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Governo anuncia fim da “taxa das blusinhas”; entenda a situação

Revogação do imposto sobre compras de até US$ 50 reacende debate O Governo Federal anunciou nesta terça-feira (12) a revogação da chamada “taxa das blusinhas”, imposto que cobrava 20% sobre compras internacionais de até US$ ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
13 de maio de 2026 - às 07:01
Atualizado 13 de maio de 2026 - às 07:01
4 min de leitura

Revogação do imposto sobre compras de até US$ 50 reacende debate

O Governo Federal anunciou nesta terça-feira (12) a revogação da chamada “taxa das blusinhas”, imposto que cobrava 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 realizadas em plataformas como Shein, AliExpress, Shopee e similares.

A medida entra em vigor já nesta quarta-feira (13) e representa uma mudança importante no cenário do comércio eletrônico brasileiro. O tema vinha gerando forte desgaste político e econômico desde a criação da cobrança, em 2024.

O que era a “taxa das blusinhas”?

A medida ficou conhecida popularmente como “taxa das blusinhas” porque afetava principalmente compras de roupas, acessórios e pequenos produtos importados feitos pela internet.

A regra criada em 2024 determinava:

  • imposto de importação de 20%
  • para compras internacionais de até US$ 50

Além disso, em muitos estados também incidia:

  • ICMS estadual

Em alguns casos, o valor final da compra chegava a aumentar mais de 40%.

Plataformas internacionais cresceram muito no Brasil

Nos últimos anos, aplicativos internacionais ganharam enorme espaço entre consumidores brasileiros.

O crescimento aconteceu principalmente por:

  • preços baixos
  • grande variedade
  • frete subsidiado
  • produtos que muitas vezes não existiam no varejo nacional

O fenômeno foi especialmente forte entre:

  • jovens
  • consumidores de baixa renda
  • pequenos empreendedores digitais

Por que o imposto foi criado?

A “taxa das blusinhas” (imposto de importação de 20% para compras internacionais até US$ 50) foi aprovada pelo Congresso Nacional em junho de 2024, dentro do Projeto de Lei 914/2024, que instituiu o Programa Mobilidade Verde e Inovação. O trecho que taxava compras de até US$ 50 foi incluído pelo deputado Átila Lira (PP-PI), relator do projeto na Câmara dos Deputados, com apoio do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

A taxação surgiu após pressão de:

  • varejistas nacionais
  • indústria têxtil
  • setor produtivo brasileiro

O argumento era que empresas nacionais competiam em desvantagem tributária contra plataformas internacionais.

O governo defendia que a cobrança ajudaria:

  • a equilibrar concorrência
  • aumentar arrecadação
  • combater irregularidades nas importações

Quanto o governo arrecadou com a Taxa das Blusinhas?

Segundo dados da Receita Federal, a arrecadação cresceu fortemente após a criação da taxa.

Em 2025 o governo arrecadou cerca de R$ 5 bilhões com importações internacionais. Mesmo assim, a medida continuou sendo alvo de críticas nas redes sociais e entre consumidores.

Desgaste político aumentou

O imposto virou um dos temas econômicos mais comentados nas redes sociais brasileiras.

Críticos apontavam:

  • aumento do custo de vida
  • encarecimento de compras populares
  • impacto em pequenos consumidores

Nos bastidores, integrantes do governo já admitiam desgaste político provocado pela medida.

Varejo nacional teme nova concorrência

A revogação, porém, preocupa setores da indústria e do comércio brasileiro.

A Confederação Nacional da Indústria afirmou que o fim da taxa pode afetar:

  • pequenas empresas
  • indústria nacional
  • competitividade do varejo brasileiro

Especialistas avaliam que empresas nacionais precisarão acelerar:

  • logística
  • entrega rápida
  • atendimento
  • diferenciação de produtos

Nordeste também sente impacto

O crescimento das plataformas internacionais teve forte impacto no Nordeste.

Em muitas cidades da região:

  • compras online viraram alternativa ao varejo tradicional
  • pequenos revendedores passaram a importar produtos
  • consumidores encontraram preços mais acessíveis

Ao mesmo tempo, comerciantes locais também reclamam da concorrência com produtos importados baratos.

O que muda agora?

Com a revogação: compras internacionais abaixo de US$ 50 deixam de pagar o imposto federal de 20%.

Mas atenção: o ICMS estadual pode continuar incidindo dependendo da operação e do estado.

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Debate vai além das “blusinhas”

Portanto, a discussão acabou se transformando em um debate maior sobre:

  • globalização
  • indústria nacional
  • impostos
  • consumo digital
  • comércio internacional

E mostra como aplicativos internacionais mudaram rapidamente os hábitos de compra do brasileiro.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.