O futebol nordestino nunca esteve tão presente e tão forte no ambiente digital. De acordo com um comparativo de 10 anos do ranking digital em seguidores com 50 clubes brasileiros, divulgado pelo Ibope/Repucom, um recorde dos times da região, com destaque absoluto para o Fortaleza.
Ao mesmo tempo, cinco clubes nordestinos aparecem entre os 19 primeiros colocados do ranking digital nacional: Bahia (14º), Sport (15º), Vitória (16º), Fortaleza (17º) e Ceará (19º). Antes de mais nada, quatro deles estão em posições consecutivas, o que evidencia a força coletiva da região no cenário digital.
A princípio, o cenário era bem diferente em 2016. Naquele ano, apenas quatro clubes nordestinos figuravam no top 20, e o Fortaleza estava fora dele. Uma década depois, o Leão não só entrou no seleto grupo como protagonizou um dos maiores saltos de todo o levantamento.
O salto do Leão: 449% em dez anos
O crescimento do Fortaleza nas redes sociais é o dado mais impressionante do estudo. O clube registrou alta de 449% no número de seguidores em dez anos — o terceiro maior salto de todo o ranking entre os 50 clubes analisados.
Só no Instagram, o Leão saiu de 87.966 para 1.701.126 seguidores, um crescimento exponencial que acompanha o bom momento esportivo do clube. A ascensão coincide com a sequência do Fortaleza na Série A do Campeonato Brasileiro, com direito a três participações na Libertadores — fator decisivo para a exposição nacional e internacional da marca.

Passou o rival Ceará no ranking digital
Em resumo, um dos capítulos mais simbólicos dessa década foi a virada sobre o rival estadual. Em 2016, o Ceará estava na frente do Fortaleza: 940.464 contra 775.113 seguidores — cerca de 165 mil a mais para o Vozão.
Dez anos depois, a história se inverteu. Dessa forma, o Leão chegou a 4.252.989 seguidores, contra 3.816.769 do Ceará, uma vantagem de 436.220 seguidores em 2026. Ao mesmo tempo, o Vozão também cresceu de forma expressiva: 306% no período, o segundo maior salto entre os nordestinos.
Bahia supera o Sport e lidera no Nordeste
Contudo, o grande destaque em crescimento percentual é o Bahia. Desse modo, o time baiano consolida a liderança regional em números absolutos. Assim, o Tricolor de Aço, que era o 14º do país em 2016, manteve a posição e chegou a 5,63 milhões de seguidores, ultrapassando o Sport, que caiu do 12º para o 15º lugar, com 5,38 milhões.
Em suma, a diferença entre os dois é de 252.995 seguidores, pouco menos de 5% — uma disputa acirrada que deve se intensificar nos próximos anos.
Ranking dos clubes nordestinos: 2016 vs. 2026
| Clube | Seguidores em 2016 | Seguidores em 2026 | Crescimento | Posição nacional em 2026 |
|---|---|---|---|---|
| Bahia | 2.207.247 | 5.628.597 | +155% | 14º |
| Sport | 2.369.228 | 5.375.602 | +127% | 15º |
| Vitória | 1.328.006 | 4.411.469 | +232% | 16º |
| Fortaleza | 775.113 | 4.252.989 | +449% | 17º |
| Ceará | 940.464 | 3.816.769 | +306% | 19º |
Fonte: Ibope/Repucom — comparativo de 10 anos do ranking digital em seguidores com 50 clubes brasileiros.
O que explica esse crescimento
Em suma, o avanço dos clubes nordestinos nas redes sociais não é obra do acaso. Ele combina três fatores principais:
1. Desempenho esportivo — A presença constante do Fortaleza na Série A e na Libertadores, assim como as campanhas consistentes de Bahia, Sport, Vitória e Ceará, ampliou a exposição nacional dessas marcas.
2. Profissionalização do digital — Os clubes da região investiram pesado em conteúdo, gestão de comunidade e marketing digital, acompanhando uma tendência nacional.
3. Identidade regional — Assim, o torcedor nordestino, historicamente apaixonado, encontrou nas redes sociais um espaço de pertencimento e mobilização, ampliando o alcance dos clubes para além das fronteiras estaduais.
O que esperar para os próximos anos
Assim, se o ritmo de crescimento se mantiver, é provável que o Nordeste ganhe ainda mais espaço no ranking nacional. O Fortaleza, com o maior salto percentual entre os nordestinos, tem potencial para ultrapassar o Vitória em números absolutos nos próximos anos. Já a disputa entre Bahia e Sport pela liderança regional segue aberta — e acirrada.
Mais do que números, o levantamento do Ibope/Repucom confirma uma tendência que o torcedor já percebia nas arquibancadas e nas telas: o futebol nordestino deixou de ser coadjuvante também no ambiente digital.

