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Saiba tudo sobre as mudanças e o reajuste do Bolsa Família

O governo do presidente Lula anunciou nesta quinta-feira (17) o aumento do valor mínimo pago pelo Bolsa Família, de R$ 600 para R$ 691. A princípio, o reajuste é de 15%. Esta é a primeira ...
REDAÇÃO ELISEU, da Agência NE9
18 de setembro de 2026 - às 08:20
Atualizado 18 de setembro de 2026 - às 08:20
4 min de leitura

O governo do presidente Lula anunciou nesta quinta-feira (17) o aumento do valor mínimo pago pelo Bolsa Família, de R$ 600 para R$ 691. A princípio, o reajuste é de 15%. Esta é a primeira atualização do piso do programa desde o relançamento da iniciativa, em março de 2023.

Quanto vou receber com o aumento?

Antes de mais nada, a resposta exata depende da composição familiar. Com a mudança, o Bolsa Família passa a prever o pagamento mínimo de R$ 691 por família. Já o benefício pago pelo programa deve subir de R$ 675 para R$ 777, de acordo com o Ministério do Planejamento.

Além do piso, os benefícios complementares também foram reajustados:

BenefícioValor anteriorNovo valor
Valor mínimo por famíliaR$ 600R$ 691
Criança de até 6 anosR$ 150R$ 173
GestanteR$ 50R$ 58
Criança ou adolescente de 7 a 17 anosR$ 50R$ 58
Bebê de até 6 mesesR$ 50R$ 58

Na prática, o valor recebido por cada família varia conforme sua composição e a quantidade de integrantes que têm direito aos adicionais.

Quando começa o pagamento do novo valor do Bolsa Família?

Em suma, o reajuste não vale para os pagamentos de setembro, que já começaram a ocorrer. O primeiro repasse com os novos valores ocorrerá em 19 de outubro, entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais, caso haja segundo turno.

Calendário de outubro

Final do NISData de pagamento
119/10
220/10
321/10
422/10
523/10
626/10
727/10
828/10
929/10
030/10

Para saber a data correta de recebimento, a família deve verificar o último dígito do NIS, impresso no cartão do programa.

Quem pode receber o Bolsa Família?

A principal regra para receber o benefício é ter renda mensal familiar de até R$ 218 por pessoa. Dessa forma, para se enquadrar com o programa, é necessário somar a renda total e dividir pelo número de pessoas. Assim, caso o valor fique abaixo de R$ 218 por pessoa, está elegível.

Ao mesmo tempo, os beneficiários também precisam cumprir contrapartidas, como:

  • manter crianças e adolescentes na escola;
  • fazer o acompanhamento pré-natal (no caso de gestantes);
  • manter as carteiras de vacinação atualizadas.

Em agosto, o governo pagou o benefício a cerca de 19,3 milhões de famílias.

Quanto a medida vai custar aos cofres públicos?

De acordo com o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, o reajuste terá um custo de R$ 5,8 bilhões neste ano, considerando os pagamentos de outubro a dezembro.

Em 2027 e 2028, o impacto anual será de R$ 22,7 bilhões. Com isso, a revisão de gastos com o Bolsa Família em 2027 passará para cerca de R$ 179 bilhões.

Segundo Moretti, há espaço nas contas para bancar o aumento. “Temos segurança de que o espaço fiscal é superior ao que é preciso para custear essa medida”, declarou. Em resumo, os números terão detalhamento em relatório no dia 24 de setembro.

Como a medida foi parar no TSE?

O anúncio ocorreu a 17 dias das eleições, o que gerou questionamentos sobre motivação eleitoral. Em resumo, o governo nega e afirma que o reajuste de 15% recompõe parte da perda do poder de compra causada pela inflação, que acumulou 17% desde o último aumento, em 2023.

Na noite desta quinta-feira, o candidato à Presidência Renan Santos (Missão) entrou com uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o aumento. Desse modo, ele pediu a suspensão da medida até o ano que vem “para resguardar a isonomia e a paridade entre os candidatos”.

No entanto, o ministro André Mendonça, do TSE, rejeitou o pedido nesta quinta. O motivo: Renan Santos é candidato a deputado federal por Santa Catarina e, portanto, não tem legitimidade para apresentar esse tipo de representação — que só pode ser feita por candidatos à Presidência.

TCU também pede suspensão

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) também pediu que a Corte suspenda o reajuste. A representação foi assinada pelo procurador Lucas Furtado.

“O decreto produz efeitos financeiros a partir do primeiro dia do mês subsequente ao de sua publicação, gerando impacto orçamentário imediato e de grande monta, sem que haja qualquer indicação de prévia dotação orçamentária ou estimativa de impacto financeiro”, diz trecho do documento.

O governo rebate: de acordo com o Ministério do Planejamento, o reajuste será bancado com remanejamento de recursos de outras áreas, sem estourar o teto de gastos.