Enquanto o Congresso se prepara para uma votação histórica no próximo dia 27, uma região inteira já deu seu veredito: o Nordeste quer mais tempo para viver. Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira (18) mostra que 72% dos nordestinos são a favor do fim da escala 6×1 — o maior índice entre todas as regiões do País.
A princípio, o levantamento ouviu 2.004 pessoas em todo o Brasil entre os dias 8 e 11 de maio. Antes de mais nada, o estudo revela que a pauta trabalhista encontra solo fértil no Nordeste, onde a luta por melhores condições de trabalho tem ecoado forte nas ruas e nas redes sociais.
Apoio regional: Nordeste na frente
A pesquisa mostra que, embora o brasileiro em geral seja majoritariamente favorável ao fim da escala 6×1 (68%), o Nordeste se destaca com o percentual mais expressivo de apoio. Veja na tabela abaixo a comparação entre as regiões:
| Região | A favor | Contra | Não sabe/não respondeu | Nem a favor, nem contra |
|---|---|---|---|---|
| Nordeste | 72% | 16% | 10% | 2% |
| Sudeste | 66% | 24% | 6% | 4% |
| Centro-Oeste/Norte | 66% | 22% | 9% | 3% |
| Sul | 63% | 29% | 6% | 2% |
| Brasil (geral) | 68% | 22% | 7% | 3% |
Apesar de uma leve queda em relação ao pico de julho de 2025 (quando o índice na região chegou a 77%), o número se manteve estável em comparação ao levantamento anterior mais recente, feito em dezembro de 2025. A margem de erro estimada é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Por que o Nordeste abraça tanto o fim da escala 6×1?
Especialistas apontam que a forte presença de trabalhadores do comércio, serviços e da indústria têxtil — setores historicamente marcados pela jornada 6×1 — explica a adesão maciça na região. Para muitos nordestinos, o fim dessa escala significa não apenas um descanso merecido, mas a possibilidade real de conviver mais com a família, estudar ou simplesmente respirar fora do ambiente de trabalho.
O que está em jogo no dia 27?
Em suma, a escala 6×1 deve ser votada na Câmara dos Deputados no próximo dia 27. Segundo informações da Folha de S. Paulo, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o governo entraram em acordo para votar em conjunto o Projeto de Lei de Lula e uma das PECs já em discussão na Casa.
Um dia antes, em 26 de maio, o relatório da PEC será votado na comissão especial que debate a redução da jornada de trabalho.

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Principais mudanças propostas
Projeto de Lei do Governo (PL nº 1838/2026):
- Jornada máxima semanal: 40 horas (hoje são 44)
- Repouso remunerado: dois dias, preferencialmente sábado e domingo
- Padrão semanal: escala 5×2 (8 horas diárias)
- Sem redução de pisos salariais
PEC 148/2015 (deputado Paulo Paim – PT/RS):
- Redução gradual de 44 para 36 horas semanais em 5 anos
- Jornada diária mantida em 8 horas
- Sem perda salarial
- Implementação em 4 etapas (uma por ano)
Assim, com o Nordeste puxando a fila do apoio popular, a expectativa agora se volta para Brasília. Resta saber se os deputados ouvirão o clamor da região que mais precisa — e mais quer — ver o fim da escala 6×1 virar realidade.


