Grupo que controla 90% do futebol do Bahia pode disputar a administração do estádio a partir de 2028; governo prevê licitação em 2027
O Grupo City, controlador da SAF do Bahia, está entre os interessados na futura gestão da Arena Fonte Nova, em Salvador. O Governo da Bahia confirmou que já manteve conversas com representantes do conglomerado sobre a possibilidade de assumir a administração do estádio, mas ainda não definiu quem ficará responsável pelo equipamento esportivo.
A discussão ganha importância porque o contrato atual de concessão termina em 31 de março de 2028. Até lá, o governo pretende realizar estudos técnicos e preparar uma licitação para escolher o próximo administrador da arena.
Em declaração publicada pelo jornal A TARDE em 21 de outubro, o secretário estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, Augusto Vasconcelos, confirmou que houve diálogo com o Grupo City, inclusive com a participação do governador Jerônimo Rodrigues. Entretanto, o secretário ressaltou que as tratativas ainda não resultaram em um acordo.
O que a SAF do Bahia tem a ver com a Fonte Nova?
O interesse do Grupo City está ligado à transformação do Esporte Clube Bahia em Sociedade Anônima do Futebol (SAF), formalizada em maio de 2023. Na operação, o City Football Group passou a deter 90% da participação acionária, enquanto a associação Esporte Clube Bahia manteve os outros 10%.
Desde então, a SAF assumiu a administração do futebol profissional do clube. A estrutura permite que o Bahia opere como uma empresa, com regras próprias de governança e compromissos financeiros definidos no acordo com o investidor.
Segundo as informações divulgadas pelo próprio clube, a parceria prevê um compromisso de longo prazo de 90 anos e investimento mínimo de R$ 800 milhões. Além disso, o acordo prevê a possibilidade de mais R$ 200 milhões destinados exclusivamente à infraestrutura.
Esses valores, porém, fazem parte do compromisso firmado para o desenvolvimento do Bahia. Eles não representam, por si só, um investimento já destinado à compra ou à administração da Arena Fonte Nova.
Grupo City ainda precisa disputar a licitação
Apesar das conversas, o Grupo City não tem a gestão do estádio garantida. O Governo da Bahia informou que a escolha do futuro administrador dependerá de uma licitação, com edital previsto para 2027.
Para preparar o processo, o Estado iniciou a contratação de uma consultoria da BahiaInveste. O trabalho deverá produzir um diagnóstico da arena e um termo de referência para orientar o novo modelo de gestão.
Além disso, o governo pretende avaliar diferentes aspectos da operação, como:
- Manutenção do gramado, banheiros e demais estruturas;
- Estacionamento, logística e infraestrutura;
- Contratos com fornecedores;
- Exploração comercial e direitos de nome (naming rights);
- Calendário de jogos, shows e outros eventos;
- Condições econômicas e responsabilidades do futuro administrador.
A atual concessionária, Fonte Nova Negócios e Participações S.A. (FNP), também mantém diálogo com o governo. Portanto, o Grupo City não é o único possível interessado na próxima etapa da gestão.
O que muda para o Bahia se o grupo assumir o estádio?
Caso vença a licitação, o Grupo City poderá aproximar ainda mais a operação do futebol do Bahia da administração do estádio onde o clube disputa partidas como mandante.
Essa possibilidade abre espaço para discutir a organização dos jogos, a exploração comercial de espaços, a experiência dos torcedores e a integração entre atividades esportivas e outros eventos. No entanto, esses possíveis efeitos dependerão das condições do contrato e do modelo que o governo definir.
A Arena Fonte Nova também recebe shows, eventos culturais e atividades corporativas. Por isso, uma eventual gestão do grupo ligado ao Bahia precisará considerar o uso do equipamento para além do calendário tricolor.
O governo estadual, por sua vez, afirma que pretende preservar o interesse público e garantir o funcionamento da arena como espaço esportivo, cultural e de entretenimento.

Novo nome comercial da Fonte Nova
Enquanto prepara o futuro da concessão, a arena também passa por mudanças comerciais. Em outubro de 2026, a empresa de energia Acelen assumiu os direitos de nome do estádio, em um acordo de naming rights.
O contrato comercial, contudo, não define quem administrará o equipamento depois de 2028. O governo esclareceu que os direitos de nome e a futura gestão fazem parte de negociações distintas.

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Quando sai a decisão sobre a gestão da Fonte Nova?
A previsão do Governo da Bahia é publicar o edital de licitação em 2027. O processo deverá definir as condições para a escolha do administrador que assumirá a operação após o fim da concessão atual, em março de 2028.
Até lá, o Grupo City poderá avaliar sua participação no processo, mas qualquer decisão dependerá das regras estabelecidas pelo Estado e do resultado da disputa.
Assim, a possível entrada do conglomerado na gestão da Fonte Nova representa um novo capítulo na relação entre o Bahia e o estádio. Por enquanto, há interesse e diálogo, mas não existe acordo fechado nem garantia de que o Grupo City vencerá a futura licitação.



