Lista reúne assuntos como inteligência artificial, apostas esportivas, mudanças climáticas e doação de órgãos; preparação exige repertório e treino de argumentação
A redação do Enem 2026 exige atenção dos estudantes que buscam uma vaga no ensino superior. Além de dominar a estrutura dissertativo-argumentativa, os candidatos precisam acompanhar debates sociais, compreender problemas brasileiros e desenvolver argumentos consistentes.
Nesse contexto, especialistas do FTD Resolve, portal gratuito da FTD Educação, apontaram dez temas que merecem atenção na preparação para o exame. A lista inclui inteligência artificial, envelhecimento da população, apostas esportivas, violência contra a mulher, saúde mental, preservação das culturas indígenas, fome, eventos climáticos extremos, analfabetismo funcional e doação de órgãos.
A relação funciona como um roteiro de estudos, não como uma previsão oficial do Inep. Portanto, os candidatos devem ampliar o repertório e praticar a escrita sobre diferentes questões sociais, sem concentrar toda a preparação em apenas um assunto.
Quais são os 10 temas que podem cair na redação do Enem 2026?
Os especialistas do FTD Resolve selecionaram questões que ocupam espaço no debate público e envolvem desafios sociais, éticos, ambientais e econômicos. Confira os dez assuntos e os principais pontos que os estudantes podem estudar.
1. Regulamentação ética da inteligência artificial no Brasil
O avanço da inteligência artificial generativa ampliou o debate sobre privacidade, direitos autorais, discriminação algorítmica e mudanças no mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, escolas e universidades discutem como utilizar essas ferramentas sem comprometer a aprendizagem e a integridade acadêmica.
Para se preparar, o estudante pode pesquisar a relação entre inovação tecnológica, proteção de dados e desigualdade de acesso. Também vale analisar como o poder público, as empresas e as instituições de ensino podem estabelecer regras para o uso responsável da tecnologia.
2. Combate ao etarismo e inclusão da população idosa
O envelhecimento da população brasileira aumenta a importância das políticas de inclusão da terceira idade. Apesar disso, pessoas idosas ainda enfrentam preconceito no mercado de trabalho, dificuldades de acesso a serviços e exclusão em ambientes digitais.
Nesse caso, o candidato pode relacionar o tema ao Estatuto da Pessoa Idosa, aos direitos humanos e às mudanças demográficas do país. Além disso, deve considerar medidas para ampliar a participação social e combater a discriminação por idade.
3. Regulamentação das apostas esportivas online
As plataformas de apostas esportivas, conhecidas como bets, ganharam espaço no Brasil e levantaram discussões sobre endividamento, publicidade e saúde mental. O problema também envolve a exposição de jovens às campanhas de apostas e os efeitos financeiros sobre famílias vulneráveis.
Uma boa preparação deve considerar a responsabilidade das empresas, a fiscalização do setor e a prevenção da dependência em jogos. Por isso, o estudante pode estudar a relação entre educação financeira, proteção do consumidor e políticas de saúde pública.
4. Efetividade das políticas de proteção contra o feminicídio
A legislação brasileira prevê mecanismos de prevenção e combate à violência contra a mulher. Entretanto, a persistência dos feminicídios mostra que a existência de leis não elimina, por si só, as situações de risco.
O candidato pode relacionar o assunto à Lei Maria da Penha, às medidas protetivas e à atuação das redes de atendimento. Além disso, deve avaliar como a prevenção, a educação e a integração entre segurança pública, assistência social e Justiça podem ampliar a proteção das mulheres.
5. Saúde mental e precarização do trabalho
A pressão por produtividade, a hiperconexão digital e a instabilidade profissional ampliam as discussões sobre saúde mental no ambiente de trabalho. Em algumas atividades, jornadas extensas e dificuldade de separar vida pessoal e profissional também contribuem para o esgotamento.
Para desenvolver esse tema, vale estudar a Síndrome de Burnout, os direitos trabalhistas e a responsabilidade das empresas na prevenção de riscos psicossociais. O estudante também pode discutir como políticas públicas e ambientes profissionais mais seguros ajudam a enfrentar o problema.
6. Preservação das línguas e culturas dos povos originários
A diversidade indígena brasileira inclui diferentes línguas, tradições, conhecimentos e formas de organização social. No entanto, muitas comunidades enfrentam ameaças à transmissão de seus idiomas e à preservação de seus territórios e costumes.
Nesse contexto, o candidato pode relacionar a questão aos direitos culturais, à educação indígena e à proteção dos territórios tradicionais. Pensadores como Ailton Krenak também podem ajudar a ampliar a reflexão sobre a relação entre sociedade, natureza e diversidade cultural.
7. Segurança alimentar e combate à fome
A fome envolve fatores como renda, desigualdade social, acesso aos alimentos e distribuição de recursos. Portanto, o problema não depende apenas da quantidade de alimentos produzidos, mas também das condições que permitem à população obtê-los.
O estudante pode recorrer às contribuições de Josué de Castro, autor que analisou a fome como um problema social e político. Além disso, vale estudar programas de transferência de renda, alimentação escolar, agricultura familiar e políticas de abastecimento.
8. Adaptação a eventos climáticos extremos
Enchentes, secas, ondas de calor e outros eventos extremos colocam em evidência os desafios da adaptação climática no Brasil. As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, por exemplo, mostraram os impactos de desastres sobre moradias, infraestrutura e serviços públicos.
O tema também permite discutir o racismo ambiental, conceito relacionado à distribuição desigual dos riscos ambientais entre grupos sociais. Para construir uma argumentação consistente, o candidato pode estudar planejamento urbano, sistemas de alerta, prevenção de desastres e proteção das populações vulneráveis.
9. Analfabetismo funcional e exercício da cidadania
O analfabetismo funcional ocorre quando uma pessoa apresenta dificuldades para compreender e utilizar informações escritas em situações cotidianas, mesmo que saiba ler e escrever palavras.
Esse problema afeta o acesso à informação, a inserção profissional e o exercício da cidadania. Além disso, pode dificultar a identificação de conteúdos enganosos e a compreensão de informações sobre saúde, educação e serviços públicos.
Para estudar o assunto, vale pesquisar indicadores educacionais, desigualdade de acesso ao ensino e políticas de alfabetização. O candidato também pode discutir a importância da leitura crítica diante da circulação de desinformação nas redes sociais.
10. Desafios para a doação de órgãos e tecidos
O Brasil possui um sistema público de transplantes, mas a realização de mais procedimentos depende de fatores como disponibilidade de órgãos, estrutura hospitalar e autorização familiar.
A falta de informação sobre morte encefálica e a ausência de diálogo entre familiares podem dificultar a autorização para doação. Por isso, o tema permite discutir campanhas de conscientização, acesso à informação e organização dos serviços de saúde.
Na redação, o estudante pode relacionar a questão à solidariedade, à saúde pública e aos desafios de ampliar o número de doadores sem desconsiderar os critérios médicos e legais.
Como estudar esses temas para a redação do Enem?

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Conhecer assuntos atuais ajuda, mas não garante uma boa nota. O candidato precisa transformar informações em argumentos e organizar o texto de acordo com as competências avaliadas pelo exame.
Segundo os especialistas, o estudante deve chegar à prova preparado para argumentar com consistência sobre uma questão social.
Veja como organizar a preparação:
| Etapa | O que fazer |
|---|---|
| Pesquisa | Estudar causas, consequências e dados confiáveis sobre cada tema |
| Repertório | Conhecer leis, pesquisas, obras literárias e pensadores que ajudem a argumentar |
| Estrutura | Treinar introdução, desenvolvimento e conclusão |
| Argumentação | Defender uma tese e relacionar evidências ao ponto de vista |
| Proposta de intervenção | Apresentar uma solução detalhada, viável e que respeite os direitos humanos |
| Revisão | Corrigir gramática, coesão, coerência e repetição de palavras |
Além disso, o estudante deve praticar redações completas e controlar o tempo de escrita. Dessa forma, consegue identificar dificuldades antes do exame e ajustar a estratégia de preparação.
O que o Enem avalia na redação?
A redação vale até 1.000 pontos e considera cinco competências, cada uma com pontuação máxima de 200 pontos. A avaliação inclui o domínio da escrita formal, a compreensão do tema, a organização dos argumentos, o uso de mecanismos de coesão e a elaboração de uma proposta de intervenção.
A conclusão merece atenção especial. O candidato deve apresentar uma proposta relacionada ao problema discutido, explicar quem pode executá-la, indicar a ação necessária e detalhar como ela funcionaria. A solução também precisa respeitar os direitos humanos.
Por isso, não basta memorizar citações ou reproduzir modelos prontos. O estudante precisa demonstrar que compreendeu o tema proposto e consegue construir uma resposta coerente com os argumentos desenvolvidos ao longo do texto.
Temas prováveis não são garantia de cobrança
A lista oferece um ponto de partida para revisar questões atuais, mas o Inep não divulga previamente o assunto da redação. Assim, mesmo temas considerados relevantes podem não aparecer na prova.
A estratégia mais segura consiste em estudar os dez assuntos, ampliar o repertório sobre outras questões sociais e praticar a estrutura dissertativo-argumentativa. Com isso, o candidato estará mais preparado para interpretar a proposta oficial e construir uma redação consistente, independentemente do tema escolhido pela banca.


