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Você conhece a “Castanha do Maranhão”? Fruto ainda surpreende brasileiros

Quem visita o Nordeste — especialmente estados como Maranhão — pode acabar encontrando em feiras, mercados populares e conversas locais um nome curioso: “Castanha do Maranhão”. Mas muita gente de fora da região não sabe ...
Redação NE9 Nordeste, da Agência NE9
18 de maio de 2026 - às 03:20
Atualizado 18 de maio de 2026 - às 03:20
3 min de leitura

Quem visita o Nordeste — especialmente estados como Maranhão — pode acabar encontrando em feiras, mercados populares e conversas locais um nome curioso: “Castanha do Maranhão”.

Mas muita gente de fora da região não sabe que esse produto tradicional possui uma história própria e nem sempre se trata da famosa castanha-do-pará.

Na verdade, em várias regiões nordestinas, a autêntica “Castanha do Maranhão” é a chamada munguba, fruto da árvore científica Pachira aquatica — também conhecida em alguns lugares como mamorana ou castanheira-d’água.

O que é a Castanha do Maranhão?

A munguba é uma semente retirada de um fruto que lembra pequenos cacaus.

Quando aberta, a fruta revela sementes com sabor que muita gente compara ao:

  • cacau;
  • castanha portuguesa;
  • ou até amendoim cozido.

Ao contrário da castanha-do-pará, que é bastante oleaginosa, a munguba possui textura mais amilácea, lembrando alimentos ricos em amido.

Ela pode ser:

  • cozida;
  • torrada;
  • transformada em farinha;
  • usada em bolos;
  • doces regionais;
  • e receitas artesanais.

Árvore típica de áreas úmidas

Pachira aquatica é uma árvore adaptada a regiões úmidas e aparece bastante em:

  • áreas alagadas;
  • margens de rios;
  • zonas costeiras;
  • cidades do Norte e Nordeste.

Além do uso alimentar, a espécie também é muito utilizada:

  • no paisagismo urbano;
  • em reflorestamento;
  • na arborização de praças e avenidas.

A árvore chama atenção pelo tronco robusto e pelos frutos grandes, que se abrem naturalmente quando maduros.

Alimento tradicional ainda pouco conhecido no Brasil

Apesar de bastante conhecida em partes do Nordeste, a munguba ainda é pouco popular em outras regiões brasileiras.

Em muitos mercados naturais do Sul e Sudeste, por exemplo, o nome “Castanha do Maranhão” costuma aparecer apenas como sinônimo comercial da castanha-do-pará, o que acaba confundindo consumidores.

Mas entre comunidades tradicionais nordestinas, a munguba possui forte presença cultural e alimentar. Em algumas cidades maranhenses e paraenses, ela é consumida:

  • cozida nas ruas;
  • vendida em feiras;
  • usada em receitas caseiras;
  • e até em bebidas artesanais.

Sabor lembra cacau

Um dos pontos mais curiosos da munguba é justamente o sabor. As sementes possuem gosto levemente adocicado e terroso, lembrando o cacau em algumas preparações. Por isso, pesquisadores e produtores artesanais vêm estudando usos gastronômicos alternativos para o fruto, incluindo:

  • farinhas nutritivas;
  • substitutos de cacau;
  • doces regionais;
  • produtos veganos.

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A “Castanha do Maranhão” é mais um exemplo da diversidade alimentar nordestina que ainda permanece pouco conhecida nacionalmente.

Assim como:

  • o babaçu;
  • a mangaba;
  • o bacuri;
  • o umbu;
  • o pequi,
    a munguba faz parte de um patrimônio gastronômico regional preservado principalmente por comunidades locais.

Portanto, nos últimos anos, chefs e pesquisadores vêm ampliando o interesse por ingredientes nativos do Nordeste e da Amazônia, valorizando produtos tradicionais que durante décadas ficaram restritos aos mercados locais.