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5 lugares para conhecer na Costa do Descobrimento além das praias

Conheça 5 lugares e experiências na Costa do Descobrimento que vão além das praias, com Mata Atlântica, trilhas, Monte Pascoal e cultura Pataxó.
Eliseu Lins, da Agência NE9
24 de setembro de 2026 - às 07:01
Atualizado 24 de setembro de 2026 - às 07:01
9 min de leitura

A Costa do Descobrimento é conhecida pelas praias de Porto Seguro, Arraial d’Ajuda, Trancoso, Caraíva e outros destinos do litoral sul da Bahia. Mas quem olha apenas para o mar acaba deixando de lado uma parte importante da região.

Entre o sul da Bahia e o norte do Espírito Santo, oito áreas protegidas formam as Reservas de Mata Atlântica da Costa do Descobrimento, reconhecidas como Patrimônio Mundial Natural pela Unesco desde 1999.

O conjunto protege cerca de 112 mil hectares de florestas e restingas e reúne três parques nacionais, duas reservas biológicas federais e outras três áreas protegidas.

A princípio, para o turista, isso abre outra possibilidade de viagem: combinar praia, Mata Atlântica, trilhas, história e cultura indígena.

Confira cinco lugares que ajudam a conhecer esse outro lado da Costa do Descobrimento

1. Parque Nacional do Pau Brasil, em Porto Seguro

Quem chega a Porto Seguro normalmente pensa primeiro nas praias, no centro histórico e no movimento turístico da cidade.

Mas o município também abriga uma das áreas protegidas que integram o Patrimônio Mundial da Costa do Descobrimento: o Parque Nacional do Pau Brasil.

A unidade protege importantes remanescentes de Mata Atlântica e possui um Centro de Visitantes com a exposição permanente “O Berço do Brasil Original”. Com isso, ela apresenta aspectos da história do contato entre portugueses e povos indígenas ocorrido na região em 1500.

Sendo assim, o espaço também apresenta informações sobre a fauna, a flora e a relação entre natureza, cultura e comunidades do entorno.

Por que colocar no roteiro?

Porque permite acrescentar uma experiência de natureza a uma viagem tradicional para Porto Seguro.

Em vez de conhecer apenas o litoral, o visitante pode incluir uma área de Mata Atlântica protegida dentro do mesmo destino.

2. Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal

Se existe um lugar capaz de reunir paisagem, floresta, história e cultura indígena em uma mesma experiência, é o Monte Pascoal.

O parque protege o próprio monte e áreas de Mata Atlântica do extremo sul baiano. Além disso, a unidade possui relação direta com o território Pataxó.

O ICMBio informa que o parque oferece trilhas, praias, rios, observação de fauna e flora, passeios de barco, atividades culturais, etnoturismo e experiências ligadas ao modo de vida das comunidades Pataxó.

A principal trilha do setor florestal é a Subida ao Monte Pascoal. Também existem outros percursos, como as trilhas do Jequitibá, Lugar Sagrado, Juerana e Araponga.

Uma informação importante para o visitante

O acesso às trilhas exige acompanhamento de condutor indígena.

O parque funciona todos os dias. Para a Trilha do Monte Pascoal, a entrada ocorre entre 7h e 14h; para os demais atrativos, entre 7h e 15h, com saída até as 17h. O parque não cobra ingresso, mas o acompanhamento do condutor indígena é obrigatório.

Além das trilhas, o setor litorâneo permite experiências em praias, rios, manguezais e comunidades Pataxó.

3. Parque Nacional do Descobrimento, em Prado

Prado já é conhecido pelas praias, mas o município também guarda uma enorme área de Mata Atlântica.

O Parque Nacional do Descobrimento possui 22.607,74 hectares e protege um dos grandes remanescentes de Mata Atlântica sobre os Tabuleiros Costeiros do Brasil.

A unidade fica integralmente em Prado e também mantém relação com comunidades Pataxó. O ICMBio informa que o parque integra o Patrimônio Mundial Natural da Unesco e o Corredor Central da Mata Atlântica.

O local, portanto, permite construir uma viagem diferente por Prado:

praia + floresta + história + cultura indígena.

Um dos maiores remanescentes da região

O Parque Nacional do Descobrimento foi criado em 1999 e ampliado em 2012. Além da floresta, a unidade protege áreas como muçunungas, campos nativos e outras formações associadas à Mata Atlântica.

Para quem gosta de turismo de natureza, o parque pode entrar no planejamento de uma viagem pelo extremo sul da Bahia, sempre com consulta prévia às condições e regras de visitação.

4. Reserva Biológica de Una: um lugar que nem todo turista pode visitar

Reserva Biológica de Una

Aqui existe uma diferença importante.

A Reserva Biológica de Una, no sul da Bahia, também integra as Reservas de Mata Atlântica da Costa do Descobrimento. A unidade possui 18.715,06 hectares e protege importantes áreas de Mata Atlântica e espécies ameaçadas.

Mas ela não funciona como um parque turístico convencional.

As reservas biológicas têm como objetivo principal a preservação integral da biota e dos atributos naturais. Por isso, a visitação pública é proibida, salvo situações educacionais previstas em regulamento específico.

Então por que ela aparece nesta lista?

Justamente para mostrar ao turista que o Patrimônio Mundial da Costa do Descobrimento não significa que todas as áreas estejam abertas para passeios.

Alguns lugares existem para serem conhecidos e visitados. Outros precisam permanecer protegidos para garantir a conservação da floresta e das espécies que vivem nela.

A Reserva Biológica de Una é um exemplo dessa segunda situação.

5. Um roteiro que combina praia, floresta e cultura

A quinta experiência não é uma unidade de conservação específica, mas uma forma diferente de conhecer a região.

A localização das áreas protegidas permite montar um roteiro pelo extremo sul da Bahia combinando diferentes experiências.

Uma possibilidade é partir de Porto Seguro, passar por Santa Cruz Cabrália e seguir em direção a Prado, incluindo os parques e atrativos que estiverem disponíveis para visitação no período da viagem.

Um roteiro possível

Porto Seguro

Parque Nacional do Pau Brasil

Santa Cruz Cabrália e litoral

Monte Pascoal

Prado

Parque Nacional do Descobrimento

A proposta é trocar um roteiro exclusivamente litorâneo por uma viagem que combine diferentes paisagens.

De um lado, aparecem as praias e os destinos turísticos tradicionais. Do outro, entram a Mata Atlântica, as trilhas, os rios, as montanhas e as experiências relacionadas à cultura Pataxó.

O próprio Ministério do Turismo destaca justamente essa possibilidade de combinar as áreas naturais com praias e outros atrativos dos municípios próximos.

A Costa do Descobrimento tem muito mais do que praia

A dimensão da biodiversidade ajuda a entender o tamanho desse patrimônio.

Em alguns trechos das reservas, já foram identificadas mais de 450 espécies de árvores em uma área equivalente a um campo de futebol.

A região também reúne registros de 261 espécies de mamíferos, 620 de aves, 280 de anfíbios e 200 de répteis. Muitas espécies são endêmicas ou estão ameaçadas de extinção.

Isso significa que uma viagem pela Costa do Descobrimento pode assumir diferentes formatos.

Para quem gosta de praia

O litoral continua sendo o principal atrativo.

Para quem gosta de natureza

As unidades de conservação acrescentam trilhas, florestas, rios, fauna e flora ao roteiro.

Para quem gosta de história

O Monte Pascoal, o Parque Nacional do Pau Brasil e outros pontos da região ajudam a contar a história da chegada dos portugueses e das populações indígenas.

Para quem procura experiências culturais

O contato com comunidades e experiências Pataxó aparece especialmente no território do Monte Pascoal. O ICMBio destaca atividades de etnoturismo, manifestações culturais, culinária, artesanato e vivências comunitárias.

Antes de viajar, confira as regras de cada unidade

Esse é um ponto importante para quem pretende transformar a lista em roteiro. As oito áreas que formam o Patrimônio Mundial possuem regras diferentes de visitação.

O Ministério do Turismo recomenda consultar previamente horários, condições de acesso e regras de cada unidade. Algumas permitem atividades turísticas, enquanto outras possuem acesso restrito à conservação e à pesquisa.

No Monte Pascoal, por exemplo, o acompanhamento de condutor indígena é obrigatório para os atrativos.

Já a Reserva Biológica de Una tem visitação pública restrita. Por isso, não basta simplesmente colocar todas as áreas no GPS e sair para conhecer. O planejamento faz parte da experiência.

Monte PAscoal foto entreparquesbr.com.br
Monte PAscoal foto entreparquesbr.com.br

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A Costa do Descobrimento continua sendo um dos grandes destinos de praia do Brasil.

Mas o reconhecimento da Unesco mostra que existe outra dimensão nesse território. São cerca de 112 mil hectares de Mata Atlântica e restingas, distribuídos por oito áreas protegidas entre Bahia e Espírito Santo.

Sendo assim, para o turista, isso significa que uma viagem pela região pode ir muito além do roteiro tradicional.

Portanto, pode começar na praia, entrar na floresta, passar por uma montanha, encontrar comunidades Pataxó e terminar novamente diante do mar.

Afinal, na Costa do Descobrimento, conhecer a Bahia também pode significar sair da areia e entrar na Mata Atlântica.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.