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Lula defende equilíbrio das contas públicas e prepara agenda fiscal para 2027

Presidente cobra previsibilidade econômica e responsabilidade fiscal; ministro Dario Durigan discutirá propostas de ajuste após a viagem à COP31, em novembro. O Governo Federal prepara uma nova agenda econômica para 2027, com foco no equilíbrio ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
6 de novembro de 2026 - às 06:09
Atualizado 6 de novembro de 2026 - às 06:09
6 min de leitura

Presidente cobra previsibilidade econômica e responsabilidade fiscal; ministro Dario Durigan discutirá propostas de ajuste após a viagem à COP31, em novembro.

O Governo Federal prepara uma nova agenda econômica para 2027, com foco no equilíbrio das contas públicas, na atração de investimentos e na manutenção dos compromissos sociais. O presidente Lula defendeu uma economia previsível para conquistar a confiança de investidores, enquanto o ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou que apresentará propostas fiscais após o retorno do presidente de uma viagem internacional.

A princíipio, as duas sinalizações ocorreram nesta quinta-feira (5), em Brasília, em meio às discussões sobre os desafios econômicos do próximo mandato presidencial, que começa em janeiro de 2027.

Durante reunião do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, Lula afirmou que o Brasil precisa manter responsabilidade jurídica e fiscal para atrair capital nacional e estrangeiro.

“Para a gente atrair [investidores], temos que ter uma economia arrumada. Ninguém vai fazer investimento numa economia desordenada. As pessoas querem saber se nós estamos falando sério”, declarou o presidente.

A fala reforça a importância que o governo pretende dar à previsibilidade econômica e ao equilíbrio das contas públicas como condições para ampliar investimentos no país.

Durigan apresentará propostas fiscais após a COP31

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que discutirá com Lula as medidas para a agenda fiscal depois do retorno do presidente da viagem internacional, prevista para terminar em 15 de novembro.

Lula participará da 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), na Turquia, além de compromissos nas Filipinas.

Até lá, Durigan e o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, trabalharão na elaboração de propostas com base nas discussões realizadas com economistas e integrantes do governo.

O ministro, no entanto, ressaltou que a reunião desta quinta-feira não definiu medidas específicas de ajuste fiscal.

“Não há fórmula mágica, mas manutenção dos compromissos fiscais”, afirmou.

Além disso, Durigan também explicou que o governo pretende conciliar a responsabilidade fiscal com os compromissos sociais assumidos por Lula.

Durigan foto divulgação

Dívida pública e juros estão entre os desafios econômicos

As discussões sobre a agenda fiscal ocorrem em um cenário de pressão sobre as contas públicas e de juros elevados.

Dados do Banco Central citados pela Agência Brasil mostram que a dívida bruta do governo geral chegou a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em setembro de 2026, o equivalente a aproximadamente R$ 11,1 trilhões.

Em dezembro de 2022, antes do início do terceiro mandato de Lula, o indicador estava em 71,7% do PIB.

Além da dívida pública, o governo identifica a taxa de juros e o cenário internacional entre os principais desafios econômicos para os próximos anos.

Na quarta-feira (4), o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano, interrompendo uma sequência de cinco cortes consecutivos, conforme os dados publicados pela Agência Brasil.

O que o governo pretende discutir para 2027?

A agenda em elaboração deverá estabelecer prioridades para diferentes setores da economia e definir medidas para melhorar o resultado fiscal nos próximos anos.

Entre os pontos apresentados pelo ministro estão:

  • Equilíbrio fiscal: manutenção dos compromissos com as metas das contas públicas.
  • Controle da dívida: busca por melhores resultados fiscais diante do avanço do endividamento público.
  • Desenvolvimento econômico: definição de prioridades para diferentes setores produtivos.
  • Investimentos: criação de condições econômicas e jurídicas para atrair capital.
  • Políticas sociais: preservação dos compromissos assumidos pelo presidente.

Durigan afirmou que pretende estabelecer uma agenda de desenvolvimento e buscar superávits nos próximos anos. Entretanto, o governo ainda precisa transformar essas diretrizes em propostas concretas e submetê-las à avaliação presidencial.

Lula também defende parcerias para explorar minerais estratégicos

A defesa de uma economia organizada ocorreu durante reunião do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos.

Na ocasião, Lula afirmou que o Brasil não pretende concentrar exclusivamente no Estado a exploração, a transformação e a industrialização desses recursos.

Em vez disso, o presidente defendeu parcerias com outros países interessados em participar do desenvolvimento da cadeia produtiva de minerais estratégicos.

A proposta busca atrair capital e conhecimento para ampliar a exploração e o processamento desses recursos no território brasileiro.

Com isso, o tema ganha importância diante da demanda internacional por minerais utilizados em tecnologias, equipamentos eletrônicos, baterias e diferentes segmentos industriais.

Governo deve ampliar diálogo com empresários e mercado financeiro

A reunião no Palácio da Alvorada também reuniu ministros, ex-ministros e economistas para avaliar a situação econômica do país.

Participaram do encontro o vice-presidente Geraldo Alckmin, Dario Durigan, Bruno Moretti, Miriam Belchior, Esther Dweck e Aloizio Mercadante, além dos ex-ministros Fernando Haddad e Guido Mantega e dos economistas Luciano Coutinho, Eduardo Moreira e Laura Carvalho.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, recebeu convite, mas não participou devido ao período de silêncio do Copom.

Segundo Durigan, o governo pretende promover novas rodadas de conversas com representantes da sociedade civil, empresários e integrantes do mercado financeiro. A intenção é ampliar o diálogo antes de definir as prioridades econômicas do próximo mandato.

reunião de economia foto Julio Cesar

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Próximos passos da agenda econômica

O retorno de Lula da viagem internacional, previsto para 15 de novembro, deverá marcar uma nova etapa das discussões fiscais. Durigan e Bruno Moretti apresentarão as propostas ao presidente, que avaliará os caminhos para a política econômica de 2027.

Afinal, até o momento, o governo não anunciou um pacote específico de cortes de despesas ou novas medidas de arrecadação.

Portanto, o desafio será conciliar três objetivos: melhorar as contas públicas, criar condições para atrair investimentos e manter os compromissos sociais. A forma como o governo conduzirá essa combinação deverá influenciar o ambiente econômico brasileiro no início do próximo mandato.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.