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Senador de Sergipe pode ficar inelegível após ação movida por Gilmar Mendes; caso amplia tensão entre Legislativo e STF

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), representante de Sergipe no Congresso Nacional, passou a ocupar o centro de mais um capítulo do embate entre integrantes do Legislativo e do Supremo Tribunal Federal (STF). A Procuradoria-Geral da ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
21 de julho de 2026 - às 07:06
Atualizado 21 de julho de 2026 - às 07:06
4 min de leitura
Senador Alessandro Vieira (MDB-SE) FOTO Waldemir Barreto Agência Senado
Senador Alessandro Vieira (MDB-SE) FOTO Waldemir Barreto Agência Senado

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), representante de Sergipe no Congresso Nacional, passou a ocupar o centro de mais um capítulo do embate entre integrantes do Legislativo e do Supremo Tribunal Federal (STF). A Procuradoria-Geral da República (PGR) encaminhou à Procuradoria Regional Eleitoral de Sergipe uma representação que pode resultar em investigação por abuso de poder político e, em última instância, até em uma ação de inelegibilidade.

A princípio, a medida foi tomada após manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, em resposta à representação apresentada pelo ministro Gilmar Mendes, do STF.

Entenda o caso

Alessandro Vieira na CPI do Crime Organizado foto Agência Senado

O episódio tem origem na CPI do Crime Organizado, da qual Alessandro Vieira foi relator.

Durante a apresentação de seu relatório, o senador pediu o indiciamento dos ministros do STF Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além do próprio procurador-geral da República, Paulo Gonet.

No documento, Vieira alegou que os magistrados teriam atuado politicamente em investigações relacionadas ao Banco Master e questionou a atuação dos ministros em processos nos quais, segundo ele, haveria impedimentos ou suspeições.

O relatório, entretanto, foi rejeitado pela comissão.

PGR vê possível abuso de poder político

Ao analisar a representação apresentada por Gilmar Mendes, o procurador-geral Paulo Gonet concluiu que há indícios de que Alessandro Vieira possa ter utilizado sua função de relator da CPI para objetivos alheios à finalidade da comissão.

Segundo o despacho, houve possível:

  • abuso de poder político;
  • desvio de finalidade;
  • eventual infração à legislação eleitoral.

Na avaliação da PGR, o pedido de indiciamento extrapolou o objeto da CPI e poderia ter sido utilizado como instrumento de promoção política.

Por esse motivo, Gonet encaminhou o caso à Procuradoria Regional Eleitoral de Sergipe, responsável por avaliar se há elementos para adoção de medidas no âmbito da Justiça Eleitoral.

O senador reage e fala em intimidação

Alessandro Vieira contestou a decisão da PGR e afirmou que a iniciativa representa uma tentativa de intimidar parlamentares.

Em manifestação publicada nas redes sociais, o senador classificou o caso como:

“Mais uma tentativa absurda e ilegal de intimidação contra um parlamentar honesto e independente por conta de um voto/relatório proferido nas dependências do Senado.”

Vieira também afirmou que enfrentará eventual ação judicial e sustenta que sua atuação está protegida pela imunidade parlamentar, prevista na Constituição Federal para opiniões, palavras e votos emitidos no exercício do mandato.

Pode haver inelegibilidade?

Neste momento, Alessandro Vieira não está inelegível.

O encaminhamento feito pela PGR não representa uma condenação nem abertura automática de processo eleitoral.

Na prática, a Procuradoria Eleitoral de Sergipe irá analisar o caso e decidir se há fundamentos para propor uma ação perante a Justiça Eleitoral.

Somente se houver:

  1. abertura de ação;
  2. julgamento;
  3. condenação definitiva pelos órgãos competentes;

é que poderá surgir eventual consequência eleitoral, incluindo uma possível declaração de inelegibilidade, conforme as hipóteses previstas na legislação eleitoral.

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Caso amplia tensão entre os Poderes

O episódio ocorre em meio a uma sequência de confrontos institucionais envolvendo integrantes do Congresso Nacional e ministros do Supremo Tribunal Federal.

Afinal, nos últimos anos, temas como CPIs, decisões judiciais, limites da imunidade parlamentar, prerrogativas dos Poders e atuação da Justiça Eleitoral passaram a ocupar o centro do debate político nacional.

Agora, o caso envolvendo um senador nordestino adiciona um novo capítulo a esse cenário, que deverá continuar sendo acompanhado tanto pelo Judiciário quanto pelo Congresso.

Cronologia do caso

DataFato
Abril de 2026Alessandro Vieira apresenta relatório da CPI do Crime Organizado pedindo o indiciamento de ministros do STF e do procurador-geral da República.
Abril de 2026O relatório é rejeitado pela CPI.
Após a apresentaçãoGilmar Mendes apresenta representação contra o senador.
Julho de 2026A PGR entende que pode haver abuso de poder político e encaminha o caso à Procuradoria Eleitoral de Sergipe.
Próxima etapaA Procuradoria Eleitoral decidirá se adota ou não medidas na Justiça Eleitoral.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.