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Ceará se une a NASA em tratamento inédito de doença rara

Pesquisa da Uece avança para fase clínica e traz esperança para crianças com síndrome de Rett A ciência produzida no Nordeste acaba de dar um passo histórico. A Universidade Estadual do Ceará (Uece) inicia, nesta ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
28 de abril de 2026 - às 07:54
Atualizado 28 de abril de 2026 - às 07:54
3 min de leitura

Pesquisa da Uece avança para fase clínica e traz esperança para crianças com síndrome de Rett

A ciência produzida no Nordeste acaba de dar um passo histórico. A Universidade Estadual do Ceará (Uece) inicia, nesta terça-feira (29), a aplicação de um tratamento inédito para crianças com síndrome de Rett — uma doença genética rara que afeta principalmente meninas.

Além disso, o estudo conta com parcerias internacionais de peso, como a Universidade de San Diego e a NASA, o que reforça ainda mais a relevância da pesquisa.

Tratamento inovador usa medicamento já disponível no SUS

O tratamento será realizado com o uso controlado da lamivudina, um antiviral já distribuído gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde.

Nesse sentido, a escolha do medicamento chama atenção justamente por seu potencial de baixo custo e ampla acessibilidade. Ao mesmo tempo, os resultados iniciais — tanto em laboratório quanto em testes pré-clínicos — foram considerados bastante promissores.

Pesquisa é pioneira no mundo

De acordo com a coordenadora do estudo, a professora Denise Carvalho, esta é a primeira iniciativa do tipo registrada globalmente.

Segundo ela, as famílias selecionadas já passaram por critérios rigorosos e aprovação do Comitê de Ética. Dessa forma, o início do tratamento marca uma nova fase da pesquisa.

Além disso, a síndrome de Rett apresenta sintomas complexos, como autismo, convulsões, perda da fala e atraso no desenvolvimento — o que torna qualquer avanço ainda mais relevante.

Pesquisa teve etapa realizada no espaço

Um dos pontos mais surpreendentes do estudo envolve sua conexão com o espaço. Isso porque células de pacientes com a síndrome foram enviadas para a Estação Espacial Internacional.

Nesse ambiente de microgravidade, o envelhecimento celular ocorre de forma acelerada. Com isso, os pesquisadores conseguiram observar, em poucas semanas, fenômenos que levariam anos na Terra.

Posteriormente, ao retornarem, essas células apresentaram recuperação significativa após o uso da lamivudina — resultado que impulsionou a continuidade do estudo.

Nova fase testa tratamento em pacientes

Agora, após avanços nas fases iniciais, a pesquisa entra na etapa de ensaio clínico com pacientes diagnosticados geneticamente com a síndrome.

Vale destacar que os participantes foram selecionados ainda em 2025, o que garante maior controle e precisão científica nesta nova fase.

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Expectativa é mudar a história da doença

A expectativa dos pesquisadores é alta. Segundo a coordenação, o objetivo é:

  • Reduzir convulsões
  • Melhorar o desenvolvimento neurológico
  • Diminuir sintomas comportamentais
  • Aumentar a qualidade de vida

Além disso, caso os resultados sejam positivos, o projeto poderá ser ampliado para todo o Brasil e, posteriormente, para outros países.

Portanto, para as famílias envolvidas, o estudo representa mais do que ciência: é esperança. Ao mesmo tempo, para a universidade pública nordestina, trata-se de uma demonstração clara de capacidade de produzir ciência de ponta com impacto global.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.