Quem visita o Nordeste — especialmente estados como Maranhão — pode acabar encontrando em feiras, mercados populares e conversas locais um nome curioso: “Castanha do Maranhão”.
Mas muita gente de fora da região não sabe que esse produto tradicional possui uma história própria e nem sempre se trata da famosa castanha-do-pará.
Na verdade, em várias regiões nordestinas, a autêntica “Castanha do Maranhão” é a chamada munguba, fruto da árvore científica Pachira aquatica — também conhecida em alguns lugares como mamorana ou castanheira-d’água.
O que é a Castanha do Maranhão?

A munguba é uma semente retirada de um fruto que lembra pequenos cacaus.
Quando aberta, a fruta revela sementes com sabor que muita gente compara ao:
- cacau;
- castanha portuguesa;
- ou até amendoim cozido.
Ao contrário da castanha-do-pará, que é bastante oleaginosa, a munguba possui textura mais amilácea, lembrando alimentos ricos em amido.
Ela pode ser:
- cozida;
- torrada;
- transformada em farinha;
- usada em bolos;
- doces regionais;
- e receitas artesanais.
Árvore típica de áreas úmidas
Pachira aquatica é uma árvore adaptada a regiões úmidas e aparece bastante em:
- áreas alagadas;
- margens de rios;
- zonas costeiras;
- cidades do Norte e Nordeste.
Além do uso alimentar, a espécie também é muito utilizada:
- no paisagismo urbano;
- em reflorestamento;
- na arborização de praças e avenidas.
A árvore chama atenção pelo tronco robusto e pelos frutos grandes, que se abrem naturalmente quando maduros.

Alimento tradicional ainda pouco conhecido no Brasil
Apesar de bastante conhecida em partes do Nordeste, a munguba ainda é pouco popular em outras regiões brasileiras.
Em muitos mercados naturais do Sul e Sudeste, por exemplo, o nome “Castanha do Maranhão” costuma aparecer apenas como sinônimo comercial da castanha-do-pará, o que acaba confundindo consumidores.
Mas entre comunidades tradicionais nordestinas, a munguba possui forte presença cultural e alimentar. Em algumas cidades maranhenses e paraenses, ela é consumida:
- cozida nas ruas;
- vendida em feiras;
- usada em receitas caseiras;
- e até em bebidas artesanais.
Sabor lembra cacau
Um dos pontos mais curiosos da munguba é justamente o sabor. As sementes possuem gosto levemente adocicado e terroso, lembrando o cacau em algumas preparações. Por isso, pesquisadores e produtores artesanais vêm estudando usos gastronômicos alternativos para o fruto, incluindo:
- farinhas nutritivas;
- substitutos de cacau;
- doces regionais;
- produtos veganos.

LEIA TAMBÉM:
- Dez motivos para incluir Maranhão e Piauí no seu roteiro turístico
- Cacuriá viraliza nas redes sociais e desperta curiosidade sobre tradição do Maranhão
- Nova espécie de dinossauro é descoberta no Maranhão
- Descubra as cidades que comandam boom da aviação no Nordeste
Nordeste preserva sabores únicos do Brasil
A “Castanha do Maranhão” é mais um exemplo da diversidade alimentar nordestina que ainda permanece pouco conhecida nacionalmente.
Assim como:
- o babaçu;
- a mangaba;
- o bacuri;
- o umbu;
- o pequi,
a munguba faz parte de um patrimônio gastronômico regional preservado principalmente por comunidades locais.
Portanto, nos últimos anos, chefs e pesquisadores vêm ampliando o interesse por ingredientes nativos do Nordeste e da Amazônia, valorizando produtos tradicionais que durante décadas ficaram restritos aos mercados locais.


