Início » Cotidiano » Raso da Catarina: como os sertanejos vivem num dos lugares mais quentes e secos do Brasil

Cotidiano

Raso da Catarina: como os sertanejos vivem num dos lugares mais quentes e secos do Brasil

Moradores do Raso da Catarina transformaram a convivência com o semiárido em um exemplo de resistência, cultura e adaptação. O Nordeste abriga algumas das paisagens mais impressionantes do Brasil. Entre elas está o Raso da ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
17 de junho de 2026 - às 07:47
Atualizado 17 de junho de 2026 - às 07:47
3 min de leitura
vale no raso da catarina
Trilhas no Raso, são atividades oferecidas por guias locais na região foto reprodução

Moradores do Raso da Catarina transformaram a convivência com o semiárido em um exemplo de resistência, cultura e adaptação.

O Nordeste abriga algumas das paisagens mais impressionantes do Brasil. Entre elas está o Raso da Catarina, no interior da Bahia, uma das regiões mais áridas, isoladas e desafiadoras do país.

A princípio, apesar das condições extremas, milhares de pessoas vivem há gerações nesse território, desenvolvendo formas únicas de convivência com o clima e preservando tradições sertanejas que atravessam o tempo.

Conhecido pelas temperaturas elevadas, longos períodos de estiagem e vegetação típica da Caatinga, o Raso da Catarina também guarda uma das maiores áreas contínuas preservadas desse bioma exclusivamente brasileiro.

Onde fica o Raso da Catarina?

O Raso da Catarina ocupa uma extensa área do nordeste da Bahia, abrangendo municípios como:

  • Paulo Afonso
  • Canudos
  • Jeremoabo
  • Euclides da Cunha
  • Macururé
  • Rodelas
  • Glória

Grande parte do território está protegida pela Estação Ecológica Raso da Catarina e pela Área de Proteção Ambiental Serra Branca, formando um dos maiores conjuntos preservados de Caatinga do Brasil.

Um dos lugares mais quentes do Nordeste

Durante boa parte do ano, as temperaturas ultrapassam facilmente os 40°C, enquanto a umidade relativa do ar pode atingir níveis semelhantes aos encontrados em regiões desérticas. Além do calor intenso, a chuva é extremamente irregular.

Há localidades que passam muitos meses sem registrar precipitações significativas, obrigando moradores a dependerem de cisternas, açudes e poços para garantir o abastecimento de água.

Assista

Água: o maior desafio da população

A vida no Raso da Catarina sempre foi organizada em torno da água. Muitas famílias armazenam água da chuva em grandes cisternas construídas por programas públicos e iniciativas comunitárias.

Quando as chuvas atrasam, caminhões-pipa tornam-se fundamentais para abastecer diversas comunidades rurais. O uso racional da água faz parte da rotina:

  • reaproveitamento da água doméstica;
  • consumo controlado;
  • armazenamento durante o inverno;
  • prioridade para dessedentação dos animais.

Agricultura adaptada ao Semiárido

Mesmo diante das dificuldades, a população desenvolveu sistemas produtivos adaptados ao clima. Entre as principais atividades estão:

  • criação de caprinos;
  • criação de ovinos;
  • bovinocultura adaptada;
  • apicultura;
  • cultivo de palma forrageira;
  • milho e feijão durante o período chuvoso.

Essas atividades representam importante fonte de renda para milhares de famílias sertanejas.

LEIA TAMBÉM:

A Caatinga é uma aliada

Ao contrário da ideia de “terra sem vida”, a Caatinga apresenta enorme biodiversidade. Sua vegetação possui estratégias naturais para sobreviver às secas prolongadas:

  • árvores que perdem as folhas para economizar água;
  • cactos que armazenam líquido por meses;
  • arbustos espinhosos resistentes ao calor;
  • plantas que florescem rapidamente após as primeiras chuvas.

Portanto, essa adaptação também beneficia os moradores, que utilizam diversas espécies na alimentação animal, medicina popular e artesanato.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.