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Pesquisa da UFRN que transforma casulos de bicho-da-seda em nanomateriais ganha capa internacional

Estudo foi destaque na edição de agosto da ACS Biomaterials Science & Engineering e analisou 1.791 trabalhos científicos sobre o aproveitamento da fibroína da seda Uma pesquisa com participação de pesquisadores da Universidade Federal do ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
25 de agosto de 2026 - às 02:46
Atualizado 25 de agosto de 2026 - às 02:46
4 min de leitura

Estudo foi destaque na edição de agosto da ACS Biomaterials Science & Engineering e analisou 1.791 trabalhos científicos sobre o aproveitamento da fibroína da seda

Uma pesquisa com participação de pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) ganhou destaque internacional ao ser escolhida para a capa da edição de agosto da revista ACS Biomaterials Science & Engineering, da American Chemical Society.

O estudo mostra como casulos do bicho-da-seda podem deixar de ser apenas resíduos da cadeia produtiva e se transformar em matéria-prima para nanomateriais com aplicações em saúde, tecnologia e indústria. A própria revista destaca que o aproveitamento da fibroína pode contribuir para estratégias de economia circular e reduzir impactos ambientais.

Pesquisa analisou quase 1,8 mil estudos

O trabalho realizou uma revisão bibliométrica e sistemática de 1.791 publicações científicas produzidas entre 2001 e 2025.

Os pesquisadores analisaram especialmente a fibroína da seda, uma proteína biodegradável encontrada no casulo do Bombyx mori, espécie conhecida como bicho-da-seda.

A revisão identificou aplicações em áreas como liberação de medicamentos, engenharia de tecidos, eletrônica flexível e construção sustentável. Entre os materiais que podem ser produzidos estão nanopartículas, aerogéis e hidrogéis.

O que a pesquisa encontrou

ÁreaPossível aplicação da fibroína
SaúdeLiberação controlada de medicamentos
Engenharia de tecidosDesenvolvimento de biomateriais
NanotecnologiaNanopartículas e outros nanomateriais
EletrônicaDispositivos e componentes flexíveis
ConstruçãoMateriais sustentáveis
Economia circularAproveitamento de resíduos da indústria da seda

O levantamento aponta ainda que 60,59% das aplicações analisadas estão relacionadas à liberação de medicamentos, enquanto 18,53% aparecem associadas à engenharia de tecidos.

Material pode ser transformado em produtos de alto valor

A fibroína chama atenção porque combina características como biodegradabilidade, resistência mecânica e possibilidade de processamento em diferentes estruturas.

Na prática, resíduos ou materiais subutilizados da produção de seda podem ser transformados em estruturas nanométricas com propriedades específicas.

A pesquisa também relaciona esse aproveitamento aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, principalmente nas áreas de saúde, inovação, produção responsável e combate às mudanças climáticas.

UFRN amplia pesquisas com materiais sustentáveis

O trabalho faz parte de uma trajetória de pesquisas desenvolvidas na UFRN envolvendo fibroína da seda e nanotecnologia.

Estudos ligados à universidade já investigaram, por exemplo, a produção de nanopartículas de fibroína para aplicações biomédicas. Em uma dessas pesquisas, as partículas apresentaram características de biodegradabilidade e biocompatibilidade que indicaram potencial para utilização como biomaterial.

A universidade também mantém pesquisas relacionadas a materiais têxteis funcionais e nanotecnologia.

Do resíduo ao material tecnológico

A pesquisa sobre a seda segue uma lógica que ganha espaço na ciência e na indústria: transformar resíduos ou matérias-primas subutilizadas em produtos de maior valor agregado.

Essa mesma linha de pesquisa aparece em outro trabalho recente desenvolvido na UFRN com resíduos do polo de confecções de Caruaru e Toritama, no Agreste de Pernambuco.

Nesse caso, pesquisadores transformaram efluentes de lavanderias de jeans em pontos quânticos de carbono, utilizados para produzir nanopigmentos fluorescentes. Os materiais apresentaram, nos testes, propriedades antimicrobianas e proteção ultravioleta, com potencial para aplicação em roupas esportivas, embalagens, tintas e dispositivos eletrônicos.

A tecnologia foi protegida por patente e os primeiros protótipos já foram aplicados em tecidos, embora ainda esteja em fase laboratorial e dependa de novos testes antes de uma eventual produção em escala.

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A escolha do estudo sobre a fibroína para a capa da ACS Biomaterials Science & Engineering coloca uma pesquisa com participação da UFRN em evidência em uma publicação internacional especializada.

O trabalho mostra como materiais de origem natural podem ganhar novas funções por meio da nanotecnologia e reforça uma tendência de pesquisa que aproxima ciência, sustentabilidade, indústria e economia circular.

No caso da seda, um material tradicional da indústria têxtil passa a ser estudado também como possível matéria-prima para novas tecnologias biomédicas, eletrônicas e industriais.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.