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BNDES prepara concessão de 3.137 km de rodovias no Nordeste; veja as BRs no plano

BNDES e Ministério dos Transportes estruturam concessão de 3.137 km de rodovias federais, incluindo trechos das BR-116 e BR-104 no Nordeste.
Eliseu Lins, da Agência NE9
15 de outubro de 2026 - às 05:56
Atualizado 15 de outubro de 2026 - às 05:56
6 min de leitura

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Ministério dos Transportes assinaram, nesta quarta-feira (14), um contrato para estruturar a concessão de 3.137 quilômetros de rodovias federais à iniciativa privada. O projeto contempla cinco trechos em nove estados brasileiros, com presença importante no Nordeste, e tem previsão de conclusão até o fim de 2030.

A iniciativa inclui trechos das BR-010, BR-226, BR-116 e BR-104 que passam por estados nordestinos. Além disso, o plano envolve a BR-153, entre o Pará e o Tocantins. O governo pretende avaliar a viabilidade das concessões e preparar os projetos para uma possível transferência da administração das estradas à iniciativa privada.

A proposta busca ampliar os investimentos em infraestrutura rodoviária, melhorar a integração entre regiões produtoras e mercados consumidores e avaliar soluções para a operação das estradas. Entretanto, a assinatura do contrato não significa que todas as rodovias já foram concedidas ou que as obras começarão imediatamente.

Quais rodovias estão no plano de concessão?

Estradas em Pernambuco foto Bruna Costa_Semobi

O contrato contempla cinco trechos de rodovias federais, que somam 3.137 quilômetros. Confira a distribuição informada pelo BNDES:

RodoviaEstados indicados no trechoExtensão
BR-153Pará e Tocantins775 km
BR-010Maranhão e Pará678 km
BR-226Piauí, Maranhão e Tocantins717 km
BR-116Ceará, Paraíba e Pernambuco473 km
BR-104Paraíba, Pernambuco e Alagoas494 km
TotalCinco trechos3.137 km

Fonte: Agência BNDES de Notícias.

Os trechos da BR-010, BR-226, BR-116 e BR-104 envolvem estados do Nordeste. Dessa forma, o planejamento pode alcançar corredores importantes para o transporte de mercadorias, o deslocamento de passageiros e a ligação entre diferentes áreas econômicas.

Vale destacar, porém, que a tabela apresenta os estados informados para cada trecho do projeto, e não a extensão total de cada rodovia em todo o país.

Quais estados do Nordeste podem ser beneficiados?

O anúncio cita Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas entre os estados envolvidos no planejamento. A lista geral divulgada pelo BNDES também inclui Pará e Tocantins.

A distribuição das rodovias mostra como o projeto pode alcançar diferentes áreas da região:

  • Maranhão: aparece no trecho da BR-010 e no segmento da BR-226 descritos pelo banco.
  • Piauí: integra o trecho da BR-226.
  • Ceará: aparece no trecho da BR-116.
  • Paraíba: integra os trechos da BR-116 e da BR-104.
  • Pernambuco: aparece nos trechos da BR-116 e da BR-104.
  • Alagoas: integra o trecho da BR-104.
  • Rio Grande do Norte: aparece na lista geral de estados envolvidos no anúncio, mas a descrição individual dos cinco trechos não especifica a extensão correspondente ao estado.

Essa última distinção merece atenção. O detalhamento publicado pelo BNDES não apresenta, na relação das cinco rodovias, um segmento individualizado para o Rio Grande do Norte. Portanto, o projeto executivo deverá esclarecer como o estado entra no planejamento.

Por que o governo quer conceder essas rodovias?

O BNDES e o Ministério dos Transportes trabalham desde 2025 na avaliação da malha rodoviária federal. Segundo o presidente do banco, Aloizio Mercadante, a equipe selecionou trechos considerados estratégicos para integrar o sistema rodoviário nacional, especialmente em regiões com expansão econômica e produção agrícola.

A proposta busca atrair investimentos para áreas que registram crescimento econômico, mas ainda apresentam déficit de infraestrutura.

Nesse contexto, as concessões podem permitir que empresas privadas assumam responsabilidades pela operação e pela manutenção das rodovias, conforme as regras que cada contrato estabelecer. Em contrapartida, o poder público precisa definir metas de serviço, obrigações de investimento e mecanismos de fiscalização.

A assinatura anunciada nesta quarta-feira marca, portanto, uma etapa de preparação. Os estudos ainda precisam indicar quais trechos apresentam viabilidade para concessão e quais condições poderão integrar os contratos futuros.

Projeto prevê soluções para pedágio e internet 5G

Além da estruturação das concessões, o Ministério dos Transportes pretende avaliar medidas para reduzir custos de pedágio e ampliar a conectividade nas rodovias.

Segundo o ministro dos Transportes, George Santoro, os projetos também devem considerar a implantação de internet 5G ao longo dos trechos e medidas relacionadas à transição energética e à resiliência climática.

Esses pontos podem influenciar a experiência dos motoristas e as condições de operação das estradas. No entanto, o anúncio ainda não detalha os modelos de cobrança, os valores de eventuais tarifas ou os locais que receberiam infraestrutura de conectividade.

Por isso, os efeitos práticos dependerão dos estudos técnicos e das condições que o governo definir para cada concessão.

Quando as concessões devem ficar prontas?

O BNDES estima concluir a estruturação dos projetos até o fim de 2030. Até lá, o processo precisará avançar na avaliação técnica e econômica dos trechos, na definição dos modelos de concessão e na preparação das etapas necessárias para eventuais licitações.

A conclusão da estruturação não significa, necessariamente, que todas as obras estarão prontas ou que todas as empresas responsáveis já estarão operando as estradas nessa data. O cronograma de cada trecho dependerá das decisões tomadas ao longo do processo.

Além disso, o anúncio ainda não apresenta um calendário individual para as cinco rodovias, nem informa os valores totais de investimentos previstos para cada segmento.

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O que muda para o Nordeste?

O planejamento coloca rodovias federais que atravessam estados nordestinos em uma nova etapa de avaliação para concessão. Se os estudos confirmarem a viabilidade dos projetos, os contratos poderão estabelecer obrigações de manutenção, melhorias e operação para os trechos selecionados.

Entretanto, ainda é cedo para afirmar quais cidades receberão obras, quanto cada estado poderá receber em investimentos ou se haverá cobrança de pedágio em todos os segmentos.

O próximo passo será conhecer os resultados dos estudos e as condições propostas para cada rodovia. Até lá, o principal dado é que o BNDES e o Ministério dos Transportes começaram a estruturar um pacote de 3.137 quilômetros de estradas federais, com quatro das cinco rodovias listadas envolvendo estados nordestinos.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.