Paraíba e Ceará são os principais destaques regionais na equipe que representará o Brasil no Mundial Júnior da ISA; seleção foi definida após o Surf Brasil Base 2026, em Navegantes
O Nordeste terá seis representantes na Seleção Brasileira Junior que disputará o Mundial Júnior da International Surfing Association (ISA) em 2027.
A equipe foi definida neste domingo (27), durante a final do Surf Brasil Base 2026, em Navegantes, Santa Catarina. A competição reuniu os principais nomes da nova geração do surfe brasileiro e definiu as últimas vagas da seleção nacional.
A Paraíba aparece como principal destaque regional, com três atletas classificados: Felipe Homsi, Iago Bellotti e Hanna Prado. O Ceará terá Nicolas Silva, enquanto o Espírito Santo completa a presença nordestina ampliada no grupo com Aninha Dagostini?
A princípio, na lista oficial divulgada pelo Surf Brasil, porém, Hanna Prado é paraibana, Nicolas Silva é cearense, Iago Bellotti e Felipe Homsi são paraibanos, totalizando quatro nordestinos.
Essa composição coloca a região em posição de destaque na nova geração do surfe brasileiro.
Veja os 12 brasileiros classificados para o Mundial ISA 2027
A Seleção Brasileira Junior ficou dividida em quatro categorias:
| Categoria | Surfistas | Estado |
|---|---|---|
| Sub-18 masculino | Felipe Homsi | PB |
| Pablo Gabriel | RJ | |
| Michel Demétrio | SC | |
| Sub-18 feminino | Maeva Guastalla | SP |
| Giovanna Rocha | SP | |
| Júlia Stefani | SP | |
| Sub-16 masculino | Nicolas Silva | CE |
| Lucas Velasquez | SC | |
| Iago Bellotti | PB | |
| Sub-16 feminino | Carol Bastides | SP |
| Aninha Dagostini | ES | |
| Hanna Prado | PB |
A lista foi definida pelo Surf Brasil após a etapa decisiva de Navegantes.
Paraíba leva três atletas
A Paraíba aparece com três nomes na equipe brasileira. O principal destaque é Felipe Homsi, campeão brasileiro Sub-18 em Navegantes. O surfista conseguiu o título justamente na bateria que também valia as últimas vagas para a Seleção Brasileira Junior.
Além dele, Iago Bellotti garantiu vaga no Sub-16 masculino, enquanto Hanna Prado conquistou uma das três vagas brasileiras no Sub-16 feminino.
Além disso, a presença dos três atletas reforça o momento da Paraíba na formação de novos surfistas.
Felipe Homsi vence a bateria decisiva e garante vaga

A final do Sub-18 masculino tinha uma importância especial. Felipe Homsi entrou na água depois de disputar também o Sub-16. Na categoria mais nova, terminou em quarto lugar, mas utilizou a experiência para se adaptar às condições difíceis da Praia Central de Navegantes.
Na decisão do Sub-18, o paraibano abriu a bateria com uma onda avaliada em 6,00 pontos e permaneceu na liderança até o fim.
Homsi terminou com 9,57 pontos, à frente de Pablo Gabriel, com 7,66, e Michel Demétrio, com 6,23. Vini Palma ficou em quarto, com 6,13.
Além disso, o resultado também representa o primeiro título brasileiro do paraibano no domingo decisivo de Navegantes.
“Estou muito feliz de poder representar a Paraíba, que é o meu estado que carrego com muito orgulho, na Seleção Brasileira Junior do ano que vem”, afirmou Felipe Homsi após a vitória.
Nicolas Silva leva o Ceará para o Mundial

O Ceará terá Nicolas Silva como representante na equipe brasileira. O surfista venceu o Sub-16 masculino em Navegantes, somando 11,00 pontos na final.
Lucas Velasquez terminou em segundo, com 7,90, enquanto Iago Bellotti, da Paraíba, ficou em terceiro, com 7,30. Felipe Homsi terminou em quarto, com 5,13.
O título de Nicolas completa uma campanha regional expressiva. O Ceará também conquistou o título brasileiro Sub-14 masculino com Lucas Peixoto.
Nordeste dominou os títulos brasileiros em Navegantes
Embora quatro atletas nordestinos tenham entrado na Seleção Brasileira Junior, o desempenho da região no campeonato nacional foi ainda maior. Dos oito títulos brasileiros disputados em Navegantes, seis ficaram com surfistas do Nordeste.
A Paraíba conquistou três títulos, enquanto o Ceará ganhou dois e a Bahia ficou com um.
| Categoria | Masculino | Feminino |
|---|---|---|
| Sub-18 | Felipe Homsi (PB) | Maeva Guastalla (SP) |
| Sub-16 | Nicolas Silva (CE) | Carol Bastides (SP) |
| Sub-14 | Lucas Peixoto (CE) | Hanna Prado (PB) |
| Sub-12 | Rudá Nascimento (BA) | Ayla Lopes (PB) |
Assim, Paraíba, Ceará e Bahia colocaram o Nordeste no topo de seis das oito categorias nacionais.
São Paulo terminou novamente como melhor equipe estadual
Apesar da predominância nordestina nos títulos individuais, São Paulo terminou no topo do ranking geral por equipes.
O estado somou 17.215 pontos, seguido por Santa Catarina, com 15.251, e Paraíba, com 11.935.
A Paraíba ficou em terceiro lugar, enquanto o Ceará terminou em quarto, com 6.980 pontos. Pernambuco apareceu em sétimo, com 4.290.
| Posição | Estado | Pontos |
|---|---|---|
| 1º | São Paulo | 17.215 |
| 2º | Santa Catarina | 15.251 |
| 3º | Paraíba | 11.935 |
| 4º | Ceará | 6.980 |
| 5º | Rio de Janeiro | 4.793 |
| 6º | Paraná | 4.760 |
| 7º | Pernambuco | 4.290 |
São Paulo conquistou o ranking estadual pela quinta edição consecutiva.
Como funciona o Mundial Júnior da ISA?
O ISA World Junior Surfing Championship, conhecido como Mundial Júnior da ISA, funciona de maneira diferente de uma etapa convencional do circuito profissional.
Em vez de representar apenas a si próprio, o surfista compete integrando uma seleção nacional. Por isso, os resultados individuais também contribuem para a pontuação da equipe de cada país.
O campeonato reúne quatro divisões:
- Sub-18 masculino
- Sub-18 feminino
- Sub-16 masculino
- Sub-16 feminino
A ISA estabelece uma estrutura de equipe com atletas distribuídos nessas quatro categorias. Entretanto, no formato utilizado nos Mundiais recentes, as baterias avançam por fases e os surfistas eliminados podem ter uma segunda oportunidade por meio da repescagem (repechage).
O que é a repescagem?
A repescagem é uma das características mais importantes do formato da ISA. Quando um atleta não consegue avançar diretamente em uma bateria do evento principal, ele pode entrar em uma fase de repechage, dependendo da rodada e do regulamento daquele campeonato.
Assim, uma derrota em uma bateria não significa necessariamente eliminação imediata.
No Mundial de 2026, realizado em El Salvador, a ISA explicou que a repescagem garantiu pelo menos duas baterias para cada surfista, embora, depois dessa fase, cada bateria passasse a representar eliminação direta para quem não avançasse.
Isso muda a estratégia dos atletas. Além de buscar notas altas, os surfistas precisam administrar cada bateria para permanecer vivos na competição e continuar somando pontos para sua seleção.
O resultado individual também ajuda o Brasil
O Mundial não termina quando um atleta conquista ou perde uma bateria. A ISA também calcula o ranking por equipes, somando os resultados dos atletas de cada país nas quatro categorias.
Por isso, uma seleção pode conquistar o título mundial por equipes mesmo sem necessariamente ter todos os campeões individuais.
O formato ficou evidente no Mundial de 2026. O Brasil terminou em terceiro lugar entre 56 nações, com 5.430 pontos, atrás da Austrália, campeã com 8.078, e dos Estados Unidos, com 6.048.
Dessa maneira, a Austrália terminou no topo e manteve sua força coletiva durante a competição. A ISA acompanhou o ranking ao longo das fases justamente porque cada resultado individual interferia na pontuação das equipes.
O Brasil chega ao Mundial de 2027 depois do pódio em 2026
A seleção que vai disputar o Mundial de 2027 terá uma referência recente importante. No campeonato realizado em El Salvador, em setembro de 2026, o Brasil terminou em terceiro lugar geral.
Assim, a equipe brasileira ficou atrás apenas de Austrália e Estados Unidos e à frente de Peru, Japão e Havaí no ranking final.
Portanto, a nova geração brasileira chega ao próximo Mundial depois de uma campanha que colocou o país novamente entre as principais forças da competição por equipes.
Uma geração nordestina que já chama atenção
A presença de atletas da Paraíba e do Ceará na seleção não surgiu apenas na última bateria de Navegantes.
O próprio Surf Brasil Base 2026 reuniu 107 surfistas de 13 estados, depois de três seletivas regionais realizadas nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul.
Na seletiva Norte/Nordeste, o Ceará levou oito classificados, a Paraíba quatro, a Bahia três, o Rio Grande do Norte dois e Pernambuco e Maranhão um cada.
Isso mostra que a formação de atletas nordestinos já alcança diferentes estados e categorias da base nacional.
Além disso, a região não depende apenas de um ou dois nomes. Paraíba, Ceará, Bahia, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Maranhão tiveram atletas classificados para a fase nacional em Navegantes.
O que esperar do Brasil no Mundial ISA 2027?
A equipe brasileira chega ao próximo Mundial com uma combinação de experiência recente e renovação.
Felipe Homsi será o representante nordestino mais velho do grupo masculino, enquanto Nicolas Silva e Iago Bellotti competirão no Sub-16.
No feminino, Hanna Prado completa a presença nordestina.
Ao mesmo tempo, São Paulo domina numericamente a seleção feminina, com cinco das seis vagas das duas categorias femininas. Rio de Janeiro e Santa Catarina completam o grupo masculino ao lado dos nordestinos.
A composição mostra, portanto, que a nova seleção brasileira reúne diferentes polos de formação do surfe nacional.


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O Nordeste já mostrou força antes mesmo do Mundial
O resultado de Navegantes deixa uma mensagem clara sobre a base brasileira.
O Nordeste conquistou seis dos oito títulos brasileiros em disputa, colocou quatro surfistas na seleção que irá ao Mundial e ainda teve a Paraíba no terceiro lugar do ranking estadual.
Agora, os atletas mudam de cenário.
Portanto, depois de enfrentar os melhores surfistas brasileiros em Navegantes, Felipe Homsi, Iago Bellotti, Hanna Prado e Nicolas Silva terão pela frente representantes de seleções de diferentes países no Mundial Júnior da ISA 2027. A competição internacional será o próximo grande teste dessa geração.
Afinal, para o surfe nordestino, a expectativa começa com uma certeza: a região já chega ao Mundial como uma das principais forças da nova geração brasileira.


