O Rio Grande do Norte está prestes a entrar em um dos mercados mais milionários e estratégicos do agronegócio brasileiro: a exportação de gado vivo para países do Oriente Médio e Norte da África.
Entre os dias 24 e 25 de junho, o Porto de Natal realizará um embarque-teste de 3.300 cabeças de gado com destino ao Líbano, numa operação inédita para um porto nordestino.
A princípio, a movimentação pode parecer apenas mais uma exportação portuária, mas representa uma mudança importante para a economia potiguar. Caso a operação seja aprovada definitivamente pelo Ministério da Agricultura, o estado passa a disputar um setor que movimenta cerca de R$ 9 bilhões por ano no Brasil e que hoje é dominado principalmente pelo Pará.
Receitas de R$ 1 bilhão anuais

A expectativa do governo estadual é ambiciosa. Segundo a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Pesca, o RN poderá captar até 10% desse mercado nacional nos próximos anos, gerando impacto econômico estimado em até R$ 1 bilhão anuais.
O crescimento da exportação de gado vivo virou uma das grandes frentes do agronegócio brasileiro nos últimos anos. A projeção para 2025 é ainda maior, podendo chegar a 1,5 milhão de animais embarcados.
A maior parte dessa demanda vem de países árabes, que utilizam os animais principalmente para abate local, respeitando exigências culturais e religiosas ligadas ao consumo halal. Hoje, os principais compradores do Brasil são países como Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Arábia Saudita, Marrocos e o próprio Líbano.
É justamente aí que o Rio Grande do Norte enxerga sua grande vantagem competitiva.
Localização do RN pode mudar o jogo
Enquanto os navios que saem do Sul do Brasil levam até 21 dias para chegar ao Oriente Médio, as embarcações partindo de Natal conseguem concluir a viagem em cerca de 11 a 13 dias.
Na prática, isso reduz drasticamente:
- custos de combustível;
- alimentação dos animais;
- tempo de operação dos navios;
- desgaste logístico.
O secretário estadual Guilherme Saldanha afirma que a diferença pode representar até 14 dias a menos no ciclo completo da viagem de ida e volta quando comparado a operações realizadas no Rio Grande do Sul.
Essa vantagem geográfica faz o Porto de Natal passar a ser visto como um potencial hub exportador do Nordeste para o mercado árabe.
Além da localização estratégica, o estado também precisou construir uma estrutura que até então não existia na região para esse tipo de operação.vDuas Estações de Pré-Embarque foram implantadas e homologadas pelo Ministério da Agricultura. Uma fica em Alto do Rodrigues, no Distrito de Irrigação do Baixo-Açu, e outra em São Gonçalo do Amarante, próxima à capital.
Cada unidade recebeu investimentos privados superiores a R$ 3 milhões para adequação às exigências sanitárias internacionais. Asssim, nessas estruturas, os animais passam por quarentena, alimentação controlada e acompanhamento veterinário antes do embarque.
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Nordeste tenta entrar em setor dominado pelo Norte
Hoje, cerca de 85% das exportações brasileiras de gado vivo saem do Porto de Barcarena, no Pará. O restante é dividido principalmente entre operações em São Paulo e Rio Grande do Sul.
A entrada do Rio Grande do Norte nesse mercado pode abrir uma nova rota logística nacional e colocar o Nordeste em um segmento que até agora praticamente não existia na região. Dessa maneira, o movimento também reforça o papel do RN como plataforma exportadora do Atlântico Sul.
Além da localização estratégica, o Nordeste possui:
- crescimento da pecuária;
- expansão logística;
- proximidade marítima com Europa e Oriente Médio.
A Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern) afirma que o terminal já está preparado para operar a nova demanda com segurança e eficiência.
Antes de mais nada, o projeto é uma oportunidade de diversificação econômica para o estado. Dessa forma, amplia receitas portuárias e ao mesmo tempo fortalece a pecuária local e atraindo novas operações logísticas para o RN.
Sendo assim. avanço também reforça um movimento crescente no Nordeste de busca por novos mercados internacionais ligados ao agro, logística e exportação marítima.
Portanto, se a operação-teste tiver aprovação do Ministério da Agricultura, o Porto de Natal poderá se tornar oficialmente o primeiro terminal do Nordeste habilitado para exportação regular de gado vivo — e abrir um novo capítulo na economia potiguar.


