Bahia lidera o acumulado do ano, Pernambuco foi o estado que mais abriu vagas em agosto e Paraíba teve o maior crescimento proporcional do Brasil
Qual estado do Nordeste mais está criando empregos em 2026? A resposta muda conforme o indicador analisado.
A princípio, nos dados mais recentes do Novo Caged, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, a Bahia lidera o Nordeste no acumulado de janeiro a agosto, com 72.768 novos empregos formais. Já em agosto, Pernambuco ficou na primeira posição regional, com 13.428 vagas abertas.
Além disso, a Paraíba registrou o maior crescimento proporcional do emprego entre todos os estados brasileiros em agosto, com alta de 1,59% no estoque de vínculos formais.
Ou seja, o mercado de trabalho nordestino apresenta três histórias diferentes: Bahia lidera no volume acumulado, Pernambuco dispara no resultado mensal e Paraíba cresce mais rapidamente em termos proporcionais.

Bahia lidera o Nordeste em empregos criados em 2026
Entre janeiro e agosto, a Bahia abriu 72.768 postos formais de trabalho, o maior saldo entre os nove estados nordestinos.
Antes de mais nada, o resultado representa crescimento de 3,40% no estoque de empregos desde o início do ano. Além disso, a Bahia completou oito meses consecutivos com saldo positivo.
Assim, o desempenho coloca o estado também entre os maiores geradores de empregos do Brasil no período.
Na economia baiana, os Serviços lideraram a criação de vagas no acumulado, com cerca de 43 mil postos. Em seguida aparecem Construção, Indústria e Agropecuária. O Comércio, por outro lado, acumulou saldo negativo no período.
Ceará ultrapassa Pernambuco no acumulado
Ao mesmo tempo, a disputa pelo segundo lugar também chama atenção.
Até agosto, o Ceará acumulou 37.697 empregos formais, ligeiramente acima dos 36.874 registrados por Pernambuco. Assim, o Ceará passou a ocupar a segunda posição do Nordeste no acumulado de 2026, enquanto Pernambuco ficou em terceiro.
Dessa forma, o Ceará apresentou crescimento de 2,74% no estoque de empregos no ano.
Portanto, o ranking acumulado começa assim:
| Posição | Estado | Empregos criados em 2026 |
|---|---|---|
| 1º | Bahia | 72.768 |
| 2º | Ceará | 37.697 |
| 3º | Pernambuco | 36.874 |
| 4º | Maranhão | 19.036 |
| 5º | Piauí | 15.722 |
| 6º | Rio Grande do Norte | 6.650 |
| 7º | Alagoas | -3.216 |
Em resumo, os dados oficiais e levantamentos baseados no Novo Caged mostram que Alagoas é o único estado nordestino que ainda apresenta saldo acumulado negativo em 2026.
Os números de Paraíba e Sergipe completam o quadro regional, enquanto o Nordeste acumula 211.915 novos postos formais entre janeiro e agosto, com crescimento de 2,68%.
Pernambuco lidera o mês de agosto
Quando o recorte muda para agosto, Pernambuco assume a liderança.
Desse modo, o estado criou 13.428 empregos formais no mês. Afinal, este é o maior saldo entre os nove estados nordestinos. No ranking nacional, ficou atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro.
A Bahia apareceu em segundo lugar, com 11.647 vagas, enquanto o Ceará ficou em terceiro, com 9.295.
Confira o ranking de agosto:
| Posição | Estado | Vagas criadas em agosto |
|---|---|---|
| 1º | Pernambuco | 13.428 |
| 2º | Bahia | 11.647 |
| 3º | Ceará | 9.295 |
| 4º | Paraíba | 8.852 |
| 5º | Rio Grande do Norte | 4.890 |
| 6º | Alagoas | 3.791 |
| 7º | Maranhão | 3.188 |
| 8º | Sergipe | 2.382 |
| 9º | Piauí | 1.883 |
| Nordeste | 59.356 |
O dado chama atenção porque todos os nove estados nordestinos registraram saldo positivo em agosto. No total, a região abriu 59.356 postos, o equivalente a 35,8% dos 165.827 empregos formais criados no Brasil naquele mês.
Paraíba tem o maior crescimento proporcional do Brasil
Se o critério for velocidade de crescimento, entretanto, a liderança muda novamente.
A Paraíba registrou crescimento de 1,59% no estoque de empregos formais em agosto, o maior percentual entre todas as unidades da Federação.
Assim, o estado ficou à frente do Amapá, que teve alta de 1,38%, e do Rio Grande do Norte, com 0,92%.cA Paraíba abriu 8.852 vagas no mês e ficou em quarto lugar no ranking nordestino por quantidade absoluta.
Portanto, o estado não liderou em número de empregos, mas apresentou o maior avanço proporcional do país.
Indústria foi decisiva para a Paraíba
Um dos elementos que ajudam a explicar o desempenho paraibano está na indústria. A Paraíba abriu 4.088 empregos industriais em agosto, o maior saldo do setor entre os estados nordestinos.
Entretanto, Pernambuco veio logo depois, com 3.296 novos postos industriais. A agropecuária também contribuiu para o resultado paraibano, com 1.265 novas vagas em agosto.
Assim, o desempenho do estado mostra que a geração de empregos não dependeu apenas dos Serviços.
Onde estão os empregos do Nordeste?
Os números de agosto também permitem identificar quais setores movimentaram o mercado de trabalho regional.
No conjunto dos nove estados, Serviços e Indústria responderam por 37.471 das 59.356 novas vagas, ou 63,1% do saldo nordestino.
Serviços
O setor abriu 24.931 postos na região.
Bahia e Ceará lideraram a criação dentro do segmento:
- Bahia: 6.133 vagas;
- Ceará: 5.267 vagas.
Além disso, duas atividades se destacaram no Nordeste: Educação, com 5.998 vagas, e Saúde Humana e Serviços Sociais, com 4.456.
Indústria
A indústria abriu 12.540 empregos no Nordeste em agosto.
Desse total, 11.314 vieram da indústria de transformação, responsável por 90,2% do saldo industrial regional.
A Paraíba liderou esse segmento, com 4.088 vagas, seguida por Pernambuco, com 3.296.
Construção
A construção civil acrescentou 7.354 empregos na região.
Ceará, Pernambuco e Bahia apresentaram os maiores resultados:
| Estado | Novas vagas na construção |
|---|---|
| Ceará | 1.897 |
| Pernambuco | 1.824 |
| Bahia | 1.707 |
Comércio
O comércio abriu 4.888 vagas no Nordeste em agosto.
Mais uma vez, Ceará, Pernambuco e Bahia ficaram à frente:
- Ceará: 1.193;
- Pernambuco: 934;
- Bahia: 757.
Rio Grande do Norte teve força na agropecuária
O Rio Grande do Norte oferece outro exemplo de como a estrutura econômica de cada estado influencia o resultado.
O estado abriu 4.890 empregos formais em agosto. Porém, a Agropecuária respondeu por 2.620 vagas, mais da metade do saldo mensal.
O cultivo de melão teve papel importante nesse desempenho, com 1.718 novos postos.
No acumulado de janeiro a agosto, o RN soma 6.650 empregos formais, crescimento de 1,25%.
Pernambuco teve ajuda da cadeia da cana
O líder de agosto também apresentou uma característica própria.
Pernambuco abriu 13.428 vagas no mês. Serviços liderou, com 4.393 postos, seguido por Indústria, com 3.296; Agropecuária, com 2.981; Construção, com 1.824; e Comércio, com 934.
A cadeia sucroenergética teve participação importante. Ela gerou 5.050 postos, equivalentes a 37,6% do saldo estadual de agosto.
Dentro dessa cadeia, a fabricação de açúcar abriu 2.790 vagas e o cultivo de cana acrescentou 1.413.
E o Maranhão?
O Maranhão também fechou agosto no azul, com 3.188 novos empregos formais.
Com isso, o estado chegou a 19.036 vagas acumuladas em 2026, crescimento de 3,02% no estoque de empregos formais.
O resultado mensal representou uma recuperação em relação a julho, quando o saldo havia ficado em 654 vagas.
Piauí cresce acima da média nacional
O Piauí acumulou 15.722 novos empregos formais entre janeiro e agosto, com crescimento de 4,27% no estoque.
Sendo assim, esse percentual colocou o estado como a segunda unidade da Federação com maior crescimento proporcional no acumulado do ano, atrás apenas do Amapá.
Em agosto, o Piauí abriu 1.883 vagas e chegou a 384.033 vínculos formais.
Alagoas ainda está no negativo no ano
Alagoas apresenta o contraste mais forte do ranking.
Embora tenha criado 3.791 empregos em agosto, o estado ainda acumula saldo negativo de 3.216 postos entre janeiro e agosto.
Assim, Alagoas continua como o único estado nordestino no vermelho no acumulado de 2026.
O resultado mostra por que olhar apenas para um mês pode levar a uma interpretação diferente daquela apresentada pelo acumulado do ano.
O mercado de trabalho brasileiro em 2026
No Brasil, o Novo Caged registrou 165.827 novos empregos formais em agosto.
Entre janeiro e agosto, o país acumulou 1.134.033 novos postos, com crescimento de 2,41%. Os Serviços lideraram com ampla vantagem, com 697.859 vagas, seguidos por Construção, com 200.431; Indústria, com 170.442; Agropecuária, com 56.024; e Comércio, com 9.300.
Além disso, o salário médio real de admissão em agosto ficou em R$ 2.410,74, alta real de 1,02% em relação a agosto de 2025.
Afinal, qual estado do Nordeste mais está criando empregos?
A resposta depende do indicador.
No acumulado de 2026, a Bahia lidera, com 72.768 novos empregos formais.
Em agosto, Pernambuco ficou na frente, com 13.428 vagas.
Na velocidade proporcional mensal, a Paraíba ganhou destaque nacional, com crescimento de 1,59%.
E, quando o foco vai para o crescimento proporcional acumulado, o Piauí aparece entre os melhores resultados do país, com alta de 4,27%.
Portanto, os dados do Novo Caged mostram um mercado de trabalho nordestino bastante heterogêneo. Bahia concentra o maior volume acumulado, Pernambuco acelerou em agosto, Paraíba ganhou força proporcionalmente e estados como Piauí também apresentam expansão acima da média brasileira.
Afinal, mais do que apontar um único vencedor, o ranking mostra onde estão surgindo os empregos e quais setores estão movimentando cada economia do Nordeste em 2026.


