Início » Esportes » SAF do Bahia: Grupo City conversa com governo sobre gestão da Fonte Nova

Esportes

SAF do Bahia: Grupo City conversa com governo sobre gestão da Fonte Nova

Grupo City conversa com o Governo da Bahia sobre a gestão da Fonte Nova. Licitação está prevista para 2027, antes do fim do contrato atual.
Eliseu Lins, da Agência NE9
22 de outubro de 2026 - às 05:56
Atualizado 22 de outubro de 2026 - às 05:56
5 min de leitura

Grupo que controla 90% do futebol do Bahia pode disputar a administração do estádio a partir de 2028; governo prevê licitação em 2027

O Grupo City, controlador da SAF do Bahia, está entre os interessados na futura gestão da Arena Fonte Nova, em Salvador. O Governo da Bahia confirmou que já manteve conversas com representantes do conglomerado sobre a possibilidade de assumir a administração do estádio, mas ainda não definiu quem ficará responsável pelo equipamento esportivo.

A discussão ganha importância porque o contrato atual de concessão termina em 31 de março de 2028. Até lá, o governo pretende realizar estudos técnicos e preparar uma licitação para escolher o próximo administrador da arena.

Em declaração publicada pelo jornal A TARDE em 21 de outubro, o secretário estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, Augusto Vasconcelos, confirmou que houve diálogo com o Grupo City, inclusive com a participação do governador Jerônimo Rodrigues. Entretanto, o secretário ressaltou que as tratativas ainda não resultaram em um acordo.

O que a SAF do Bahia tem a ver com a Fonte Nova?

O interesse do Grupo City está ligado à transformação do Esporte Clube Bahia em Sociedade Anônima do Futebol (SAF), formalizada em maio de 2023. Na operação, o City Football Group passou a deter 90% da participação acionária, enquanto a associação Esporte Clube Bahia manteve os outros 10%.

Desde então, a SAF assumiu a administração do futebol profissional do clube. A estrutura permite que o Bahia opere como uma empresa, com regras próprias de governança e compromissos financeiros definidos no acordo com o investidor.

Segundo as informações divulgadas pelo próprio clube, a parceria prevê um compromisso de longo prazo de 90 anos e investimento mínimo de R$ 800 milhões. Além disso, o acordo prevê a possibilidade de mais R$ 200 milhões destinados exclusivamente à infraestrutura.

Esses valores, porém, fazem parte do compromisso firmado para o desenvolvimento do Bahia. Eles não representam, por si só, um investimento já destinado à compra ou à administração da Arena Fonte Nova.

Grupo City ainda precisa disputar a licitação

Apesar das conversas, o Grupo City não tem a gestão do estádio garantida. O Governo da Bahia informou que a escolha do futuro administrador dependerá de uma licitação, com edital previsto para 2027.

Para preparar o processo, o Estado iniciou a contratação de uma consultoria da BahiaInveste. O trabalho deverá produzir um diagnóstico da arena e um termo de referência para orientar o novo modelo de gestão.

Além disso, o governo pretende avaliar diferentes aspectos da operação, como:

  • Manutenção do gramado, banheiros e demais estruturas;
  • Estacionamento, logística e infraestrutura;
  • Contratos com fornecedores;
  • Exploração comercial e direitos de nome (naming rights);
  • Calendário de jogos, shows e outros eventos;
  • Condições econômicas e responsabilidades do futuro administrador.

A atual concessionária, Fonte Nova Negócios e Participações S.A. (FNP), também mantém diálogo com o governo. Portanto, o Grupo City não é o único possível interessado na próxima etapa da gestão.

O que muda para o Bahia se o grupo assumir o estádio?

Caso vença a licitação, o Grupo City poderá aproximar ainda mais a operação do futebol do Bahia da administração do estádio onde o clube disputa partidas como mandante.

Essa possibilidade abre espaço para discutir a organização dos jogos, a exploração comercial de espaços, a experiência dos torcedores e a integração entre atividades esportivas e outros eventos. No entanto, esses possíveis efeitos dependerão das condições do contrato e do modelo que o governo definir.

A Arena Fonte Nova também recebe shows, eventos culturais e atividades corporativas. Por isso, uma eventual gestão do grupo ligado ao Bahia precisará considerar o uso do equipamento para além do calendário tricolor.

O governo estadual, por sua vez, afirma que pretende preservar o interesse público e garantir o funcionamento da arena como espaço esportivo, cultural e de entretenimento.

Time do Bahia foto Letícia Martins EC Bahia
Time do Bahia foto Letícia Martins EC Bahia

Novo nome comercial da Fonte Nova

Enquanto prepara o futuro da concessão, a arena também passa por mudanças comerciais. Em outubro de 2026, a empresa de energia Acelen assumiu os direitos de nome do estádio, em um acordo de naming rights.

O contrato comercial, contudo, não define quem administrará o equipamento depois de 2028. O governo esclareceu que os direitos de nome e a futura gestão fazem parte de negociações distintas.

torcida do bahia
A torcida do Bahia quase todo jogo enche a Fonte Nova.

LEIA TAMBÉM:

Quando sai a decisão sobre a gestão da Fonte Nova?

A previsão do Governo da Bahia é publicar o edital de licitação em 2027. O processo deverá definir as condições para a escolha do administrador que assumirá a operação após o fim da concessão atual, em março de 2028.

Até lá, o Grupo City poderá avaliar sua participação no processo, mas qualquer decisão dependerá das regras estabelecidas pelo Estado e do resultado da disputa.

Assim, a possível entrada do conglomerado na gestão da Fonte Nova representa um novo capítulo na relação entre o Bahia e o estádio. Por enquanto, há interesse e diálogo, mas não existe acordo fechado nem garantia de que o Grupo City vencerá a futura licitação.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.