Revogação do imposto sobre compras de até US$ 50 reacende debate
O Governo Federal anunciou nesta terça-feira (12) a revogação da chamada “taxa das blusinhas”, imposto que cobrava 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 realizadas em plataformas como Shein, AliExpress, Shopee e similares.
A medida entra em vigor já nesta quarta-feira (13) e representa uma mudança importante no cenário do comércio eletrônico brasileiro. O tema vinha gerando forte desgaste político e econômico desde a criação da cobrança, em 2024.

O que era a “taxa das blusinhas”?
A medida ficou conhecida popularmente como “taxa das blusinhas” porque afetava principalmente compras de roupas, acessórios e pequenos produtos importados feitos pela internet.
A regra criada em 2024 determinava:
- imposto de importação de 20%
- para compras internacionais de até US$ 50
Além disso, em muitos estados também incidia:
- ICMS estadual
Em alguns casos, o valor final da compra chegava a aumentar mais de 40%.
Plataformas internacionais cresceram muito no Brasil
Nos últimos anos, aplicativos internacionais ganharam enorme espaço entre consumidores brasileiros.
O crescimento aconteceu principalmente por:
- preços baixos
- grande variedade
- frete subsidiado
- produtos que muitas vezes não existiam no varejo nacional
O fenômeno foi especialmente forte entre:
- jovens
- consumidores de baixa renda
- pequenos empreendedores digitais
Por que o imposto foi criado?
A “taxa das blusinhas” (imposto de importação de 20% para compras internacionais até US$ 50) foi aprovada pelo Congresso Nacional em junho de 2024, dentro do Projeto de Lei 914/2024, que instituiu o Programa Mobilidade Verde e Inovação. O trecho que taxava compras de até US$ 50 foi incluído pelo deputado Átila Lira (PP-PI), relator do projeto na Câmara dos Deputados, com apoio do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).
A taxação surgiu após pressão de:
- varejistas nacionais
- indústria têxtil
- setor produtivo brasileiro
O argumento era que empresas nacionais competiam em desvantagem tributária contra plataformas internacionais.
O governo defendia que a cobrança ajudaria:
- a equilibrar concorrência
- aumentar arrecadação
- combater irregularidades nas importações
Quanto o governo arrecadou com a Taxa das Blusinhas?
Segundo dados da Receita Federal, a arrecadação cresceu fortemente após a criação da taxa.
Em 2025 o governo arrecadou cerca de R$ 5 bilhões com importações internacionais. Mesmo assim, a medida continuou sendo alvo de críticas nas redes sociais e entre consumidores.
Desgaste político aumentou
O imposto virou um dos temas econômicos mais comentados nas redes sociais brasileiras.
Críticos apontavam:
- aumento do custo de vida
- encarecimento de compras populares
- impacto em pequenos consumidores
Nos bastidores, integrantes do governo já admitiam desgaste político provocado pela medida.
Varejo nacional teme nova concorrência
A revogação, porém, preocupa setores da indústria e do comércio brasileiro.
A Confederação Nacional da Indústria afirmou que o fim da taxa pode afetar:
- pequenas empresas
- indústria nacional
- competitividade do varejo brasileiro
Especialistas avaliam que empresas nacionais precisarão acelerar:
- logística
- entrega rápida
- atendimento
- diferenciação de produtos
Nordeste também sente impacto
O crescimento das plataformas internacionais teve forte impacto no Nordeste.
Em muitas cidades da região:
- compras online viraram alternativa ao varejo tradicional
- pequenos revendedores passaram a importar produtos
- consumidores encontraram preços mais acessíveis
Ao mesmo tempo, comerciantes locais também reclamam da concorrência com produtos importados baratos.
O que muda agora?
Com a revogação: compras internacionais abaixo de US$ 50 deixam de pagar o imposto federal de 20%.
Mas atenção: o ICMS estadual pode continuar incidindo dependendo da operação e do estado.
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Debate vai além das “blusinhas”
Portanto, a discussão acabou se transformando em um debate maior sobre:
- globalização
- indústria nacional
- impostos
- consumo digital
- comércio internacional
E mostra como aplicativos internacionais mudaram rapidamente os hábitos de compra do brasileiro.


