A Polícia Federal divulgou nesta segunda-feira (26) o balanço preliminar de ocorrências relacionadas a possíveis crimes eleitorais no segundo turno das eleições. No total, 86 casos foram registrados em 21 unidades da federação, com a Paraíba aparecendo no topo da lista, com 11 ocorrências. Antes de mais nada, esse número é maior do que em estados como Minas Gerais (9) e Rio de Janeiro (5).
Os números dos registros policiais no 2º turno
Do total de 86 casos, a PF instaurou 13 inquéritos policiais e lavrou 64 termos circunstanciados de ocorrência. Outros seis flagrantes seguiam em análise até o fechamento do balanço. Entre os tipos de ocorrência mais frequentes, 38 envolviam possíveis violações ou tentativas de violação do sigilo do voto. A princípio, este é de longe a categoria mais numerosa.
Em seguida aparecem 24 casos de propaganda eleitoral irregular, oito de desordem nos trabalhos eleitorais e seis de desobediência eleitoral. Além disso, também foram registrados episódios de danos a urnas eletrônicas e suspeitas de votação em nome de terceiros.
Onde os casos ocorreram
Em resumo, os registros se espalharam por 21 unidades da federação. A distribuição é desigual: a Paraíba concentra 11 casos, seguida por Minas Gerais (9), Sergipe (8), Bahia (5), Pernambuco (5) e Rio de Janeiro (5).
Na faixa intermediária aparecem Alagoas, Espírito Santo e Mato Grosso, com quatro cada; Acre, Distrito Federal, Piauí, Paraná e São Paulo, com três cada; e Ceará, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pará, Rio Grande do Norte e Rondônia, com dois cada.
Santa Catarina registrou um caso. A ausência de estados como Rio Grande do Sul, Goiás e Amazonas no balanço preliminar também é um dado a se observar — os números são dinâmicos e podem mudar com novas ocorrências e atualizações dos sistemas da PF.
| Indicador | Número |
|---|---|
| Total de casos registrados no 2º turno | 86 |
| Inquéritos policiais instaurados | 13 |
| Termos circunstanciados de ocorrência lavrados | 64 |
| Flagrantes em análise | 6 |
| Violações ou tentativas de violação do sigilo do voto | 38 |
| Propaganda eleitoral irregular | 24 |
| Desordem nos trabalhos eleitorais | 8 |
| Desobediência eleitoral | 6 |
| Unidades da federação com registros | 21 |
| Estado com mais casos | Paraíba (11) |
| Bens e valores apreendidos no 2º turno | R$ 41.420 |
| Inquéritos instaurados em 2026 (até 26/10) | 1.629 |
| Inquéritos em andamento em 2026 | 2.483 |
| Total apreendido em 2026 | Quase R$ 52 milhões |
| Inquéritos por violência política contra a mulher | 104 em andamento |
Apreensões e o acumulado do ano
Entre os materiais recolhidos estão celulares, equipamentos de informática e aparelhos de som. Estes são itens típicos de ocorrências envolvendo boca de urna, propaganda irregular e transporte de eleitores.
O balanço do segundo turno, porém, é uma fração pequena do que a PF acumulou ao longo de 2026. Até as 9h30 desta segunda-feira (26), a instituição havia instaurado 1.629 inquéritos relacionados a crimes eleitorais no ano, com 2.483 inquéritos ainda em andamento na mesma data. Assim, o valor total de bens e valores apreendidos em ações ligadas a crimes eleitorais chegou a quase R$ 52 milhões. Em suma, este volume indica que as investigações eleitorais de 2026 não se resumem a episódios isolados no dia da votação.
Ao mesmo tempo, os dados também incluem investigações sobre violência política contra a mulher, prevista no art. 326-B do Código Eleitoral. Ao longo do ano, há 104 inquéritos em andamento nessa categoria, número que reflete tanto a tipificação mais recente do crime quanto o aumento de denúncias.

O que observar daqui para frente
A PF ressalta que os números são dinâmicos e podem sofrer alterações em razão de novas ocorrências, investigações e atualizações dos sistemas da instituição. Na prática, isso significa que o balanço do segundo turno tende a crescer nos próximos dias, à medida que os flagrantes em análise sejam convertidos em inquéritos ou termos circunstanciados. A concentração de casos na Paraíba — 11 de 86, mais de 12% do total — é o dado mais curioso do levantamento e deve render perguntas sobre o que aconteceu no estado no domingo de votação. Para o restante do país, o acumulado do ano sugere que o volume de investigações eleitorais em 2026 já supera com folga o de pleitos anteriores. Desse modo, impulsionado tanto pela maior capilaridade das denúncias quanto pelo endurecimento da legislação sobre violência política.


