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Pedreiro maranhense viaja 2 mil km para conhecer a namorada e descobre que era IA

Edimar Rocha Martins, 49 anos, saiu de Imperatriz (MA) rumo a Belo Horizonte para conhecer a mulher com quem conversava pela internet. Percorreu mais de 2 mil quilômetros, andou pelas ruas da capital mineira com ...
REDAÇÃO ELISEU, da Agência NE9
15 de outubro de 2026 - às 09:04
Atualizado 15 de outubro de 2026 - às 09:04
4 min de leitura

Edimar Rocha Martins, 49 anos, saiu de Imperatriz (MA) rumo a Belo Horizonte para conhecer a mulher com quem conversava pela internet. Percorreu mais de 2 mil quilômetros, andou pelas ruas da capital mineira com fotos na mão e pediu ajuda em uma rádio. A “namorada” não existia: era uma personagem criada por inteligência artificial.

Uma história que começa com um clique

A princípio, tudo começou como começam milhões de histórias na internet: um vídeo que aparece no feed, um perfil que chama atenção, uma conversa que evolui. Do outro lado da tela, uma mulher chamada Jéssica Oliveira, também apresentada como “Jessica Fazendeira”, que dizia ser divorciada e procurava um homem para viver com ela em uma fazenda no interior.

A princípio, o perfil reunia mais de 300 mil seguidores e divulgava uma plataforma de vendas online. Nos vídeos, a mulher tinha voz e aparência humanas realistas. Tudo parecia verdadeiro.

Assim, Edimar Rocha Martins, pedreiro, 49 anos, divorciado, afastado pelo INSS, acreditou. E se apaixonou.

A promessa que nunca se cumpriu

De acordo com o próprio Edimar, a suposta mulher não apenas aparecia nas redes sociais. Ela também trocava mensagens privadas com ele. Nessas conversas, oferecia ajuda para viabilizar o encontro.

“Sempre oferecia para pagar minha passagem, me buscar em qualquer lugar, passar o endereço, e eram assim as propostas.”
— Edimar Rocha Martins

Ao mesmo tempo, o detalhe que mais chama atenção: ela nunca pediu dinheiro. Isso contribuiu para que Edimar não desconfiasse. Afinal, se fosse um golpe, o roteiro usual seria pedir transferências, depósitos, pagamentos adiantados. Mas não. A mulher oferecia pagar a passagem dele, buscá-lo em qualquer lugar, dar o endereço.

O endereço, porém, nunca veio.

A viagem

Dessa forma, Edimar deixou o Maranhão na sexta-feira. Embarcou em um ônibus em Imperatriz, no sul do estado, e percorreu mais de 2 mil quilômetros até Belo Horizonte. Chegou à capital mineira no domingo (11).

Sem endereço, mas com fotos da mulher que esperava encontrar, o pedreiro percorreu as ruas da cidade perguntando se alguém a conhecia. Também procurou uma rádio em busca de ajuda.

“Eu já andei com várias fotos, mostrando e perguntando se alguém conhecia essa pessoa e todos falaram que não. Então, eu me senti enganado.”
— Edimar Rocha Martins, em entrevista ao G1

Portanto, a verdade só veio quando ele já estava na cidade: Jéssica Oliveira não existia. Era uma personagem criada por inteligência artificial.

O acolhimento em Belo Horizonte

Após as buscas frustradas, Edimar foi encaminhado à Unidade de Acolhimento e Atendimento ao Migrante da Prefeitura de Belo Horizonte. Lá, recebeu alimentação, tomou banho e foi orientado sobre o golpe.

Desse modo, após avaliação da equipe técnica, a prefeitura providenciou uma passagem para onde desejava seguir. Ele viajou na tarde de terça-feira (13).

O desabafo antes do embarque

Antes de partir, Edimar lamentou o episódio e pediu por regulação:

“Isso aí é uma coisa que não era nem para existir. Era para uma lei botar em cima disso aí, que todo mundo é enganado. Qualquer um cai.”
— Edimar Rocha Martins

Em resumo, a frase mostra não apenas a frustração de um homem que viajou dois mil quilômetros por um amor que nunca existiu, mas também um problema crescente: a dificuldade de distinguir o real do artificial em um ambiente digital cada vez mais povoado por personagens gerados por IA.

O que essa história revela

A história de Edimar não é apenas curiosa, é sintomática. Ela escancara um fenômeno que cresce junto com a popularização da inteligência artificial: perfis totalmente gerados por IA, com aparência humana convincente, capazes de construir vínculos emocionais com pessoas reais.

Não houve pedido de dinheiro. Não houve golpe financeiro clássico. O que houve foi engano emocional. Antes de mais nada, esse tipo de armadilha é muito mais difícil de detectar, porque não aciona os alarmes tradicionais. Não há boleto, não há PIX, não há promessa de lucro fácil.

Há apenas uma conversa. E, do outro lado, um algoritmo.

Edimar pediu uma lei. Talvez o debate precise começar por aí: como regular personagens de IA que se passam por pessoas reais? E, mais urgente ainda, como proteger quem está do outro lado da tela?

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