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Plano Safra 2026/2027 amplia crédito para o agro e reforça irrigação e sustentabilidade no Nordeste

Nova edição disponibiliza R$ 525,1 bilhões para médios e grandes produtores; irrigação, Semiárido e agricultura sustentável estão entre as prioridades da região O Governo Federal lançou nesta terça-feira (30) o Plano Safra 2026/2027, destinando R$ ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
1 de julho de 2026 - às 01:14
Atualizado 1 de julho de 2026 - às 01:14
5 min de leitura

Nova edição disponibiliza R$ 525,1 bilhões para médios e grandes produtores; irrigação, Semiárido e agricultura sustentável estão entre as prioridades da região

O Governo Federal lançou nesta terça-feira (30) o Plano Safra 2026/2027, destinando R$ 525,1 bilhões em crédito para médios e grandes produtores rurais.

Considerada a maior edição voltada à agricultura empresarial, a nova safra amplia os recursos em R$ 9 bilhões em relação ao ciclo anterior e traz novidades que beneficiam especialmente o Nordeste, como incentivos à irrigação, práticas sustentáveis e gestão de riscos climáticos.

A expectativa é que os recursos fortaleçam uma região onde o agronegócio vem ganhando espaço ao lado da agricultura familiar, principalmente em polos irrigados como o Vale do São Francisco, o Matopiba e áreas produtoras de frutas, grãos, algodão, café e pecuária.

Nordeste deve ser um dos principais beneficiados

Embora o Plano Safra tenha abrangência nacional, várias das linhas anunciadas dialogam diretamente com a realidade nordestina.

Entre os investimentos prioritários estão:

  • expansão da irrigação;
  • modernização tecnológica;
  • armazenagem da produção;
  • recuperação de áreas produtivas;
  • aquisição de máquinas e equipamentos;
  • incentivo às boas práticas ambientais;
  • fortalecimento da gestão de riscos climáticos.

Essas ações atendem demandas históricas do Semiárido, onde o acesso à água e o aumento da produtividade são considerados estratégicos para o crescimento do setor agropecuário.

Crédito supera R$ 525 bilhões

O novo Plano Safra será dividido entre recursos para custeio da produção e investimentos.

DestinaçãoValor
Custeio e comercializaçãoR$ 384,9 bilhões
InvestimentosR$ 140,2 bilhões
TotalR$ 525,1 bilhões

Os financiamentos poderão ser utilizados para despesas da produção agrícola, compra de insumos, irrigação, armazenagem, inovação tecnológica, geração de energia e modernização das propriedades rurais.

Vale do São Francisco deve seguir entre os destaques

Um dos principais beneficiados no Nordeste tende a ser o polo irrigado do Vale do São Francisco, que reúne municípios da Bahia e Pernambuco.

A região é uma das maiores exportadoras brasileiras de manga, uva, vinhos e frutas tropicais.

Os investimentos em irrigação e armazenagem previstos pelo Plano Safra podem ampliar ainda mais a competitividade desses produtos nos mercados nacional e internacional.

Matopiba também ganha impulso

Outra região estratégica é o Matopiba, fronteira agrícola formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

Nos últimos anos, a região se consolidou entre as principais produtoras brasileiras de soja, milho, algodão, sorgo.

Com juros menores e maior disponibilidade de crédito, produtores devem ampliar investimentos em tecnologia, mecanização e infraestrutura.

Juros menores para médios produtores

Uma das novidades é a redução da taxa máxima do Pronamp, programa voltado aos médios produtores.

Em 2026/2027 serão disponibilizados: R$ 72,6 bilhões ejuros máximos de 9% ao ano. Segundo o governo, a redução busca ampliar a capacidade de investimento e facilitar o planejamento da produção.

Sustentabilidade passa a valer desconto nos juros

O Plano Safra também amplia os incentivos ambientais. Produtores que possuírem:

  • Cadastro Ambiental Rural (CAR) regularizado;
  • certificações ambientais;
  • boas práticas agropecuárias,

poderão obter redução de até 1 ponto percentual nas taxas de financiamento.

A medida estimula práticas sustentáveis sem comprometer a competitividade da produção.

Mais proteção contra secas e eventos extremos

Outro foco importante para o Nordeste é a ampliação dos mecanismos de proteção climática.

O governo pretende incentivar a contratação do:

  • Seguro Rural;
  • Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro).

A proposta busca reduzir os impactos financeiros provocados por secas prolongadas, enchentes e outros eventos climáticos extremos, cada vez mais frequentes no Semiárido brasileiro.

Agronegócio cresce na economia nordestina

Nos últimos anos, estados nordestinos ampliaram significativamente sua participação na produção agropecuária nacional.

Entre os destaques estão:

EstadoPrincipais cadeias produtivas
BahiaSoja, algodão, frutas e café
MaranhãoSoja, milho e pecuária
PiauíSoja, milho e algodão
PernambucoFruticultura irrigada
CearáFruticultura e pecuária
Rio Grande do NorteMelão, frutas e camarão
ParaíbaCana, frutas e pecuária
SergipeMilho, laranja e pecuária
AlagoasCana-de-açúcar e pecuária

A combinação entre crédito, tecnologia e sustentabilidade deve impulsionar novos investimentos na região.

Agro Nordestino foto Banco do Nordeste
Agro Nordestino foto Banco do Nordeste

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Durante o lançamento, o presidente em exercício, Geraldo Alckmin, destacou que o agronegócio foi responsável por crescimento de 11,7% do PIB em 2025.

Já o ministro da Agricultura, André de Paula, ressaltou que o setor representa cerca de um quarto da economia brasileira, responde por um em cada quatro empregos do país e movimentou aproximadamente US$ 169 bilhões em exportações no último ano.

Para o Nordeste, a expectativa é que o novo Plano Safra contribua para ampliar a produtividade, fortalecer os polos irrigados, estimular investimentos em tecnologia e aumentar a resiliência da produção diante dos desafios climáticos característicos da região.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.