Região revelou campeões mundiais, jogadores profissionais e grandes nomes da criação de conteúdo
Durante muito tempo, jogar videogame no Brasil significava apenas diversão. A evolução da indústria transformou esse cenário. Hoje, jogadores treinam profissionalmente, disputam campeonatos internacionais, defendem grandes organizações e constroem carreiras milionárias em torno dos games.
No Nordeste, essa transformação ganhou um capítulo especial. A região passou a revelar jogadores profissionais, campeões mundiais, streamers, comentaristas e criadores de conteúdo que conquistaram espaço nos principais jogos competitivos do país.
E um dos grandes pontos de virada aconteceu com o Free Fire.
O jogo mobile ajudou a revelar uma geração de jogadores nordestinos e colocou a região no centro da cena competitiva brasileira. O auge dessa história aconteceu em 2019, quando o Corinthians conquistou o Mundial de Free Fire com três nordestinos entre os cinco jogadores da equipe: Carlos “Fixa”, Genildo “Japa” e Samuel “Level Up 007”.
O resultado chamou atenção para um talento que já existia, mas encontrava mais dificuldades para chegar aos grandes centros do cenário competitivo.
Quem são os principais nordestinos do e-sports
| Nome | Estado | Game principal | Destaque |
|---|---|---|---|
| TACO | Pernambuco | Counter-Strike | Bicampeão de Major e campeão mundial |
| Fixa | Maranhão | Free Fire | Campeão mundial pelo Corinthians e MVP da Pro League |
| Kroonos | Pernambuco | Free Fire | MVP do primeiro Mundial de Free Fire |
| Level Up | Pernambuco | Free Fire | Campeão mundial pelo Corinthians |
| Japa | Paraíba | Free Fire | Campeão mundial pelo Corinthians |
| Sharin | Pernambuco | Free Fire | Campeão brasileiro de Free Fire |
| Baiano | Bahia | League of Legends | Ex-pro player e grande nome do cenário de LoL |
| Jota | Ceará | Free Fire | Ex-pro player, streamer e caster |
Free Fire colocou o Nordeste no mapa mundial
O Mundial de 2019 marcou uma geração do Free Fire brasileiro.
O Corinthians venceu a competição realizada no Rio de Janeiro depois de uma virada nas últimas quedas e terminou o torneio com 2.300 pontos, levando o título mundial. Fixa, Japa e Level Up fizeram parte da escalação campeã ao lado de Bruno “Nobru” e Douglas “Pires”.
A participação nordestina não se limitou ao Corinthians.
Naquele período, jogadores como Heverton “Sharin”, Ramon “GG Easy” e Ariano “Kroonos” também apareciam entre os principais nomes nordestinos do cenário competitivo do Free Fire. Levantamentos publicados na época destacavam justamente a presença de jogadores de Pernambuco, Maranhão, Paraíba e Bahia entre os protagonistas do game.
O fenômeno ganhou ainda mais força porque o Free Fire aproximou o cenário profissional de uma parcela de jovens que utilizava principalmente o celular para jogar.
Fixa foi MVP antes do Mundial

Natural do Maranhão, Carlos “Fixa” chegou ao Corinthians em 2019 e rapidamente assumiu papel importante na equipe.
Antes mesmo do Mundial, ele havia conquistado destaque na terceira temporada da Pro League Brasil. Na decisão, Fixa conseguiu 20 abates e recebeu o prêmio de MVP da competição, além de ajudar o Corinthians a conquistar o título e a vaga para o Mundial.
No Mundial, o jogador voltou a aparecer entre os protagonistas. Fixa recebeu o prêmio de melhor jogador em duas quedas da competição e ajudou o Corinthians a construir a campanha que terminou com o título.
Kroonos chegou ao topo do mundo

Outro nome que entrou para a história foi o pernambucano Ariano “Kroonos” Ferreira.
O jogador ganhou o MVP do primeiro Mundial de Free Fire, realizado em 2019, depois de liderar a campanha da equipe Golpistas Veteranos, que terminou na sexta posição. Mesmo sem conquistar o título coletivo, Kroonos recebeu o principal reconhecimento individual do torneio.
A conquista colocou um jogador do Recife entre os maiores nomes da primeira geração competitiva do Free Fire.
E isso ajuda a explicar por que o game se tornou tão importante para o Nordeste.
O Nordeste não parou no Free Fire
A história dos e-sports nordestinos, porém, começou antes do Free Fire e continuou depois dele.
Um dos maiores exemplos é Epitácio “TACO” de Melo, nascido no Recife.

TACO construiu uma carreira internacional no Counter-Strike e conquistou dois títulos de Major em 2016, pela Luminosity Gaming, antes de continuar sua trajetória pela SK Gaming. Os títulos vieram no MLG Major Championship: Columbus e no ESL One Cologne, duas das maiores conquistas possíveis no cenário competitivo da modalidade.
O pernambucano também defendeu organizações como Team Liquid e MIBR e se tornou um dos nomes brasileiros mais conhecidos da história do Counter-Strike.
A trajetória ganhou um significado ainda maior porque o próprio TACO já contou que começou a jogar Counter-Strike no Recife e enfrentou dificuldades relacionadas à distância dos grandes centros competitivos e à latência das conexões.
Baiano transformou o LoL em uma grande comunidade

Outro nome nordestino que ganhou enorme projeção vem do League of Legends.
Gustavo “Baiano” Gomes, natural de Bom Jesus da Lapa, na Bahia, construiu carreira como jogador profissional e depois migrou para a criação de conteúdo.
A mudança de função não diminuiu sua influência. Pelo contrário.
Baiano se tornou uma das principais personalidades brasileiras ligadas ao League of Legends e atualmente aparece associado à Ilha das Lendas, projeto que reúne conteúdo, transmissões e comunidade em torno do jogo.
A trajetória mostra como o mercado de games mudou. O jogador profissional deixou de ser o único protagonista. Hoje, streamers, analistas, narradores, comentaristas e criadores de conteúdo também movimentam uma parcela importante da indústria.
Jota mostra outra transformação do mercado
O cearense João Victor Façanha, conhecido como Jota, também representa essa mudança.
Depois de atuar no cenário competitivo de Free Fire, Jota passou por funções de coach e posteriormente se consolidou como caster e criador de conteúdo. Dados atuais de plataformas especializadas ainda registram sua atuação ligada ao universo competitivo do Free Fire.
A trajetória dele mostra como um profissional pode construir uma carreira nos e-sports sem necessariamente permanecer como jogador.
O mercado abriu espaço para diferentes funções e transformou o ecossistema dos games em uma cadeia profissional mais ampla.

Afinal, Free Fire é o game com mais nordestinos em destaque?
O Free Fire foi, sem dúvida, um dos games que mais projetaram jogadores nordestinos no cenário nacional e internacional, especialmente a partir de 2019. O título mundial do Corinthians, com três nordestinos na escalação, virou um dos maiores símbolos dessa presença.
No entanto, não existe uma base pública consolidada em 2026 que permita afirmar, com segurança, que o Free Fire possui atualmente mais jogadores nordestinos de destaque do que Counter-Strike, League of Legends, Valorant ou outras modalidades.
O que a história permite afirmar é que o Free Fire teve um papel decisivo na democratização da entrada de talentos nordestinos no cenário competitivo.
A modalidade aproximou jogadores de diferentes regiões das grandes organizações e mostrou que um atleta poderia sair de uma cidade nordestina, jogar pelo celular e chegar a um campeonato mundial.
De jogadores a profissionais do entretenimento
O crescimento dos e-sports também mudou a relação entre jogador e público.
Hoje, um profissional pode ganhar dinheiro com competições, transmissões, patrocínios, publicidade, criação de conteúdo e participação em projetos próprios.
TACO, Baiano e Jota representam justamente caminhos diferentes dentro desse mercado.
Enquanto TACO construiu sua reputação internacional dentro do Counter-Strike, Baiano transformou sua experiência competitiva em uma grande comunidade de League of Legends. Jota, por sua vez, transitou entre jogador, coach, caster e influenciador.
No Free Fire, nomes como Fixa, Level Up, Japa, Kroonos e Sharin ajudaram a abrir caminho para uma geração que enxergou nos jogos uma possibilidade profissional.



O Nordeste virou parte da história dos e-sports
O mais importante dessa trajetória não está apenas nos títulos conquistados. A presença nordestina ajudou a mudar a percepção sobre quem poderia chegar ao topo dos e-sports no Brasil.
Em 2019, três nordestinos levantaram o Mundial de Free Fire pelo Corinthians. Kroonos recebeu o MVP do primeiro Mundial. Fixa foi MVP da Pro League. Anos antes, TACO já havia conquistado dois Majors no Counter-Strike. E Baiano mostrou que a carreira nos games também poderia continuar fora dos servidores competitivos.
Portanto, a história continua em construção.
Afinal, em vez de representar apenas um mercado consumidor de jogos, o Nordeste passou a ocupar também o outro lado da indústria: o de quem joga, compete, transmite, cria conteúdo e transforma videogame em profissão.
E, se o Free Fire foi uma das portas de entrada mais importantes dessa geração, os nomes que vieram depois mostram que o talento nordestino já não está preso a um único jogo.


