Estado responde por 99,4% da produção nordestina, mas outras áreas de altitude mantêm tradição e potencial para cafés especiais
O Nordeste também produz café — e em uma escala muito maior do que muita gente imagina. A Bahia concentra praticamente toda a produção regional, mas o cultivo também encontra condições favoráveis em áreas serranas do Ceará, Pernambuco e até da Paraíba.
Dados reunidos no novo Painel Café em Números, da Embrapa, mostram que a Bahia respondeu por 99,4% de todo o café produzido no Nordeste em 2024. O estado colheu aproximadamente 3,65 milhões de sacas de 60 quilos, enquanto a produção de toda a região chegou a cerca de 3,67 milhões de sacas.
O tamanho da liderança baiana é tão grande que os demais estados aparecem com volumes muito menores. Pernambuco produziu 9,55 mil sacas e o Ceará, 8,5 mil sacas em 2024.
Onde o café também vai bem no Nordeste?
Apesar da concentração na Bahia, existem bolsões de produção em áreas de maior altitude, onde temperatura, umidade e características do solo favorecem principalmente o café arábica.
Bahia lidera com diferentes regiões produtoras

Dentro do próprio estado, a cafeicultura está distribuída por diferentes ambientes. O Planalto da Bahia é uma das principais áreas para o café arábica, enquanto regiões como o Cerrado e o litoral atlântico se destacam na produção.
O litoral baiano tem forte presença do café conilon, enquanto o Planalto da Conquista e a Chapada Diamantina estão entre as áreas produtoras de arábica. Em 2025, a Bahia era apontada como o quarto maior produtor de café do Brasil.
Serra de Baturité mantém tradição no Ceará
No Ceará, o principal exemplo está na Serra de Baturité. Municípios como Guaramiranga, Mulungu, Pacoti e Baturité possuem tradição na produção de café arábica cultivado em áreas serranas.
A região ganhou ainda mais destaque em 2026 ao conquistar Indicação Geográfica (IG), na modalidade Indicação de Procedência, reconhecimento que valoriza a produção histórica de café arábica de montanha e os sistemas sustentáveis utilizados pelos produtores.
A altitude e o clima mais ameno diferenciam o café da serra cearense. Produtores e instituições locais também trabalham para ampliar a qualidade, a comercialização e o chamado turismo de experiência ligado à cafeicultura.
Pernambuco também tem áreas produtoras

Pernambuco aparece entre os estados nordestinos com produção registrada pela Embrapa. Embora o volume seja pequeno diante da Bahia, áreas de altitude do Agreste e de outras regiões serranas oferecem condições para o cultivo.
Contudo, a produção pernambucana também se beneficia de uma característica comum aos principais polos de café fora da Bahia: temperaturas mais amenas provocadas pela altitude.
Em 2024, o estado produziu cerca de 9,55 mil sacas, ficando atrás da Bahia e à frente do Ceará no levantamento regional.
E a Paraíba? O Brejo tenta recuperar a tradição

Na Paraíba, o Brejo Paraibano é uma das regiões que apresentam potencial para a cafeicultura justamente por suas condições climáticas diferenciadas.
A Universidade Federal da Paraíba mantém pesquisas sobre o resgate da cafeicultura no Brejo Paraibano, avaliando produtividade e possibilidades de recuperação da atividade na região.
A produção paraibana ainda está muito distante dos grandes números da Bahia, mas o cenário mostra que o café pode encontrar espaço em áreas específicas do estado, especialmente em regiões serranas.
Café no Nordeste
| Estado/região | Situação da cafeicultura | Destaque |
|---|---|---|
| Bahia | ⭐ Principal produtor | Arábica, conilon e produção em diferentes regiões |
| Ceará | 🌿 Produção tradicional | Serra de Baturité e cafés arábica de montanha |
| Pernambuco | 🌱 Produção menor | Áreas de altitude e regiões serranas |
| Paraíba | 🌱 Potencial e resgate | Brejo Paraibano |
| Demais estados | ☕ Produção pequena | Cultivos pontuais |
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Assim, a diferença de escala é expressiva: somente a Bahia respondeu por 99,4% do café produzido no Nordeste em 2024.
Nordeste tem espaço para cafés especiais
A concentração da produção na Bahia não significa que o café nordestino esteja limitado à produção em grande escala. Pelo contrário. As regiões serranas podem encontrar justamente no café especial uma oportunidade de agregar valor, em vez de competir apenas por volume.
Afinal, a Serra de Baturité é um exemplo dessa estratégia. O reconhecimento de Indicação Geográfica ajuda a associar o produto ao território e pode ampliar oportunidades comerciais e turísticas.
Portanto, enquanto a Bahia domina a produção nordestina em quantidade, Ceará, Pernambuco e Paraíba mostram que o café também encontrou espaço em diferentes “ilhas de clima” do Nordeste, principalmente onde a altitude cria condições mais favoráveis para a cultura.


