoas privadas de liberdade.

Esse eixo também busca aprimorar a gestão penitenciária e a aplicação de tecnologias de segurança nos estabelecimentos prisionais.

O que acontece agora?

Com a aprovação da PEC nas duas casas do Congresso Nacional, o próximo passo é a promulgação pelo presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre.

Afinal, diferentemente de um projeto de lei, uma proposta de emenda à Constituição não depende de sanção presidencial. Depois da promulgação e publicação, as mudanças passam a integrar o texto constitucional, conforme as regras de vigência estabelecidas.

Entretanto, algumas medidas ainda poderão exigir regulamentação e organização administrativa para funcionar na prática.

Portanto, a aprovação representa uma mudança na estrutura institucional da segurança pública brasileira. O resultado concreto, porém, dependerá da integração entre as forças policiais, da capacidade de execução dos governos e da aplicação dos recursos previstos.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.