A Costa do Descobrimento é conhecida pelas praias de Porto Seguro, Arraial d’Ajuda, Trancoso, Caraíva e outros destinos do litoral sul da Bahia. Mas quem olha apenas para o mar acaba deixando de lado uma parte importante da região.
Entre o sul da Bahia e o norte do Espírito Santo, oito áreas protegidas formam as Reservas de Mata Atlântica da Costa do Descobrimento, reconhecidas como Patrimônio Mundial Natural pela Unesco desde 1999.
O conjunto protege cerca de 112 mil hectares de florestas e restingas e reúne três parques nacionais, duas reservas biológicas federais e outras três áreas protegidas.
A princípio, para o turista, isso abre outra possibilidade de viagem: combinar praia, Mata Atlântica, trilhas, história e cultura indígena.
Confira cinco lugares que ajudam a conhecer esse outro lado da Costa do Descobrimento
1. Parque Nacional do Pau Brasil, em Porto Seguro
Quem chega a Porto Seguro normalmente pensa primeiro nas praias, no centro histórico e no movimento turístico da cidade.
Mas o município também abriga uma das áreas protegidas que integram o Patrimônio Mundial da Costa do Descobrimento: o Parque Nacional do Pau Brasil.
A unidade protege importantes remanescentes de Mata Atlântica e possui um Centro de Visitantes com a exposição permanente “O Berço do Brasil Original”. Com isso, ela apresenta aspectos da história do contato entre portugueses e povos indígenas ocorrido na região em 1500.
Sendo assim, o espaço também apresenta informações sobre a fauna, a flora e a relação entre natureza, cultura e comunidades do entorno.
Por que colocar no roteiro?
Porque permite acrescentar uma experiência de natureza a uma viagem tradicional para Porto Seguro.
Em vez de conhecer apenas o litoral, o visitante pode incluir uma área de Mata Atlântica protegida dentro do mesmo destino.
2. Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal
Se existe um lugar capaz de reunir paisagem, floresta, história e cultura indígena em uma mesma experiência, é o Monte Pascoal.
O parque protege o próprio monte e áreas de Mata Atlântica do extremo sul baiano. Além disso, a unidade possui relação direta com o território Pataxó.
O ICMBio informa que o parque oferece trilhas, praias, rios, observação de fauna e flora, passeios de barco, atividades culturais, etnoturismo e experiências ligadas ao modo de vida das comunidades Pataxó.
A principal trilha do setor florestal é a Subida ao Monte Pascoal. Também existem outros percursos, como as trilhas do Jequitibá, Lugar Sagrado, Juerana e Araponga.
Uma informação importante para o visitante
O acesso às trilhas exige acompanhamento de condutor indígena.
O parque funciona todos os dias. Para a Trilha do Monte Pascoal, a entrada ocorre entre 7h e 14h; para os demais atrativos, entre 7h e 15h, com saída até as 17h. O parque não cobra ingresso, mas o acompanhamento do condutor indígena é obrigatório.
Além das trilhas, o setor litorâneo permite experiências em praias, rios, manguezais e comunidades Pataxó.
3. Parque Nacional do Descobrimento, em Prado
Prado já é conhecido pelas praias, mas o município também guarda uma enorme área de Mata Atlântica.
O Parque Nacional do Descobrimento possui 22.607,74 hectares e protege um dos grandes remanescentes de Mata Atlântica sobre os Tabuleiros Costeiros do Brasil.
A unidade fica integralmente em Prado e também mantém relação com comunidades Pataxó. O ICMBio informa que o parque integra o Patrimônio Mundial Natural da Unesco e o Corredor Central da Mata Atlântica.
O local, portanto, permite construir uma viagem diferente por Prado:
praia + floresta + história + cultura indígena.
Um dos maiores remanescentes da região
O Parque Nacional do Descobrimento foi criado em 1999 e ampliado em 2012. Além da floresta, a unidade protege áreas como muçunungas, campos nativos e outras formações associadas à Mata Atlântica.
Para quem gosta de turismo de natureza, o parque pode entrar no planejamento de uma viagem pelo extremo sul da Bahia, sempre com consulta prévia às condições e regras de visitação.
4. Reserva Biológica de Una: um lugar que nem todo turista pode visitar

Aqui existe uma diferença importante.
A Reserva Biológica de Una, no sul da Bahia, também integra as Reservas de Mata Atlântica da Costa do Descobrimento. A unidade possui 18.715,06 hectares e protege importantes áreas de Mata Atlântica e espécies ameaçadas.
Mas ela não funciona como um parque turístico convencional.
As reservas biológicas têm como objetivo principal a preservação integral da biota e dos atributos naturais. Por isso, a visitação pública é proibida, salvo situações educacionais previstas em regulamento específico.
Então por que ela aparece nesta lista?
Justamente para mostrar ao turista que o Patrimônio Mundial da Costa do Descobrimento não significa que todas as áreas estejam abertas para passeios.
Alguns lugares existem para serem conhecidos e visitados. Outros precisam permanecer protegidos para garantir a conservação da floresta e das espécies que vivem nela.
A Reserva Biológica de Una é um exemplo dessa segunda situação.
5. Um roteiro que combina praia, floresta e cultura
A quinta experiência não é uma unidade de conservação específica, mas uma forma diferente de conhecer a região.
A localização das áreas protegidas permite montar um roteiro pelo extremo sul da Bahia combinando diferentes experiências.
Uma possibilidade é partir de Porto Seguro, passar por Santa Cruz Cabrália e seguir em direção a Prado, incluindo os parques e atrativos que estiverem disponíveis para visitação no período da viagem.
Um roteiro possível
Porto Seguro
↓
Parque Nacional do Pau Brasil
↓
Santa Cruz Cabrália e litoral
↓
Monte Pascoal
↓
Prado
↓
Parque Nacional do Descobrimento
A proposta é trocar um roteiro exclusivamente litorâneo por uma viagem que combine diferentes paisagens.
De um lado, aparecem as praias e os destinos turísticos tradicionais. Do outro, entram a Mata Atlântica, as trilhas, os rios, as montanhas e as experiências relacionadas à cultura Pataxó.
O próprio Ministério do Turismo destaca justamente essa possibilidade de combinar as áreas naturais com praias e outros atrativos dos municípios próximos.
A Costa do Descobrimento tem muito mais do que praia
A dimensão da biodiversidade ajuda a entender o tamanho desse patrimônio.
Em alguns trechos das reservas, já foram identificadas mais de 450 espécies de árvores em uma área equivalente a um campo de futebol.
A região também reúne registros de 261 espécies de mamíferos, 620 de aves, 280 de anfíbios e 200 de répteis. Muitas espécies são endêmicas ou estão ameaçadas de extinção.
Isso significa que uma viagem pela Costa do Descobrimento pode assumir diferentes formatos.
Para quem gosta de praia
O litoral continua sendo o principal atrativo.
Para quem gosta de natureza
As unidades de conservação acrescentam trilhas, florestas, rios, fauna e flora ao roteiro.
Para quem gosta de história
O Monte Pascoal, o Parque Nacional do Pau Brasil e outros pontos da região ajudam a contar a história da chegada dos portugueses e das populações indígenas.
Para quem procura experiências culturais
O contato com comunidades e experiências Pataxó aparece especialmente no território do Monte Pascoal. O ICMBio destaca atividades de etnoturismo, manifestações culturais, culinária, artesanato e vivências comunitárias.
Antes de viajar, confira as regras de cada unidade
Esse é um ponto importante para quem pretende transformar a lista em roteiro. As oito áreas que formam o Patrimônio Mundial possuem regras diferentes de visitação.
O Ministério do Turismo recomenda consultar previamente horários, condições de acesso e regras de cada unidade. Algumas permitem atividades turísticas, enquanto outras possuem acesso restrito à conservação e à pesquisa.
No Monte Pascoal, por exemplo, o acompanhamento de condutor indígena é obrigatório para os atrativos.
Já a Reserva Biológica de Una tem visitação pública restrita. Por isso, não basta simplesmente colocar todas as áreas no GPS e sair para conhecer. O planejamento faz parte da experiência.

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Uma nova forma de descobrir a Costa do Descobrimento
A Costa do Descobrimento continua sendo um dos grandes destinos de praia do Brasil.
Mas o reconhecimento da Unesco mostra que existe outra dimensão nesse território. São cerca de 112 mil hectares de Mata Atlântica e restingas, distribuídos por oito áreas protegidas entre Bahia e Espírito Santo.
Sendo assim, para o turista, isso significa que uma viagem pela região pode ir muito além do roteiro tradicional.
Portanto, pode começar na praia, entrar na floresta, passar por uma montanha, encontrar comunidades Pataxó e terminar novamente diante do mar.
Afinal, na Costa do Descobrimento, conhecer a Bahia também pode significar sair da areia e entrar na Mata Atlântica.


