O Championship Tour da WSL volta em outubro para a reta decisiva da temporada, e Ítalo Ferreira ainda está na briga pelo segundo título mundial da carreira.
O potiguar chega à parte final do circuito na terceira posição do ranking, com 39.930 pontos, atrás do brasileiro Yago Dora, líder com 42.780, e do italiano Leonardo Fioravanti, segundo com 40.015.
A princípio, a diferença para a liderança, portanto, é de 2.850 pontos. Agora, porém, cada resultado terá peso enorme.
Depois de Trestles, restam três etapas no calendário de 2026: MEO Rip Curl Pro Portugal, nas ondas de Supertubos; Philippines Pro, em Cloud 9; e o Lexus Pipe Masters, no Havaí. As duas primeiras distribuem até 10 mil pontos ao campeão, enquanto Pipeline terá uma pontuação máxima de 15 mil pontos.
Ítalo pode chegar a 64.930 pontos
A primeira conta ajuda a entender o tamanho da oportunidade.
Como o ranking final considera os nove melhores resultados entre as 12 etapas, Ítalo poderá acrescentar ao seu total atual apenas os dois melhores resultados entre Portugal, Filipinas e Pipeline.
Assim, mesmo que ele consiga vencer as três etapas, somente os dois maiores resultados entram na soma final.
Como Pipeline vale 15 mil pontos e as outras duas provas distribuem 10 mil, o máximo que Ítalo pode acrescentar ao ranking é:
15.000 + 10.000 = 25.000 pontos.
Com isso, o potiguar chegaria a:
39.930 + 25.000 = 64.930 pontos
Portanto, 64.930 é o teto matemático de Ítalo Ferreira no ranking final de 2026.
E aqui está o detalhe importante: ele não precisa necessariamente vencer Portugal e Filipinas. Se vencer uma das etapas de 10 mil pontos e depois conquistar Pipeline, também chegará aos mesmos 64.930.
O que Ítalo precisa fazer?

Não existe uma única combinação obrigatória, porque o título depende também dos resultados de Yago Dora e Leonardo Fioravanti.
Porém, a matemática mostra que Ítalo precisa colocar pelo menos dois resultados muito fortes entre as três etapas restantes.
Veja alguns cenários:
| Resultado considerado entre as 3 etapas | Pontos acrescentados | Total de Ítalo |
|---|---|---|
| Vitória + vitória | +20.000 | 59.930 |
| Vitória + vice | +17.800 | 57.730 |
| Vitória + semifinal | +16.085 | 56.015 |
| Vitória + Pipe campeão | +25.000 | 64.930 |
| Vice + Pipe campeão | +22.800 | 62.730 |
| Semifinal + Pipe campeão | +21.085 | 61.015 |
| Quartas + Pipe campeão | +19.745 | 59.675 |
A tabela considera os valores de pontuação divulgados para as etapas de 10 mil pontos e para o Pipe Masters de 15 mil.
Por isso, o caminho mais forte para Ítalo passa por chegar muito longe em Portugal ou nas Filipinas e fazer uma grande campanha em Pipeline.
E o que Yago Dora precisa fazer para impedir a virada?

Aqui está a parte mais interessante da conta. Yago começa a reta final com 42.780 pontos.
Se o líder também conseguir seus dois melhores resultados possíveis entre as três etapas restantes, ele poderá chegar a:
42.780 + 25.000 = 67.780 pontos.
Esse número fica acima do teto de Ítalo, que é 64.930.
Portanto, Ítalo não controla sozinho a disputa pelo título.
Mesmo com uma combinação perfeita de resultados, ele precisa que os concorrentes diretos deixem pontos pelo caminho.
Se Ítalo chegar ao teto de 64.930, Yago precisará somar menos de 22.150 pontos nas duas melhores performances restantes para que o potiguar termine à frente.
Em outras palavras:
Se Ítalo fizer o máximo possível, Yago não pode acrescentar 22.150 pontos ou mais.
Caso Yago some exatamente 22.150, os dois terminariam empatados em 64.930 e seria necessário aplicar os critérios de desempate previstos pela WSL.
Fioravanti também está no caminho
Leonardo Fioravanti começa a reta final com 40.015 pontos, apenas 85 atrás de Ítalo.
O italiano também pode chegar a:
40.015 + 25.000 = 65.015 pontos.
Ou seja, mesmo que Ítalo faça a campanha máxima, Fioravanti ainda pode terminar à frente por 85 pontos se também conseguir os dois maiores resultados possíveis.
A disputa, portanto, não envolve apenas Ítalo e Yago.
Leonardo está praticamente colado no potiguar e também terá papel importante na definição do título.
Ranking masculino antes da volta do CT
Após Trestles, o topo da classificação ficou assim:
| Posição | Surfista | País | Pontos |
|---|---|---|---|
| 1º | Yago Dora | Brasil | 42.780 |
| 2º | Leonardo Fioravanti | Itália | 40.015 |
| 3º | Ítalo Ferreira | Brasil | 39.930 |
| 4º | Miguel Pupo | Brasil | 39.450 |
| 5º | Gabriel Medina | Brasil | 35.410 |
| 6º | Griffin Colapinto | EUA | 33.695 |
| 7º | Kanoa Igarashi | Japão | 31.910 |
| 8º | Ethan Ewing | Austrália | 30.895 |
Miguel Pupo chegou ao quarto lugar depois de vencer Kanoa Igarashi na final de Trestles por 14,77 a 14,40.
O que aconteceu com Ítalo depois de Trestles?
Ítalo chegou à etapa californiana como um dos principais nomes da disputa, mas não conseguiu acompanhar a pontuação dos adversários que avançaram mais no evento.
Além disso, o cancelamento da etapa de Abu Dhabi alterou a composição do ranking.
A WSL antecipou a aplicação dos descartes e retirou 3.320 pontos do total de Ítalo, enquanto Fioravanti perdeu 1.000. Com isso, o italiano assumiu a liderança antes de Trestles.
Depois da etapa californiana, Yago Dora terminou na liderança, seguido por Fioravanti e Ítalo.
Portugal será a primeira oportunidade de reação
A próxima etapa será o MEO Rip Curl Pro Portugal, em Supertubos, Peniche.
A competição acontece entre 16 e 25 de outubro.
Para Ítalo, a etapa representa a primeira oportunidade de diminuir a diferença para os líderes.
O campeão recebe 10 mil pontos, enquanto o vice fica com 7.800 e os semifinalistas recebem 6.085.
Próximas etapas
| Etapa | Local | Data | Pontuação máxima |
|---|---|---|---|
| MEO Rip Curl Pro Portugal | Supertubos, Peniche | 16 a 25/10 | 10.000 |
| Philippines Pro | Cloud 9, Siargao | 31/10 a 10/11 | 10.000 |
| Lexus Pipe Masters | Oahu, Havaí | 8 a 20/12 | 15.000 |
A etapa de Abu Dhabi foi retirada do calendário, e o circuito passou a ter 12 eventos em 2026.
Pipeline vale 50% a mais
A última etapa será diferente.
O Lexus Pipe Masters, no Havaí, distribuirá 15 mil pontos ao campeão, 50% a mais que uma etapa regular.
Além disso, os oito primeiros colocados que chegarem a Pipeline terão uma posição privilegiada no chaveamento.
Isso torna dezembro especialmente importante.
Um surfista que chegar ao Havaí próximo da liderança poderá ganhar até 15 mil pontos em uma única competição.
Por outro lado, um atleta que chegar atrás ainda terá espaço matemático para recuperar terreno.
E tem uma novidade: os surfistas cortados voltam em Pipeline
O formato de 2026 criou uma situação inédita na temporada.
Depois das nove primeiras etapas, apenas os 22 melhores homens e 14 melhores mulheres, além dos wildcards previstos, avançam para Portugal e Filipinas.
Entretanto, todos os atletas que começaram o Championship Tour retornam para disputar o Pipe Masters.
Isso muda bastante a importância da última etapa.
Um surfista que ficou fora da pós-temporada ainda poderá disputar uma prova de 15 mil pontos em dezembro.
Além disso, o resultado de Pipeline entra no ranking final e pode influenciar diretamente a classificação para o CT de 2027. Os nove melhores resultados entre as 12 etapas formam a classificação final.
O corte não significa o fim da temporada
Essa é uma das principais diferenças do novo formato da WSL.
Nas duas etapas da pós-temporada, Portugal e Filipinas, o campo masculino cai para 22 atletas classificados, mais os wildcards previstos.
No entanto, Pipeline reúne novamente o grupo completo.
Assim, um surfista eliminado do pós-temporada ainda pode voltar ao circuito em dezembro e buscar uma pontuação importante.
Isso cria uma segunda disputa paralela:
título mundial de 2026 + classificação para o CT de 2027.
O único nordestino na briga pelo título
Ítalo Ferreira nasceu em Baía Formosa, no Rio Grande do Norte, e conquistou seu primeiro título mundial em 2019.
Agora, o potiguar tenta repetir a conquista em um formato completamente diferente.
Em 2026, a WSL abandonou o modelo de decisão em uma final entre os cinco primeiros e passou a definir o campeão pela pontuação acumulada ao longo da temporada, com o Pipe Masters como última etapa.
Assim, o surfista nordestino chega a outubro com uma missão matemática clara: precisa produzir resultados muito fortes e, ao mesmo tempo, acompanhar o desempenho de Yago Dora e Leonardo Fioravanti.

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Afinal, Ítalo Ferreira ainda pode ser campeão?
Sim.
A matemática ainda permite o segundo título mundial do potiguar.
O cenário máximo coloca Ítalo em 64.930 pontos.
Entretanto, ele não depende apenas dos próprios resultados. Yago Dora pode chegar a 67.780 e Leonardo Fioravanti a 65.015 caso ambos consigam os dois melhores resultados possíveis entre as três etapas restantes.
Portanto, Ítalo precisa combinar grandes resultados com tropeços dos adversários diretos.
O cenário mais simples para manter a disputa totalmente aberta passa por chegar ao pódio nas etapas de Portugal ou Filipinas e, principalmente, fazer uma campanha de alto nível no Pipe Masters.
A conta começa em Supertubos.
Depois, passa por Cloud 9.
E termina nas ondas de Pipeline, onde 15 mil pontos estarão em jogo e o campeão mundial de 2026 será conhecido.
Para o Nordeste, a reta final tem um personagem especial: Ítalo Ferreira, de Baía Formosa, ainda pode colocar novamente o Rio Grande do Norte no topo do surfe mundial.


