O Rio São Francisco ganhou um importante reforço para sua biodiversidade nesta semana. Cerca de 20 mil alevinos de curimatã foram soltos nas águas do Velho Chico durante uma ação ambiental realizada no município de Santana do São Francisco, em Sergipe.
A iniciativa integrou a programação do projeto “Dia do Chico” e reuniu estudantes, moradores, órgãos ambientais e instituições ligadas à preservação dos recursos hídricos da região. O objetivo é fortalecer o repovoamento do rio e contribuir para a recuperação dos estoques pesqueiros de uma das espécies mais tradicionais da bacia do São Francisco.
Os peixes foram produzidos no Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Betume, unidade da Codevasf localizada em Neópolis, também em Sergipe, referência nacional em programas de reprodução e repovoamento de espécies nativas.
A princípio, além da soltura dos alevinos, a programação contou com plantio de mudas, recolhimento de resíduos, coleta de óleo usado e monitoramento da qualidade da água. A açao envolveu alunos da rede pública municipal em atividades de educação ambiental.

O peixe que ajuda a sustentar comunidades ribeirinhas
Muito conhecido pelos pescadores do Nordeste, o Curimatã é uma das espécies mais importantes do Rio São Francisco. Dessa maneira, presente em praticamente toda a bacia, o peixe desempenha papel fundamental tanto para o equilíbrio ambiental quanto para a economia de centenas de comunidades ribeirinhas.
Tradicionalmente consumido em cidades banhadas pelo Velho Chico, o curimatã possui carne apreciada e faz parte da cultura alimentar de estados como Sergipe, Alagoas, Bahia, Pernambuco e Minas Gerais.
Além do valor econômico, a espécie exerce papel estratégico no ecossistema aquático. Por se alimentar de matéria orgânica presente no fundo dos rios, ajuda na reciclagem de nutrientes e contribui para o equilíbrio ambiental dos ambientes aquáticos.
Características do Curimatã
| Característica | Informação |
|---|---|
| Nome popular | Curimatã |
| Nome científico | Prochilodus argenteus |
| Habitat | Bacias hidrográficas do Nordeste e Sudeste |
| Alimentação | Matéria orgânica e detritos naturais |
| Importância econômica | Pesca artesanal e alimentação |
| Importância ambiental | Equilíbrio ecológico e ciclagem de nutrientes |
| Ocorrência | Rio São Francisco e afluentes |
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Preservação do Velho Chico

Nas últimas décadas, espécies nativas do Rio São Francisco sofreram pressão provocada por fatores como barramentos, redução de vazões, pesca predatória, assoreamento e degradação das margens.
Por isso, programas de peixamento vêm sendo utilizados como ferramenta complementar para auxiliar a recuperação dos estoques naturais de peixes e fortalecer a atividade pesqueira tradicional.
Afinal, segundo a Codevasf, a participação de estudantes e moradores nas ações ambientais ajuda a ampliar a conscientização sobre a importância da preservação do rio e das espécies que dependem dele para sobreviver.
O projeto “Dia do Chico” acontece de forma itinerante em municípios sergipanos banhados pelo São Francisco e conta com a participação de diversas instituições ligadas à gestão ambiental da bacia.
Portanto, mais do que uma simples soltura de peixes, a ação representa um esforço para garantir que futuras gerações continuem encontrando no Velho Chico uma fonte de vida, renda, alimentação e identidade cultural para o Nordeste.



