Você já passou por esta cena? Está no supermercado, no posto de gasolina ou na farmácia. Na hora de pagar, o atendente oferece: “pode parcelar em até 3 vezes sem juros”. Parece vantajoso, não é? Afinal, você leva o produto hoje e paga depois. O crédito fácil pode ser um auxílio para milhões de brasileiros. Contudo, é preciso cuidado.
Mas cuidado: o que parece um benefício pode se tornar uma grande armadilha. Esse hábito de parcelar até compras pequenas tem levado milhões de brasileiros ao endividamento.
O risco de usar o crédito para contas do dia a dia
De acordo com a socióloga Adriana Marcolino, do Dieese, o que está acontecendo é que “estamos vendo muitas pessoas utilizando o crediário para pagar contas do orçamento mensal.”
O problema é que o crédito foi feito para financiar bens de maior valor e produtos duráveis (como uma geladeira, um fogão ou um carro). Quando usamos o parcelamento para compras pequenas e frequentes (como comida, gasolina ou remédios), o orçamento mensal começa a desandar.
Ansiedade de consumo: a vontade de comprar agora
A economista Katherine Hennings, da FGV, alerta para a chamada “ansiedade de consumo” :
“Nós temos um comportamento que é de tentar antecipar ao máximo o que a gente consegue consumir.”
Isso acontece com pessoas de todas as rendas. A gente vê uma propaganda, um influencer recomendando um produto, e sente vontade de comprar na hora. Como o crédito está ali, fácil, a gente antecipa o consumo sem pensar nas consequências.
O erro mais comum: achar que limite é renda
A economista Isabela Tavares, da Consultoria Tendências, alerta para um erro frequente:
“Precisamos entender que o limite do cartão de crédito não é uma renda extra. Quem ganha R5miletemumlimitetambeˊmdeR5miletemumlimitetambeˊmdeR 5 mil não tem renda de R$ 10 mil.”
Parece óbvio, mas muitas pessoas caem nessa armadilha. Elas somam o salário com o limite do cartão e passam a gastar como se tivessem uma renda maior.

Os números assustam
O endividamento no Brasil atingiu níveis alarmantes. Veja os dados:
| Indicador | Número |
|---|---|
| Pessoas inadimplentes no Brasil | 81,7 milhões |
| Dívida total das famílias no sistema financeiro | R$ 238,5 bilhões |
| Percentual da dívida que está com bancos e financeiras | 47,1% |
| Percentual de devedores que ganham até 2 salários mínimos | 78% |
Ou seja: a maioria dos endividados é de pessoas com baixa renda, que acabam recorrendo às opções de crédito mais caras (como cheque especial e rotativo do cartão).
Os perigos de não fazer as contas
O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, explica que o brasileiro até pesquisa preço do produto, mas na hora de financiar:
“Tem o hábito de simplesmente verificar se é possível acomodar a prestação dentro do orçamento.”
Ele não olha para os juros que vai pagar no total. E esse descuido pode custar caro.
Como escapar dessa armadilha? Dicas práticas
Para ajudar você a sair do vermelho e evitar o endividamento, reunimos as principais recomendações dos especialistas:
| Dica | Explicação |
|---|---|
| Crédito não é renda | Seu limite de cartão não é dinheiro extra. Ele precisa ser pago com o que você ganha. |
| Evite parcelar compras pequenas | Supermercado, farmácia e gasolina devem ser pagos à vista sempre que possível. |
| Faça as contas antes de comprar | Não olhe só para o valor da parcela. Veja o preço total com juros. |
| Cuidado com o rotativo do cartão | É uma das formas de crédito mais caras do mercado. |
| Cheque especial é para emergências | Não use como complemento de renda. Os juros são altíssimos. |
| Faça um orçamento mensal | Anote tudo o que ganha e tudo o que gasta. Assim você enxerga para onde o dinheiro está indo. |
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O que é o Desenrola 2?
O governo federal criou o programa Desenrola 2 para ajudar as pessoas a refinanciarem suas dívidas. O programa permite usar o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para quitar ou reduzir débitos.
Mas atenção: o planejador financeiro Carlos Castro alerta que o programa é uma medida de emergência, de curto prazo. A solução de verdade é estrutural:
“Evitar que o brasileiro volte a se endividar, e continue no mesmo nível de endividamento que temos hoje.”
Resumo para você guardar
| Pergunta | Resposta |
|---|---|
| Quantos brasileiros estão inadimplentes? | 81,7 milhões |
| Qual o principal erro dos consumidores? | Achar que limite do cartão é renda extra |
| O que é mais perigoso para o orçamento? | Parcelar compras pequenas e do dia a dia |
| O que fazer para evitar dívidas? | Fazer orçamento, pagar à vista, evitar juros altos |
| O Desenrola 2 resolve o problema? | Ajuda, mas não resolve a causa: falta de educação financeira |


