Com 3 anos de idade, Diana integra o Projeto Caralâmpia e visita periodicamente a Maternidade e Hospital da Criança Deputado Alan Sanches, no bairro da Federação. Ao lado de Lútche, um border collie, ela transforma o ambiente hospitalar em um espaço mais acolhedor para pequenos pacientes, acompanhantes e profissionais de saúde.
A missão de Diana
Um encontro com uma cadela pode transformar o dia de uma criança que passa horas ou até dias em um hospital. Na Maternidade e Hospital da Criança Deputado Alan Sanches, no bairro da Federação, em Salvador, Diana, uma golden retriever de 3 anos, tem uma missão especial: levar carinho, brincadeiras e momentos de descontração aos pequenos pacientes.
Ao lado de Lútche, um border collie que também participa das atividades, Diana integra o Projeto Caralâmpia, que promove visitas de cães preparados para interagir com pacientes, acompanhantes e profissionais de saúde.
Na unidade municipal, as atividades acontecem periodicamente na área de internamento infantil e buscam contribuir para o bem-estar e tornar o ambiente hospitalar mais acolhedor.
O caminho até o hospital
Antes de mais nada, o preparo de Diana começou ainda filhote. De acordo com Kíssia Minelli, psicóloga do Serviço Assistido por Cães (SAAT), a golden retriever é de um canil que realiza avaliações de temperamento e saúde. Assim, ela chegou à casa de sua tutora, Maria Luiza, quando tinha 75 dias de vida.
Desde então, passou por um processo de habituação, dessensibilização e treinamento voltado aos serviços assistidos por animais. Ao mesmo tempo, o trabalho é com base no adestramento positivo e tem acompanhamento de profissionais especializados em comportamento animal.
| Etapa | Detalhe |
|---|---|
| Seleção | Canil com avaliação de temperamento e saúde |
| Chegada à tutora | 75 dias de vida |
| Treinamento | Habituação, dessensibilização e adestramento positivo |
| Certificação | Teste do Cão Sociável (7 etapas) |
| Avaliadora | Juíza da Confederação Brasileira de Cinofilia e da Confederação Nacional de Adestramento |
| Idade na certificação | 2 anos |
Ao completar 2 anos, Diana foi submetida ao Teste do Cão Sociável, composto por sete etapas. A avaliação foi conduzida por uma juíza designada pela Confederação Brasileira de Cinofilia e pela Confederação Nacional de Adestramento. A aprovação garantiu à cadela um certificado para atuar no projeto.
Desse modo, Lútche também passou pelo mesmo processo e recebeu a certificação necessária para participar das visitas.
Como o cão ajuda as crianças
No hospital, cada visita tem planejamento de acordo com as condições clínicas e o interesse dos pacientes. A equipe médica e os profissionais responsáveis pela atividade avaliam quem pode participar com segurança, respeitando as necessidades individuais das crianças.
De acordo com Sara Teixeira, gerente médica da maternidade, o contato com os cães pode servir como incentivo para pacientes que passam muito tempo internados e demonstram pouca disposição para sair do leito ou participar de outras atividades.
A princípio, a experiência também pode produzir momentos emocionantes. Kíssia conta que uma criança que costumava permanecer no quarto aceitou sair para dar uma volta pelo corredor na companhia de Diana. Em outra ocasião, a psicóloga presenciou o choro de uma mãe ao perceber que a filha com paralisia cerebral estava sendo estimulada pela presença dos cães.
“Cada história que conhecemos na realização deste trabalho é única e marcante.”
— Kíssia Minelli, psicóloga do SAAT
Segundo a psicóloga, a equipe observa mudanças de humor e maior interação durante as atividades. Os animais também podem funcionar como uma ponte entre profissionais de saúde e pacientes, facilitando a aproximação e a participação das crianças nas propostas de cuidado.
Cuidados com os cães e com os pacientes
Para que as visitas aconteçam, os cães passam por avaliações veterinárias e seguem protocolos sanitários, com vacinação, vermifugação e controle de parasitas em dia. Antes das atividades, recebem banho com xampu à base de clorexidina, produto indicado para uso animal.
O cuidado também inclui o bem-estar dos próprios cães. Segundo Kíssia, a carga de trabalho é limitada a três horas por semana, com no máximo uma hora por dia. Fora do hospital, Diana e os outros animais do projeto têm uma rotina que inclui passeios, brincadeiras, enriquecimento ambiental, contato com a natureza e momentos de lazer.
Onde as visitas acontecem
Dentro da unidade, as visitas podem ocorrer nos quartos de internação infantil que não sejam destinados a isolamento, além de áreas comuns, recepção e setores frequentados pelos funcionários. A entrada nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) é proibida.
A participação de cada criança depende de avaliação da equipe e de autorização dos responsáveis. Pacientes em isolamento de contato ou que apresentem condições que contraindiquem a atividade não recebem os cães.
Benefícios que vão além das crianças
O benefício das atividades não se restringe às crianças. A presença de Diana e Lútche também desperta a curiosidade e o carinho de acompanhantes e profissionais, criando momentos de descontração em meio à rotina hospitalar.
O Projeto Caralâmpia realiza esse trabalho desde 2016. Para Kíssia, os resultados dependem de responsabilidade, estudo e preparo, tanto dos animais quanto dos profissionais que os conduzem.


