O cordelista, advogado e jornalista baiano Franklin Maxado abriu sua inscrição como candidato à Academia Brasileira de Letras, na vaga do jornalista Zuenir Ventura — a cadeira 32, que também já foi de Ariano Suassuna. Ele tem mais de 500 cordéis na biografia e o apoio total da Academia de Letras de Feira de Santana.
A candidatura
Franklin Maxado, 83 anos, quer levar o cordel para a Academia Brasileira de Letras. O cordelista, que também é advogado e jornalista, formalizou sua inscrição como candidato a integrar a ABL na cadeira 32, vaga aberta com a morte do jornalista Zuenir Ventura — a mesma cadeira que já foi ocupada por Ariano Suassuna.
A eleição deve acontecer em novembro.
O pedido em versos
Fiel à tradição que representa, Franklin Maxado abriu seu pedido de inscrição com versos de cordel:
“Se o cordel já é
Patrimônio cultural
É justo que tenha assento
Entre quem é imortal.”
Assim, a estrofe resume o argumento central de sua candidatura: se o cordel é Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, é coerente que tenha um representante na casa que reúne os “imortais” da literatura nacional.
Quem é Franklin Maxado
| Item | Informação |
|---|---|
| Nome | Franklin Maxado |
| Idade | 83 anos |
| Naturalidade | Feira de Santana (BA) |
| Profissões | Cordelista, advogado e jornalista |
| Obras | Mais de 500 cordéis publicados, além de livros |
| Cadeira disputada | Cadeira 32 da ABL |
| Vaga | Deixada por Zuenir Ventura |
| Antecessor ilustre | Ariano Suassuna |
| Apoio | Academia de Letras de Feira de Santana |
| Eleição prevista | Novembro de 2026 |

O significado da candidatura
Em suma, a candidatura de Franklin Maxado à ABL tem um peso que vai além da trajetória individual. Ao mesmo tempo, ela coloca em pauta o lugar da cultura popular nas instituições que consagram a literatura brasileira.
Antes de mais nada, o cordel é uma expressão tipicamente nordestina, nascida da oralidade e da cultura do povo, que se consolidou como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Portanto, levar um cordelista para a Academia Brasileira de Letras é, de certa forma, levar o Nordeste e a cultura popular para dentro do espaço dos “imortais”.
“É uma imensa alegria, para mim e para a cultura popular também.”
— Franklin Maxado
Entrar na ABL é consagração
A eleição para a cadeira 32 da ABL não decide apenas quem ocupará um assento vitalício. Ela sinaliza que tipo de literatura a Academia está disposta a consagrar.
Em suma, se Franklin Maxado for eleito, será mais do que uma vitória pessoal: será o reconhecimento de que o cordel — nascido nas feiras do Nordeste, cantado em versos de seis ou dez pés, impresso em folhetos pendurados em cordões — tem o mesmo valor literário das formas mais tradicionais que sempre ocuparam a Academia.
Afinal, a frase de Maxado, dita com a simplicidade de quem passou a vida rimando o cotidiano, diz tudo: “É uma imensa alegria, para mim e para a cultura popular também.”
Dessa forma, a eleição está marcada para novembro. Até lá, o cordel segue batendo à porta da imortalidade — em versos, como sempre fez.

