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Nordeste cresce acima do Brasil; veja o que acontece em cada estado

Economia do Nordeste cresceu 2,5% nos 12 meses até julho, empatou com o Sul e superou o Brasil. Veja Pernambuco, RN, Ceará e outros estados.
Eliseu Lins, da Agência NE9
8 de outubro de 2026 - às 05:42
Atualizado 8 de outubro de 2026 - às 05:42
9 min de leitura

Região avançou 2,5% nos 12 meses até julho, empatou com o Sul e ficou um ponto acima da média brasileira; Pernambuco teve o melhor desempenho entre os estados analisados

A economia do Nordeste cresceu 2,5% nos 12 meses encerrados em julho de 2026, segundo levantamento do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), do Banco do Nordeste. O resultado colocou a região empatada com o Sul na liderança entre as grandes regiões brasileiras e deixou o Nordeste um ponto percentual acima da média nacional, de 1,5%.

Entretanto, os números contam uma história mais complexa. Embora a economia nordestina continue crescendo acima do Brasil, o ritmo perdeu força ao longo de 2026. A taxa anualizada chegou a 3% em abril e recuou para 2,5% em julho.

Além disso, os resultados variam bastante entre os estados e os setores. Pernambuco aparece como principal destaque no recorte do Etene, enquanto o Rio Grande do Norte mostra uma trajetória consistente de recuperação e o Ceará mantém crescimento acima da média brasileira.

Nordeste empata com o Sul na liderança

PIB
O PIB é um indicador econômico que mede a soma de todos os bens e serviços finais produzidos em uma área geográfica.

O levantamento do Etene utiliza o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC) para acompanhar a evolução da economia em uma janela de 12 meses.

Nesse recorte, o Nordeste registrou 2,5% de crescimento até julho, exatamente o mesmo resultado do Sul.

RegiãoCrescimento em 12 meses até julho de 2026
Nordeste2,5%
Sul2,5%
Sudeste1,7%
Norte1,5%
Brasil1,5%

Portanto, o dado mais preciso não é dizer que o Nordeste liderou sozinho. A região empatou com o Sul na maior taxa entre as grandes regiões.

Mesmo assim, o resultado chama atenção porque o Nordeste cresceu 1 ponto percentual acima da média brasileira.

Pernambuco é o principal destaque entre os estados analisados

Dentro do recorte estadual apresentado pelo Etene, Pernambuco teve o maior crescimento, com alta de 3,6% nos 12 meses até julho.

O resultado representa mais que o dobro da expansão nacional, de 1,5%.

Na sequência aparecem Rio Grande do Norte, Ceará, Maranhão e Bahia.

EstadoCrescimento em 12 meses até julho de 2026
Pernambuco3,6%
Rio Grande do Norte2,1%
Ceará1,7%
Maranhão1,6%
Bahia1,4%
Brasil1,5%

O Etene destaca que Pernambuco continua como o principal destaque regional, enquanto o Rio Grande do Norte apresenta a trajetória mais consistente de recuperação. O Ceará, por sua vez, mantém crescimento gradual em patamar superior ao brasileiro.

Um cuidado importante com o ranking

O levantamento do Etene não apresenta uma comparação homogênea dos nove estados nordestinos nesse indicador. O estudo trabalha com os estados para os quais o indicador de atividade utilizado está disponível.

Por isso, não é correto preencher os quatro estados restantes com dados de outras fontes e apresentar tudo como se fosse um único ranking metodológico.

Essa diferença é importante para interpretar os números corretamente.

O Nordeste está crescendo, mas perdeu velocidade

O dado talvez mais interessante do estudo aparece quando se observa a trajetória ao longo do ano.

Em abril, a taxa anualizada do Nordeste chegou a 3%. Três meses depois, em julho, caiu para 2,5%.

Ou seja, a região continua acima da média nacional, mas perdeu 0,5 ponto percentual de dinamismo em apenas três meses.

Esse movimento muda a leitura da economia regional.

Não se trata simplesmente de uma região acelerando. Na verdade, o Nordeste mantém uma expansão relativamente forte enquanto enfrenta uma desaceleração gradual.

Indústria ajuda a explicar a perda de ritmo

O desempenho da indústria aparece como um dos principais pontos de atenção.

Nos cinco estados nordestinos com dados industriais analisados pelo Etene, quatro apresentaram queda no acumulado de 12 meses até julho.

EstadoIndústria — 12 meses até julho
Rio Grande do Norte-8,1%
Maranhão-6,0%
Bahia-2,9%
Ceará-2,1%
Pernambucocrescimento

No conjunto desses cinco estados, a atividade industrial registrou taxa de 0,1%.

Assim, enquanto outros segmentos sustentam a economia regional, a indústria apresenta um comportamento mais fraco em boa parte dos estados analisados.

Serviços também mostram diferenças entre os estados

Os serviços, por sua vez, continuam importantes para a atividade econômica, mas também apresentam resultados bastante diferentes.

Nos estados com dados disponíveis no estudo, os resultados foram:

EstadoServiços — 12 meses até julho
Bahia+0,7%
Pernambuco+0,2%
Maranhão-0,7%
Ceará-1,5%
Alagoas-2,7%

Portanto, o comportamento dos serviços também ajuda a explicar por que o ritmo regional perdeu força durante 2026.

Pernambuco combina indústria e serviços

Pernambuco merece atenção especial porque aparece em diferentes recortes do levantamento.

No primeiro semestre de 2026, uma estimativa da FGV IBRE aponta que o estado respondeu por quase 40% do crescimento do PIB nordestino.

Além disso, o estudo estima que a indústria pernambucana cresceu 7,9% no primeiro semestre, impulsionada principalmente pela indústria de transformação.

Nesse caso, a produção de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis teve papel importante. A análise também relaciona o resultado ao Complexo Industrial Portuário de Suape e à retomada das operações da Refinaria Abreu e Lima.

Entretanto, existe uma ressalva importante: a própria FGV observa que a comparação também sofreu influência da base baixa de 2025, quando a refinaria passou por uma parada pontual. Portanto, o crescimento expressivo precisa ser interpretado dentro desse contexto.

Rio Grande do Norte mostra recuperação consistente

O Rio Grande do Norte aparece com 2,1% de crescimento nos 12 meses até julho.

O número coloca o estado acima da média brasileira de 1,5%. Mais importante, porém, o Etene classifica o RN como o estado que apresentou a trajetória mais consistente de recuperação entre os estados nordestinos analisados.

O dado ganha importância porque a indústria potiguar ainda enfrenta dificuldades. O setor industrial acumulou queda de 8,1% no período analisado.

Isso mostra que a recuperação econômica do estado não depende exclusivamente da indústria.

Ceará mantém crescimento acima do Brasil

O Ceará registrou 1,7% nos 12 meses até julho.

A taxa supera ligeiramente os 1,5% registrados pelo Brasil.

Segundo o Etene, o estado apresenta uma trajetória de crescimento gradual e estabilização em um patamar superior ao nacional.

Ao mesmo tempo, a indústria cearense acumulou queda de 2,1%, enquanto os serviços recuaram 1,5% no mesmo recorte.

Portanto, o desempenho geral do estado também esconde diferenças importantes entre os setores.

Maranhão e Bahia seguem histórias diferentes

O Maranhão apresentou crescimento de 1,6%, ligeiramente acima da média brasileira.

Já a Bahia registrou 1,4%, ficando um décimo abaixo do resultado nacional.

O Etene aponta que os dois estados perderam dinamismo ao longo do período analisado. Na indústria, a diferença fica ainda mais evidente: o Maranhão acumulou queda de 6%, enquanto a Bahia recuou 2,9%.

FGV mostra outra fotografia do Nordeste

Outro estudo recente ajuda a ampliar a análise.

A FGV IBRE estimou que o PIB do Nordeste cresceu 2,2% no segundo trimestre de 2026, acima dos 2% registrados pelo Brasil no mesmo período.

A vantagem regional, portanto, aparece também em uma metodologia diferente da utilizada pelo Etene. Porém, os períodos não são iguais: o BNB analisa os 12 meses encerrados em julho, enquanto a FGV observa a comparação entre o segundo trimestre de 2026 e o mesmo trimestre de 2025.

Essa diferença de metodologia é importante porque evita comparar números como se medissem exatamente a mesma coisa.

Piauí e Alagoas tiveram os maiores avanços no segundo trimestre

Na estimativa da FGV para o segundo trimestre de 2026, Piauí e Alagoas cresceram 4,1%, liderando entre os estados nordestinos naquele recorte.

A Paraíba apareceu logo depois, com 3,8%, enquanto a Bahia registrou 2,7%.

EstadoPIB — 2º trimestre de 2026
Piauí4,1%
Alagoas4,1%
Paraíba3,8%
Bahia2,7%
Nordeste2,2%
Brasil2,0%

A FGV atribui papel importante à agropecuária no desempenho de Piauí, Paraíba e Bahia. Em Alagoas, os serviços tiveram uma contribuição maior que a agropecuária.

Agronegocio no Maranhão

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Piauí ganha espaço na economia nordestina

A análise da FGV também ajuda a explicar uma transformação de longo prazo.

Entre 2002 e 2023, o Piauí teve crescimento médio anual do PIB de 3,6%, uma das dez maiores taxas entre as 27 unidades da Federação.

O Maranhão também apareceu entre os destaques, com crescimento médio anual de 3,4%.

Segundo a FGV, a expansão da produção de soja ajudou a impulsionar a agropecuária piauiense. Entre 2016 e 2023, o valor produzido pela cultura aumentou mais de dez vezes no estado.

Essa transformação também contribui para uma mudança na distribuição da atividade econômica dentro do próprio Nordeste.

O que os números dizem sobre a economia nordestina?

Os dois estudos chegam a uma conclusão semelhante, apesar de utilizarem períodos e metodologias diferentes:

o Nordeste cresce acima do Brasil, mas o desempenho não acontece de maneira uniforme.

De um lado, Pernambuco aparece com forte contribuição para a atividade regional. O Rio Grande do Norte mostra recuperação consistente. Ceará mantém crescimento acima da média nacional. Já Piauí e Alagoas ganharam destaque no segundo trimestre pela expansão estimada pela FGV.

Por outro lado, a indústria perdeu força em vários estados e o próprio Etene identificou desaceleração da economia nordestina desde abril.

O Nordeste cresce, mas a história não é igual em todos os estados

O dado mais importante, portanto, não é apenas o 2,5%.

É entender o que está por trás dele.

O Nordeste empatou com o Sul na maior taxa regional de atividade econômica nos 12 meses até julho, ficou acima da média brasileira e, ao mesmo tempo, perdeu ritmo durante 2026.

Pernambuco puxa parte importante desse desempenho, enquanto outros estados encontram motores diferentes em serviços, indústria e agropecuária.

E os dados da FGV reforçam justamente essa característica: Piauí, Alagoas e Paraíba aparecem com força quando o recorte muda para o segundo trimestre.

Assim, a economia nordestina apresenta uma fotografia de crescimento, mas também de transformação. Os estados avançam em velocidades diferentes e cada vez mais dependem de combinações próprias de agropecuária, indústria, serviços, energia, infraestrutura e investimentos.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.