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Escola Pública no Ceará transforma kitesurf em disciplina de “sala de aula”

Projeto Kitesurf Integra transformou o esporte em disciplina eletiva no Cumbuco, no Ceará, e divulga alcance superior a 900 crianças e adolescentes.
Eliseu Lins, da Agência NE9
19 de outubro de 2026 - às 06:53
Atualizado 19 de outubro de 2026 - às 06:53
5 min de leitura
Praia do Cumbuco tem ensino de Kitesurf na rede estadual foto divulgação
Praia do Cumbuco tem ensino de Kitesurf na rede estadual foto divulgação

Iniciativa no Cumbuco, em Caucaia, combina esporte, educação e sustentabilidade; projeto tem patrocínio da Enel por meio da Lei de Incentivo ao Esporte do Estado

Uma escola pública do Ceará incorporou o kitesurf à rotina curricular e transformou uma modalidade tradicional do litoral em ferramenta de aprendizagem. Desenvolvido na Praia do Cumbuco, em Caucaia, o projeto Kitesurf Integra chegou ao terceiro ciclo de atividades com mais de 900 crianças e adolescentes alcançados, segundo dados divulgados pela iniciativa.

A proposta aproxima os estudantes de um esporte associado à cultura e à economia turística da região. Além das atividades práticas, os participantes estudam temas como meteorologia, teoria dos ventos, segurança aquática, controle dos equipamentos e técnicas de navegação.

O projeto começou em novembro de 2021 e, em parceria com a Escola de Ensino Médio em Tempo Integral (EEMTI) Maria Zenóbia Rodrigues Braga, ajudou a implantar a primeira disciplina eletiva curricular de kitesurf do Brasil, conforme as informações divulgadas pela iniciativa.

Como funciona a disciplina de kitesurf na escola pública?

A disciplina integra a programação escolar com planejamento semestral, avaliações, acompanhamento pedagógico e apresentações dos estudantes. As aulas ocorrem duas vezes por semana, com duração de duas horas, segundo a divulgação do projeto.

A formação vai além de aprender a conduzir uma pipa de kitesurf. Os estudantes conhecem as condições do vento, os cuidados necessários para praticar o esporte na água e o funcionamento dos equipamentos.

A proposta também conecta o conteúdo escolar à realidade dos alunos. Como o Cumbuco recebe praticantes de diferentes partes do Brasil e do exterior, o kitesurf faz parte do ambiente social e econômico em que os jovens vivem.

A coordenadora do projeto, Carol Teles, afirma que a iniciativa ampliou as oportunidades de acesso à modalidade. Já a diretora da escola, Ana Néo, destaca a relação entre a disciplina, a aprendizagem e o reconhecimento da cultura local.

Quem financia e executa o Kitesurf Integra?

O projeto reúne uma entidade proponente, uma empresa patrocinadora e uma escola pública parceira. O Governo do Ceará participa por meio da Lei de Incentivo ao Esporte, mecanismo que permite financiar projetos esportivos com patrocínios e doações de contribuintes do ICMS.

Veja como se dividem as responsabilidades identificadas nas fontes consultadas:

ParticipantePapel na iniciativa
Proativa Academia Ltda.Proponente do projeto Kitesurf Integra – Ano III
Enel CearáEmpresa incentivadora registrada no financiamento estadual
Governo do CearáMantém o mecanismo estadual de incentivo ao esporte
EEMTI Maria Zenóbia Rodrigues BragaParceira educacional e responsável pela implantação da disciplina na escola

O cadastro da Secretaria do Esporte do Ceará identifica a Proativa Academia Ltda. como proponente e a Companhia Energética do Ceará, ligada à marca Enel, como incentivadora. O registro não identifica a Prefeitura de Caucaia como responsável direta pelo financiamento ou pela execução do projeto.

Projeto recebeu R$ 350 mil no registro de 2025

Praia do Cumbuco tem ensino de Kitesurf na rede estadual foto divulgação

O relatório de financiamento da Lei de Incentivo ao Esporte do Ceará registra R$ 350 mil para o Kitesurf Integra – Ano III. O documento identifica a Proativa Academia Ltda. como proponente e a Companhia Energética do Ceará como empresa incentivadora, vinculadas ao processo nº 11439089/2019.

Esse valor se refere ao registro da etapa identificada como Ano III. Portanto, não representa necessariamente o investimento acumulado desde o início das atividades, em 2021.

A distinção é importante para entender o financiamento: a Lei de Incentivo ao Esporte funciona como mecanismo estadual de apoio, enquanto a empresa incentivadora aparece no registro do projeto. O valor registrado não deve ser apresentado como repasse direto da Prefeitura de Caucaia.

Kitesurf Integra também promove educação ambiental

A sustentabilidade integra outra frente do projeto. Segundo os dados divulgados pela iniciativa, as atividades já somaram 31 ações de educação ambiental, que reuniram cerca de 200 participantes em atividades de conscientização e preservação.

As ações aproximam a prática esportiva de temas relacionados à conservação ambiental. Essa abordagem tem conexão direta com a realidade do Cumbuco, onde o litoral e as condições naturais atraem praticantes de kitesurf e movimentam atividades turísticas.

O projeto também proporcionou aos estudantes contato com eventos da modalidade. Entre as experiências relatadas está a participação no evento realizado em 2023 que estabeleceu um recorde mundial relacionado à presença simultânea de velejadores. Essa informação diz respeito ao evento e não significa, por si só, que o projeto tenha sido o responsável pela conquista do recorde.

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Uma experiência que conecta educação, esporte e oportunidades

A iniciativa do Cumbuco mostra como uma modalidade ligada à identidade local pode entrar no ambiente escolar e ampliar as possibilidades de aprendizagem. Ao combinar conteúdos teóricos, atividades esportivas e educação ambiental, o Kitesurf Integra aproxima a escola de características presentes no cotidiano dos estudantes.

O alcance divulgado, superior a 900 crianças e adolescentes, indica a dimensão que o projeto atribui às suas atividades. Para avaliar com precisão os resultados, porém, seria necessário conhecer os relatórios completos, o período considerado e a metodologia usada para contabilizar os participantes.

A experiência também levanta uma questão relevante para outras regiões do Nordeste: como escolas públicas podem incorporar esportes e práticas culturais locais ao currículo para aproximar o ensino da realidade dos alunos?

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.