No primeiro confronto direto do segundo turno, realizado neste domingo (18), os candidatos trocaram acusações e evitaram detalhar propostas. Lula prometeu fortalecer o SUS, criar o Ministério da Segurança e defender o fim da escala 6×1. A princípio, Flávio apostou em “acabar com a corrupção” e levar o Albert Einstein para o SUS, sem explicar como. O debate foi marcado por provocações e perguntas sem resposta.
O primeiro confronto direto
Pela primeira vez nestas eleições, os candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) estiveram frente a frente em um debate televisivo, na noite deste domingo (18/10).
O encontro, organizado pela TV Band em parceria com outros três canais (Gazeta, Cultura e Jovem Pan News) e um jornal (O Estado de S. Paulo), foi marcado mais por trocas de acusações do que por propostas efetivas.
O que Lula apresentou
Trabalho e renda
Lula falou sobre o fim da escala 6×1 e ressaltou o fato de Flávio ser contra. Também defendeu o projeto de tarifa zero do transporte público aos finais de semana. Contudo, a proposta foi ironizada por Flávio, dizendo que será “mais uma oportunidade para as pessoas serem assaltadas no ônibus”.
Segurança pública
Ao mesmo tempo, Lula defendeu que a segurança pública passe por uma transformação, transferindo a responsabilidade do estado para o Governo Federal. Dessa forma, o presidente também reiterou a promessa de criar o Ministério da Segurança Pública.
Saúde
Lula destacou a importância de fortalecer o SUS e levar mais dignidade à população menos favorecida. Citou o programa que vai levar mais especialistas para atender a população de graça, assim como o reajuste do salário mínimo e programas sociais acima da inflação para garantir a segurança alimentar.
Corrupção
Questionado sobre uma possível ligação de seu filho Lulinha com esquemas de corrupção, Lula disse que o filho abriu o sigilo fiscal e telefônico para a Polícia Federal, que está investigando tudo. Desse modo, o presidente também desafiou Flávio a abrir os sigilos dos dois para serem investigados. Em suma, esse é o assunto mais comentado do debate.
O que Flávio Bolsonaro apresentou
Segurança pública
Em resumo, Flávio disse que vai acabar com a sensação de insegurança, mas não explicou como. Também não respondeu porque defende tirar a numeração das munições, para acabar com o rastreamento que ocorre nas investigações. Da mesma forma, também não disse o que melhora na segurança das pessoas com a política de armamento que a extrema-direita defende.
Saúde
Flávio afirmou que vai levar o atendimento do Albert Einstein para o SUS, sem explicar como. A afirmação o fez ser acusado de tentar privatizar o SUS, assim como, segundo o próprio Lula, faria com a Petrobras — o que, na avaliação deles, faria o preço da gasolina explodir.
Antes de mais nada, vale salientar que no governo de Jair Bolsonaro, a Eletrobras e a BR Distribuidora foram privatizados.
Corrupção
Flávio apresentou apenas que vai acabar com a corrupção, sem dizer como. Contudo, não respondeu nenhuma das acusações que Lula fez contra ele e ainda fugiu do desafio dos dois abrirem o sigilo bancário e telefônico.
Empreendedorismo e emprego
Flávio falou que vai criar um modelo para favorecer o empreendedor como já existe, que é o MEI, e um sistema integrado de vagas de emprego, como já existe, que é o Sine.
As sete perguntas sem resposta
Flávio cuidou de não responder nenhuma das acusações que pesam sobre ele. Desse modo, deixou de responder sete questionamentos de Lula sobre:
- Vorcaro e os R$ 134 milhões pro filme de Bolsonaro
- Ligação com as milícias
- Compra de imóveis com dinheiro vivo
- Voto contra o aumento da licença-maternidade
- Posição contra o fim da escala 6×1
- Implantação do modelo falido de Milei na Argentina
- Submissão aos Estados Unidos

Tabela comparativa: o que cada candidato apresentou
| Tema | Lula (PT) | Flávio Bolsonaro (PL) |
|---|---|---|
| Trabalho | Fim da escala 6×1; tarifa zero no transporte aos fins de semana | Contra a escala 6×1; ironizou a tarifa zero (“mais oportunidade para assaltos”) |
| Segurança pública | Transformação com responsabilidade federal; criação do Ministério da Segurança | “Acabar com a sensação de insegurança” (sem explicar como) |
| Saúde | Fortalecer o SUS; mais especialistas gratuitos | Levar o Albert Einstein para o SUS (sem explicar como); acusado de tentar privatizar |
| Corrupção | Filho abriu sigilos para a PF; desafiou Flávio a abrir os dele | “Acabar com a corrupção” (sem explicar como) |
| Empreendedorismo | — | Criar modelo como o MEI (que já existe) |
| Emprego | — | Sistema integrado de vagas como o Sine (que já existe) |
| Acusações | Respondeu sobre Lulinha; desafiou Flávio a abrir sigilos | Não respondeu às 7 perguntas de Lula |
O comportamento no palco
Portanto, o jornal francês Le Monde destacou que Flávio Bolsonaro tentou desestabilizar Lula ao longo do debate:
“Ao caminhar de um lado para o outro atrás dele durante todo o debate, sob o olhar das câmeras, balançando a cabeça, exibindo um sorriso irônico e demonstrando escárnio enquanto o adversário falava.”
Sobre Lula, o jornal observou:
“Lula, que, aos quase 81 anos, busca um quarto mandato no poder, se esforçou para controlar sua irritação em alguns momentos e pediu repetidamente aos espectadores que ‘pesquisassem no Google’ para comprovar que seu adversário estava mentindo.”
A avaliação dos especialistas
Para especialistas consultados pela reportagem, o resultado foi um debate “inútil para os eleitores, sobretudo os que estão indecisos”.
De acordo com a pesquisa Datafolha desta semana, 3% do eleitorado ainda não sabe em quem vai votar. Afinal, é um contingente pequeno, mas potencialmente decisivo em uma eleição empatada.
Tabela-resumo do debate
| Item | Informação |
|---|---|
| Data | Domingo, 18 de outubro de 2026 |
| Organização | TV Band, Gazeta, Cultura, Jovem Pan News e O Estado de S. Paulo |
| Candidatos | Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) |
| Formato | Primeiro debate do segundo turno |
| Tom predominante | Trocas de acusações; poucas propostas detalhadas |
| Perguntas não respondidas por Flávio | 7 (Vorcaro, milícias, imóveis em dinheiro vivo, licença-maternidade, escala 6×1) |
| Desafio de Lula | Abrir os sigilos dos dois para investigação |
| Indecisos (Datafolha) | 3% do eleitorado |
| Avaliação dos analistas | Debate “inútil para os eleitores”, sobretudo os indecisos |
O que fica para o eleitor
O primeiro debate do segundo turno não trouxe respostas claras sobre como cada candidato pretende implementar suas principais propostas. Lula apresentou caminhos e programas, ainda que sem detalhamento técnico. Flávio apresentou intenções e metas, mas sem explicar os meios.
O que ficou evidente foi a estratégia de palco: Flávio tentou desestabilizar Lula com provocações e movimentação constante; Lula tentou controlar a irritação e apelou ao eleitor para que verificasse as informações.
A 7 dias da votação, com a disputa empatada em 50% a 50%, o debate pode não ter mudado votos — mas expôs como cada candidato se comporta sob pressão.
E para o eleitor nordestino, que assistiu a um debate com poucas propostas concretas para a região, a sensação é de que o segundo turno segue mais focado na troca de acusações do que na apresentação de soluções.

