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Recompra de refinaria na Bahia reacende debate sobre política de combustíveis

A Petrobras voltou ao centro das discussões sobre o setor energético após confirmar que analisa a possível recompra da Refinaria de Mataripe, localizada na Bahia. O ativo, também conhecido como Refinaria Landulpho Alves (RLAM), foi ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
9 de abril de 2026 - às 11:12
Atualizado 9 de abril de 2026 - às 11:12
3 min de leitura

A Petrobras voltou ao centro das discussões sobre o setor energético após confirmar que analisa a possível recompra da Refinaria de Mataripe, localizada na Bahia.

O ativo, também conhecido como Refinaria Landulpho Alves (RLAM), foi privatizado em 2021 e atualmente pertence à empresa Acelen, controlada pelo fundo Mubadala, dos Emirados Árabes Unidos.

A princípio, a sinalização ganhou força após declarações do presidente Lula, que afirmou publicamente a intenção de retomar o controle da unidade.

Em resposta a questionamentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Petrobras confirmou que o tema está em análise, mas ressaltou que ainda não há decisão tomada.

Segundo a estatal, qualquer eventual aquisição seguirá critérios técnicos, econômicos e de governança interna, sem que exista, até o momento, fato novo que justifique avanço imediato nas negociações.

Por que a efinaria estratégica para o Nordeste

A Refinaria de Mataripe é considerada um ativo estratégico para o abastecimento do Norte e Nordeste. Assim, com capacidade de refino de cerca de 300 mil barris por dia, ela responde por aproximadamente 14% da capacidade nacional.

Além disso, a unidade produz derivados essenciais como diesel, gasolina, gás de cozinha e querosene de aviação, sendo peça-chave para a logística de combustíveis na região.

Especialistas apontam que, após a privatização, houve mudanças na política de preços, com maior alinhamento ao mercado internacional — fator que tem sido alvo de críticas, especialmente em momentos de alta do petróleo e do dólar.

Negociação ainda em estágio inicial

Apesar do interesse político e estratégico, a recompra ainda está longe de ser concretizada. Contudo, a Petrobras já havia indicado anteriormente que avalia oportunidades no segmento de refino, incluindo a possibilidade de adquirir participação na unidade ou firmar parcerias com o atual controlador.

Há também histórico recente de negociações entre a estatal brasileira e o fundo Mubadala, com estudos envolvendo modelos de gestão conjunta e até projetos ligados ao biorrefino.

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Debate sobre privatizações e soberania energética

A possível recompra reacende um debate mais amplo sobre o papel da Petrobras no refino e a política energética do país. Dessa maneira, durante o processo de privatização, iniciado no governo anterior, a venda de refinarias foi defendida como forma de estimular concorrência no setor.

Por outro lado, críticos argumentam que a mudança acabou criando mercados regionais concentrados, com impacto direto no preço final dos combustíveis ao consumidor.

Afinal, nesse cenário, a eventual retomada da refinaria baiana pela Petrobras é vista por parte do governo como uma estratégia para ampliar o controle sobre a cadeia de produção e distribuição de combustíveis, especialmente em regiões estratégicas como o Nordeste.

Próximos passos

Portanto, a expectativa do mercado é que qualquer avanço dependa de estudos detalhados de viabilidade econômica, além de negociação direta com o atual controlador da refinaria.

Enquanto isso, a Petrobras mantém o discurso cauteloso: o interesse existe, mas a decisão final ainda está em aberto — e pode levar tempo até se concretizar.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.