A aprovação do fim da escala 6×1 na Câmara dos Deputados foi histórica. Com placares de 472 a 22 (1º turno) e 461 a 19 (2º turno), a PEC que reduz a jornada máxima semanal para 40 horas e garante dois dias de descanso remunerado mostrou força política raramente vista no Congresso.
Mas um dado regional saltou aos olhos e merece destaque: o Nordeste, berço de lutas trabalhistas e de movimentos sindicais históricos, teve apenas um único deputado que votou contra a proposta.
Enquanto estados do Sul e Sudeste concentraram a quase totalidade dos votos contrários — com Santa Catarina liderando o ranking da resistência —, a bancada nordestina preferiu ficar ao lado do trabalhador.
Deputado maranhense votou contra o fim da escala 6×1
Nos primeiro turno de votação, apenas um nome da região apareceu na lista dos contrários: Paulo Marinho Jr. (PL-MA) , do Maranhão.
O deputado votou “não” somente no primeiro turno, mudando de posição no segundo. O gesto chamou atenção porque, mesmo em partidos de oposição ao governo, todos os demais parlamentares nordestinos acabaram apoiando a medida — reflexo direto da pressão popular e do apelo social da pauta.

Onde estão os votos contrários ao fim da escala 6×1?
Para entender o fenômeno, basta olhar a lista dos 22 deputados que votaram contra no primeiro turno (e os 19 no segundo). A esmagadora maioria vem de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo — estados com forte presença de bancadas alinhadas ao setor empresarial e ao bolsonarismo raiz.
A tabela abaixo mostra a distribuição geográfica dos votos contrários no primeiro turno (que foram os mesmos do segundo, com pequenas variações):
| Estado | Deputados contrários (1º turno) | Destaque |
|---|---|---|
| Santa Catarina | 7 | Maior polo de resistência |
| Rio Grande do Sul | 5 | Bancada articulada contra |
| São Paulo | 4 | Inclui Ricardo Salles e Kim Kataguiri |
| Maranhão | 1 | Paulo Marinho Jr. (único do NE) |
| Roraima | 1 | Nicoletti (PL-RR) |
| Total | 22 | Nordeste teve apenas 1 |
No segundo turno, a lista caiu para 19 nomes, mas a concentração regional permaneceu a mesma: Sul e Sudeste liderando. Contudo, o Nordeste não teve um único voto contrário.
O que diz a PEC aprovada?
Para quem ainda não acompanhou todos os detalhes, eis um resumo do texto que agora segue para o Senado:
- Dois meses após a promulgação: valem dois dias de descanso remunerado por semana (um preferencialmente aos domingos), com jornada semanal de 42 horas.
- 14 meses após a promulgação: a jornada cai para 40 horas semanais (máximo de 8 horas diárias), mantendo os dois dias de descanso.
- Sem redução salarial: o salário nominal, proporcional e os pisos salariais são garantidos.
- Exceções: profissionais com diploma de nível superior que ganham acima de 2,5 vezes o teto da Previdência (hoje cerca de R$ 21,1 mil) e trabalhadores terceirizados em contratos com a administração pública ficam fora da regra geral.
- Transição: acordos coletivos podem ampliar a jornada diária (além de 8h) no primeiro ano para viabilizar o ajuste, desde que respeitados os dois dias de descanso.
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Por que o Nordeste votou quase 100% a favor?
Analistas apontam três fatores principais:
- Força dos movimentos sociais – Sindicatos, centrais sindicais e movimentos de trabalhadores têm capilaridade enorme na região.
- Ano eleitoral – 2026 renova dois terços do Senado e toda a Câmara. Ninguém quer explicar ao eleitor nordestino, em 2027, por que votou contra mais descanso e mesmo salário.
- Lideranças regionais – A articulação de Leo Prates (BA) e o apoio de governadores e prefeitos ajudaram a consolidar a bancada.
Como resumiu um deputado do Ceará (que pediu anonimato): “No Nordeste, quem vota contra o trabalhador cansado não se reelege nem como síndico.”
E agora é com o Senado
O placar da Câmara foi avassalador, mas o Senado costuma ser mais conservador. No entanto, com 54 das 81 cadeiras em jogo em 2026, a pressão popular tende a se repetir. A expectativa é que a PEC seja debatida em sessão temática nos próximos dias, com votação prevista ainda para o primeiro semestre.




