O cenário eleitoral para a corrida presidencial de 2026 começou a ganhar contornos mais definidos, e os números divulgados nesta quarta-feira (1º) pela pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, parceira do Grupo A TARDE, trazem um termômetro importante sobre a disputa. Segundo o levantamento, a vantagem do presidente Lula (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se manteve estável ao longo do mês de junho. Desse modo, sugere que, por enquanto, o eleitorado já estabeleceu suas preferências entre os dois principais nomes.
Realizada entre os dias 26 e 30 de junho, com 4.999 entrevistados e margem de erro de apenas 1 ponto percentual (para mais ou para menos), a pesquisa oferece um retrato detalhado não apenas do confronto direto, mas também de como outros nomes da oposição e do próprio governo se sairiam em diferentes simulações.
O duelo direto: Estabilidade e margem
No cenário mais aguardado, o eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro mostra o petista com 48,8% das intenções de voto contra 42,3% do senador. Comparado ao levantamento de maio, quando Lula marcava 48,9% e Flávio 41,8%, a diferença de 1 ponto porcentual se mantém dentro da margem de erro.
Ao mesmo tempo, isso indica que, apesar do avanço numérico do senador (que cresceu 0,5 ponto), a dianteira do presidente segue confortável nesse recorte, ainda que a distância de 6,5 pontos não possa ser considerada uma vitória incontestável, dado o tempo que ainda falta para a eleição.
A força dos “Substitutos”: Alckmin e Haddad venceriam?
Antes de mais nada, um dos pontos mais interessantes da pesquisa é o desempenho de outros nomes ligados ao governo em uma eventual disputa contra Flávio. Os dados mostram que tanto o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) quanto o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), sairiam vitoriosos contra o senador.
- Geraldo Alckmin aparece com 47,4% contra 41,7% de Flávio.
- Fernando Haddad pontua com 46,4%, enquanto o senador teria 42,8%.
Em suma, esses números reforçam a percepção de que a rejeição ao nome de Flávio Bolsonaro é um fator relevante, independentemente de quem seja o candidato da situação, embora Lula ainda apresente o melhor desempenho entre os três.
O Mapa do Primeiro Turno
Quando o cenário se amplia para o primeiro turno, Lula também mantém a liderança, com 46,3% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro aparece em segundo, com 36,6%, seguido por Renan Santos (Missão), com 7,8%. Os demais nomes, como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), ainda patinam com índices baixos, indicando que o eleitorado ainda não enxerga uma terceira via forte.
O Efeito Michelle Bolsonaro
Ao mesmo tempo, em uma terceira simulação, a pesquisa testou a força da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) no lugar do filho do ex-presidente. Neste recorte, Lula mantém 47,1%, enquanto Michelle aparece com 19,3%. Apesar da grande vantagem do petista, o nome de Michelle praticamente empata com Zema (8,6%), Renan e Caiado (ambos com 8,1%) no pelotão de perseguidores, o que demonstra que ela ainda tem um capital político considerável, mas muito inferior ao de Flávio no momento.
Resumo dos Cenários
Assim, para facilitar a visualização dos principais números da pesquisa, organizamos os dados na tabela abaixo:
| Cenário / Candidato | Intenção de Voto (%) | Comparação com Maio (%) |
|---|---|---|
| Segundo Turno – Lula x Flávio | ||
| Lula (PT) | 48,8% | 48,9% (estável) |
| Flávio Bolsonaro (PL) | 42,3% | 41,8% (cresceu 0,5 p.p.) |
| Segundo Turno – Alckmin x Flávio | ||
| Geraldo Alckmin (PSB) | 47,4% | – |
| Flávio Bolsonaro (PL) | 41,7% | – |
| Segundo Turno – Haddad x Flávio | ||
| Fernando Haddad (PT) | 46,4% | – |
| Flávio Bolsonaro (PL) | 42,8% | – |
| Primeiro Turno (Cenário Principal) | ||
| Lula (PT) | 46,3% | – |
| Flávio Bolsonaro (PL) | 36,6% | – |
| Renan Santos (Missão) | 7,8% | – |
| Ronaldo Caiado (PSD) | 2,9% | – |
| Romeu Zema (Novo) | 2,0% | – |
| Outros (Joaquim Barbosa, Aécio, etc.) | Somam < 3% | – |
| Cenário com Michelle Bolsonaro | ||
| Lula (PT) | 47,1% | – |
| Michelle Bolsonaro (PL) | 19,3% | – |

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O que esperar daqui para frente?
Dessa forma, os dados da AtlasIntel mostram um cenário de estabilidade, mas também de alerta para ambos os lados. Para Lula, a vantagem é real, mas não avassaladora. Para Flávio, o desafio é gigantesco: além de precisar reduzir a diferença, ele precisa lidar com o fato de que outros nomes de seu campo (como a própria Michelle) ainda não conseguem rivalizar de perto com o atual presidente.
Com a margem de erro pequena (1 p.p.), a pesquisa tem alta precisão estatística, mas a eleição é um processo dinâmico. Novos fatos, alianças e o desempenho da economia nos próximos meses certamente moverão essas fichas no tabuleiro político. Por ora, o que se vê é um jogo de paciência, onde Lula tenta consolidar a dianteira e a oposição busca um estopim para mudar o jogo.


