Quando se fala em Costa do Descobrimento, é comum pensar primeiro em praias, falésias, coqueiros, Porto Seguro e outros cartões-postais do litoral sul da Bahia.
Mas existe outro patrimônio, menos evidente para quem chega à região em busca apenas do mar.
Entre o sul da Bahia e o norte do Espírito Santo, oito áreas protegidas formam as Reservas de Mata Atlântica da Costa do Descobrimento, um conjunto reconhecido como Patrimônio Mundial Natural pela Unesco desde 1999.
São aproximadamente 112 mil hectares de florestas e restingas, em uma das regiões de maior biodiversidade do planeta. E os números ajudam a entender por que essa floresta é tão importante.
112 mil hectares protegidos
O patrimônio natural da Costa do Descobrimento não corresponde a uma única unidade de conservação. A área reconhecida pela Unesco reúne oito áreas protegidas distribuídas entre Bahia e Espírito Santo.
Entre elas estão três parques nacionais:
- Parque Nacional do Descobrimento;
- Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal;
- Parque Nacional do Pau Brasil.
O conjunto também inclui as Reservas Biológicas de Una e Sooretama e outras três áreas protegidas: Veracruz, Pau Brasil/Ceplac e Linhares.
Essa configuração é importante porque mostra que o patrimônio não está concentrado em um único ponto turístico. Ele forma um conjunto de áreas de conservação que protege diferentes fragmentos da Mata Atlântica.
Uma floresta onde um campo pode esconder centenas de árvores
A princípio, um dos números mais impressionantes divulgados pelo Ministério do Turismo ajuda a dimensionar a biodiversidade da região.
Em alguns trechos da Costa do Descobrimento, pesquisadores já identificaram mais de 450 espécies de árvores em uma área equivalente a um campo de futebol.
Isso ajuda a explicar por que a região ganhou reconhecimento internacional. Contudo, a Unesco destaca justamente a elevada biodiversidade e o alto nível de endemismo das áreas protegidas. Ou seja, existem espécies que ocorrem de forma restrita a determinadas regiões.
A biodiversidade em números
| Grupo | Espécies registradas |
|---|---|
| Mamíferos | 261 |
| Aves | 620 |
| Anfíbios | 280 |
| Répteis | 200 |
A Unesco também aponta espécies ameaçadas de extinção dentro desse conjunto de áreas protegidas.
O turista pode conhecer essa floresta?
Sim, mas existe uma diferença importante entre as oito áreas.
Algumas unidades possuem estruturas e atividades voltadas à visitação turística. Outras têm acesso restrito, principalmente por sua finalidade de conservação e pesquisa.
Por isso, a Costa do Descobrimento não deve ser tratada como um único parque aberto ao público. O próprio Ministério do Turismo recomenda que o visitante consulte previamente as regras de cada unidade.
Entre os locais com possibilidades de visitação estão o Parque Nacional do Descobrimento, o Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal e o Parque Nacional do Pau Brasil.
Parque do Descobrimento: floresta, trilhas e cultura
Localizado em Prado, no extremo sul da Bahia, o Parque Nacional do Descobrimento protege mais de 22,6 mil hectares de Mata Atlântica.
O parque está aberto à visitação desde 2018 e oferece experiências de etnoturismo, turismo ecológico, turismo de aventura e observação de fauna, flora e paisagem.
A unidade possui duas portarias. A principal fica na BA-489, entre Prado e Itamaraju, enquanto a Portaria Leste fica na Aldeia Gurita, em Cumuruxatiba. O acesso pela portaria da aldeia exige agendamento prévio com a liderança indígena.
O parque também possui relação direta com o território e a cultura Pataxó.
Monte Pascoal: onde natureza e cultura indígena se encontram
O Monte Pascoal talvez seja o ponto em que a dimensão ambiental, histórica e cultural da Costa do Descobrimento fica mais evidente.
O parque possui trilhas, praias, rios, manguezais, restingas e áreas de Mata Atlântica. Ao mesmo tempo, o território mantém uma relação direta com o povo Pataxó.
O ICMBio informa que o parque possui atividades de etnoturismo, observação de aves, trilhas, passeios e experiências culturais.
Sendo assim, na área florestal, por exemplo, o visitante pode percorrer a trilha de subida ao Monte Pascoal e outras trilhas implementadas.
Há uma regra importante: o acompanhamento por um condutor indígena é obrigatório nos atrativos do parque. Assim, essa característica cria uma experiência diferente daquela de simplesmente visitar uma unidade de conservação.
Pau Brasil: a árvore que deu nome ao país
Também em Porto Seguro está o Parque Nacional do Pau Brasil.
Criado em 1999, o parque possui aproximadamente 19 mil hectares e protege remanescentes significativos da Mata Atlântica. O próprio ICMBio destaca que ele é a única unidade de conservação do país que leva o nome da árvore que deu origem ao nome Brasil.
Além da floresta, o parque trabalha a relação entre natureza, história e cultura.
O Centro de Visitantes possui uma exposição permanente sobre a história do contato entre portugueses e povos indígenas na região em 1500 e apresenta elementos da fauna e da flora protegidas pela unidade.
A Costa do Descobrimento também é território Pataxó
A natureza não é o único elemento que diferencia esse patrimônio. A região também possui uma forte presença indígena, especialmente do povo Pataxó.
No Monte Pascoal, por exemplo, o parque possui sobreposição com o Território Indígena Barra Velha do Monte Pascoal. Por isso, o ICMBio mantém uma gestão que envolve as lideranças Pataxó.
No Parque Nacional do Descobrimento, o ICMBio também mantém acordos com lideranças Pataxó para conciliar proteção ambiental, direitos socioambientais e uso de recursos naturais.
Assim, conhecer a Costa do Descobrimento também significa compreender uma paisagem onde floresta, história e presença indígena estão conectadas.
E as praias?
Elas continuam sendo parte fundamental da experiência. A diferença é que a Costa do Descobrimento permite combinar o litoral com trilhas, observação de fauna e flora, turismo de natureza e experiências culturais.
No Monte Pascoal, por exemplo, o setor litorâneo reúne praias, rios e atividades como passeios de barco e experiências relacionadas à cultura Pataxó.
No Parque Nacional do Descobrimento, o visitante também encontra trilhas e experiências de contato com a Mata Atlântica.
Ou seja, o turista não precisa escolher entre praia ou floresta. Em determinados roteiros, os dois fazem parte da mesma viagem.
Um patrimônio que ajuda a contar a história da Mata Atlântica
A importância da Costa do Descobrimento vai além da quantidade de espécies.
A Unesco destaca que essas áreas ajudam a revelar processos evolutivos e antigas conexões entre diferentes grandes formações florestais brasileiras.
Por isso, a proteção da região interessa não apenas ao turismo, mas também à ciência e à conservação da biodiversidade.
O reconhecimento internacional ocorreu justamente porque os remanescentes preservados ajudam a representar uma parcela importante da Mata Atlântica que ainda permanece no extremo sul da Bahia e norte do Espírito Santo.
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Como conhecer a Costa do Descobrimento pela natureza
Para quem pretende transformar a próxima viagem em uma experiência de turismo de natureza, alguns caminhos podem entrar no roteiro:
| Experiência | Onde procurar |
|---|---|
| Trilhas na Mata Atlântica | Parque Nacional do Descobrimento |
| Subida ao Monte Pascoal | Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal |
| Etnoturismo | Monte Pascoal e áreas Pataxó |
| Observação de aves | Unidades de conservação da região |
| Praias e rios | Monte Pascoal e litoral próximo |
| História e natureza | Parque Nacional do Pau Brasil |
| Educação ambiental | Centros de visitantes e estruturas das unidades |
Antes de sair, entretanto, é importante consultar as regras atualizadas de cada parque. Horários, necessidade de condutor, acesso a portarias e atividades permitidas podem variar de uma unidade para outra.
A Costa do Descobrimento que aparece quando a praia fica para trás
Portanto, a Costa do Descobrimento ganhou fama pelas praias e pela história do litoral brasileiro. Mas existe uma outra paisagem esperando por quem decide entrar alguns quilômetros além do roteiro tradicional.
São 112 mil hectares de Mata Atlântica e restingas, oito áreas protegidas, centenas de espécies de animais e uma diversidade de árvores que impressiona até em pequenas áreas.
Mais do que um cenário para a viagem, essa floresta é parte do patrimônio natural que fez a Costa do Descobrimento entrar na lista da Unesco.
E talvez essa seja uma das melhores formas de descobrir novamente um destino que o turismo brasileiro conhece há décadas: olhando para a floresta que sempre esteve ali.


