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Nordeste terá hidrovia de 1.371 km ligando três estados

O Nordeste poderá ganhar um novo impulso na infraestrutura de transporte de cargas com a recuperação e modernização da hidrovia do Rio São Francisco. A princípio, o projeto prevê R$ 300 milhões em investimentos federais ...
REDAÇÃO ELISEU, da Agência NE9
5 de novembro de 2026 - às 10:47
Atualizado 5 de novembro de 2026 - às 10:47
5 min de leitura

O Nordeste poderá ganhar um novo impulso na infraestrutura de transporte de cargas com a recuperação e modernização da hidrovia do Rio São Francisco. A princípio, o projeto prevê R$ 300 milhões em investimentos federais ao longo dos próximos nove anos para melhorar as condições de navegação em um trecho de 1.371 quilômetros que conecta os municípios de Pirapora, em Minas Gerais, e Petrolina, em Pernambuco, passando pela Bahia.

O acordo ocorreu nesta quarta-feira (4), em Brasília, entre o Ministério de Portos e Aeroportos e o governo da Bahia. Com a parceria, a Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba) assumirá a gestão da hidrovia por 25 anos. Dessa forma, substitui o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) nas atribuições relacionadas à administração da via navegável.

A princípio, a expectativa é que as primeiras obras comecem no segundo semestre de 2027. Assim, a iniciativa pretende ampliar a segurança da navegação, facilitar o transporte fluvial e criar condições para retomar a circulação comercial de cargas pelo Velho Chico.

Hidrovia do São Francisco vai conectar três estados

Com 1.371 quilômetros de extensão, a hidrovia atravessa áreas de Minas Gerais, Bahia e Pernambuco. O trajeto liga Pirapora, no território mineiro, a Petrolina, no Sertão pernambucano, passando por importantes regiões produtoras.

O projeto também contempla a Eclusa de Sobradinho e instalações portuárias públicas de pequeno porte. Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, aproximadamente 11,5 milhões de pessoas poderão ser beneficiadas pela iniciativa.

Ao mesmo tempo, a recuperação da estrutura hidroviária poderá ampliar as alternativas de transporte para produtos agrícolas e minerais, reduzindo a dependência exclusiva das rodovias em parte do escoamento da produção regional.

Confira os principais números do projeto

InformaçãoDetalhes
HidroviaRio São Francisco
Extensão1.371 quilômetros
Investimento previstoR$ 300 milhões
Origem dos recursosGoverno federal
Prazo de aplicaçãoNove anos
Gestão da hidroviaCodeba
Duração da gestão25 anos
Estados conectadosMinas Gerais, Bahia e Pernambuco
TrechoPirapora (MG) a Petrolina (PE)
População beneficiada estimada11,5 milhões de pessoas
Previsão para início das obrasSegundo semestre de 2027

Codeba assumirá administração da hidrovia por 25 anos

Com o novo acordo, a Codeba ficará responsável por atividades que envolvem a administração, operação, manutenção, conservação e restauração da hidrovia.

A companhia também deverá conduzir estudos de dragagem e avaliar outras intervenções necessárias para melhorar a navegabilidade do Rio São Francisco.

Afinal, a transferência das atribuições busca estabelecer uma gestão de longo prazo para a estrutura, permitindo planejar obras e ações voltadas à recuperação da via fluvial.

Petrolina e Juazeiro são separadas pelo Rio São Francisco. Foto: Eliseu Lins
A hidrovia vai até Petrolina pelo Rio São Francisco. Foto: Eliseu Lins

Transporte de grãos, frutas e algodão está entre os objetivos

Um dos principais objetivos do projeto é ampliar o transporte de cargas produzidas no interior do Nordeste. Entre os produtos que poderão utilizar a hidrovia estão frutas, grãos, algodão e minério.

O oeste baiano, por exemplo, possui uma produção agrícola relevante e depende das rodovias para transportar parte de suas mercadorias. Com a melhoria das condições de navegação, o Rio São Francisco poderá funcionar como uma alternativa logística para conectar regiões produtoras a outros mercados.

A expectativa é que a retomada da navegação comercial contribua para diversificar os meios de transporte, ampliar a capacidade de escoamento e criar novas possibilidades para a economia regional.

Bahia quer integrar hidrovia a rodovias, ferrovias e portos

Durante a assinatura do acordo, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, destacou a importância de conectar a hidrovia aos demais modais de transporte existentes no estado.

Segundo o governador, a previsão é iniciar as intervenções no segundo semestre de 2027. Ele também afirmou que o governo baiano poderá destinar recursos próprios para contribuir com as obras.

A proposta é integrar o transporte fluvial às rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, ampliando as alternativas logísticas para produtores e empresas.

Aeroporto de Ilhéus também entra na pauta

Além do projeto da hidrovia, a reunião entre o governador Jerônimo Rodrigues e o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, tratou de melhorias no Aeroporto Jorge Amado, em Ilhéus, no sul da Bahia.

Entre as intervenções discutidas está a implantação de um sistema de desaceleração de aeronaves, conhecido como EMAS, na cabeceira 29 da pista. A tecnologia tem como finalidade ampliar a segurança operacional do terminal.

Projeto pode ampliar a logística e o desenvolvimento regional

Em suma, a modernização da hidrovia do São Francisco representa uma iniciativa de infraestrutura que envolve três estados e diferentes setores da economia. Dessa forma, com investimentos previstos de R$ 300 milhões e gestão da Codeba por 25 anos, o projeto busca recuperar as condições de navegação e estimular o transporte comercial pelo rio.

Afinal, caso as intervenções avancem conforme o cronograma anunciado, a hidrovia poderá se tornar uma alternativa para o transporte de produtos agrícolas e minerais, contribuindo para a integração logística entre Minas Gerais, Bahia e Pernambuco.

Portanto, a previsão de início das obras no segundo semestre de 2027 marca a próxima etapa de um projeto que pretende aproveitar o potencial econômico do Rio São Francisco. Desse modo, ampliar as opções de transporte de cargas no Nordeste.