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Fim da escala 6×1 avança na Câmara: veja como ficou a proposta final do relator

A proposta que pode mudar uma das bases da rotina de trabalho no Brasil avançou na Câmara dos Deputados e já tem data para votação decisiva. O relator da comissão especial que discute o fim ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
26 de maio de 2026 - às 06:54
Atualizado 26 de maio de 2026 - às 06:54
3 min de leitura
camara dos deputados em votacao foto Kayo Magalhaes
Câmara dos Deputados se prepara para votar o fim da escala 6x1 ainda esse mês. Foto Kayo Magalhaes

A proposta que pode mudar uma das bases da rotina de trabalho no Brasil avançou na Câmara dos Deputados e já tem data para votação decisiva. O relator da comissão especial que discute o fim da escala 6×1, deputado Leo Prates, apresentou um parecer que prevê a redução gradual da jornada semanal para 40 horas, sem redução salarial e garantindo dois dias de descanso por semana.

A princípio, a votação do texto deve acontecer nesta quarta-feira (27), antes de seguir para análise do plenário da Câmara e, posteriormente, do Senado.

O tema ganhou enorme repercussão nacional nos últimos meses, principalmente entre trabalhadores do comércio, serviços, supermercados, restaurantes e setores operacionais — áreas em que a escala 6×1 ainda é predominante no país e bastante presente também no Nordeste.

Como será a transição da nova jornada de trabalho?

Pela proposta apresentada, a mudança não aconteceria de forma imediata. O texto estabelece uma transição em duas etapas:

  • 60 dias após a promulgação da PEC, a jornada máxima cairia de 44 para 42 horas semanais;
  • 12 meses depois, o limite definitivo seria fixado em 40 horas semanais.

Além disso, o trabalhador passaria a ter direito a:

  • dois dias de descanso remunerado por semana;
  • sendo um deles preferencialmente aos domingos.

Tudo isso sem redução salarial. A proposta é considerada uma versão intermediária das PECs originais apresentadas no Congresso, que defendiam semana de 36 horas e até escala 4×3.

Setores essenciais poderão manter escalas especiais

A proposta também preserva a possibilidade de acordos coletivos para categorias com funcionamento contínuo ou escalas diferenciadas. Entre os setores citados estão:

  • saúde;
  • segurança;
  • transporte;
  • limpeza urbana;
  • e trabalhadores em escala 12×36.

Nestes casos, as convenções coletivas poderão adaptar jornadas, desde que respeitem média de 40 horas semanais e dois dias de descanso remunerado ao longo do mês.

Profissionais de alta renda terão regras diferentes

Outro ponto que chamou atenção no texto foi a flexibilização para profissionais considerados “hipersuficientes”. Entram nessa categoria trabalhadores com diploma superior e salário acima de R$ 21 mil.

Para esse grupo, o controle rígido de jornada poderá deixar de ser obrigatório, desde que os períodos de descanso sejam respeitados.

Debate vai além da carga horária

A discussão sobre o fim da escala 6×1 virou um dos maiores debates trabalhistas recentes no Brasil.

Defensores da proposta argumentam que:

  • jornadas menores aumentam produtividade;
  • reduzem adoecimento mental;
  • melhoram qualidade de vida;
  • e estimulam geração de empregos.

Já críticos apontam:

  • aumento de custos;
  • impacto sobre pequenos negócios;
  • e necessidade de adaptação gradual da economia.

O relator afirmou que justamente por isso a proposta aposta em transição progressiva e negociação coletiva.

Ato-em-defesa-do-fim-da-jornada-6x1 foto agencia brasil
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A expectativa em Brasília é de uma votação apertada na comissão especial. Afinal, o tema mobiliza sindicatos, entidades empresariais movimentos trabalhistas e parlamentares de diferentes correntes políticas.

Portanto, caso avance na Câmara e no Senado, a PEC poderá representar uma das maiores mudanças nas relações de trabalho brasileiras desde a reforma trabalhista de 2017.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.