Em suma, o Tabuleiro Eleitoral de 2026 está pegando fogo — e a próxima pesquisa Genial/Quaest, que será divulgada na próxima quarta-feira, dia 10 de junho, promete ser o termômetro mais aguardado dos últimos tempos.
Realizada entre os dias 5 e 8 de junho com 2.004 eleitores em todo o país, a pesquisa chega em um momento de turbulência política intensa. Nas últimas semanas, uma enxurrada de levantamentos — da AtlasIntel ao Datafolha, passando por BTG Nexus, Real Time Big Data e Meio/Ideia — captou efeitos distintos de dois grandes abalos:
- A princípio, o escândalo envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro (com áudios revelados que geraram forte desgaste).
- Os impactos políticos da escalada das tensões entre Brasil e Estados Unidos, incluindo o novo “tarifaço” de Donald Trump.
Ao mesmo tempo, a grande questão que a Quaest ajudará a responder é: Lula conseguiu transformar sua vantagem momentânea em algo duradouro? Ou Flávio começou a se recompor após as primeiras semanas da crise?
O que as pesquisas recentes mostraram?
Nos levantamentos divulgados após a revelação dos áudios de Flávio com Vorcaro, o presidente Lula passou a aparecer com uma vantagem mais confortável em diversos institutos. A AtlasIntel registrou a maior diferença da série recente, enquanto BTG Nexus e Real Time Big Data também apontaram crescimento da margem do presidente.
Mas há um detalhe crucial: parte da perda de apoio de Flávio foi atribuída a eleitores indecisos, brancos ou nulos — não necessariamente a um crescimento expressivo de terceiras vias.
Os 3 pontos de atenção para a pesquisa Quaest
1️⃣ A vantagem de Lula aumentou ou se estabilizou?
O principal dado será a distância entre Lula e Flávio nos cenários de primeiro e segundo turno. Se a margem do presidente continuar crescendo, o bolsonarismo pode entrar em estado de alerta máximo. Se houver uma recomposição parcial de Flávio, o cenário se reequilibra.
2️⃣ O desgaste de Flávio chegou ao eleitorado moderado?
A Quaest costuma oferecer recortes detalhados por região, renda, escolaridade, gênero e perfil político. O comportamento do eleitorado independente será decisivo: as perdas do senador vieram principalmente dos eleitores de centro e dos menos identificados ideologicamente? Ou o desgaste já atingiu também parcelas mais amplas?
3️⃣ Há espaço para uma terceira via de direita?
Nomes como Ronaldo Caiado (União Brasil) e Romeu Zema (Novo) continuam aparecendo atrás de Lula e Flávio nas pesquisas nacionais. Mas a sucessão de crises na candidatura do senador reacendeu discussões sobre possíveis alternativas dentro do campo conservador. A Quaest poderá indicar se esses nomes começam a absorver parte do eleitorado descontente ou se a polarização permanece dominante.
Comparativo: as últimas pesquisas e o que está em jogo
Para facilitar a visualização do cenário, veja abaixo um resumo dos principais levantamentos recentes e seus achados sobre o embate Lula × Flávio:
| Instituto | Data | Principal achado sobre Lula × Flávio |
|---|---|---|
| AtlasIntel | Maio/2026 | Maior vantagem de Lula da série recente; escândalo teve alto conhecimento (95,6%) |
| BTG Nexus | Maio/2026 | Crescimento da margem do presidente após revelação dos áudios |
| Real Time Big Data | Maio/2026 | Oscilação com vantagem para Lula; rejeição a Flávio em alta |
| Datafolha | Maio-Junho/2026 | Efeitos distintos captados, com cenário volátil |
| Meio/Ideia | Junho/2026 | Indecisos crescem; perdas de Flávio não se convertem totalmente a terceiras vias |
| Genial/Quaest | 10/06/2026 | A ser divulgado — aguardado como o grande termômetro do período |
Fonte: Agregado de levantamentos mencionados na reportagem da VEJA
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Ficha técnica da pesquisa Quaest
- Registro no TSE: BR-07661/2026
- Entrevistados: 2.004 eleitores com 16 anos ou mais
- Período de coleta: 5 a 8 de junho de 2026
- Metodologia: Presencial
- Margem de erro: 2 pontos percentuais (para mais ou para menos)
- Nível de confiança: 95%
- Data de divulgação: 10 de junho de 2026
E o cenário externo? O tarifaço de Trump
Outro fator que a Quaest ajudará a dimensionar é o impacto político da escalada das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, com o novo “tarifaço” anunciado por Donald Trump. O episódio ocorre em meio à tentativa de Flávio Bolsonaro de manter a narrativa de alinhamento com o ex-presidente americano — e pode ter influenciado a percepção do eleitorado sobre sua capacidade de gestão da relação internacional.
O que esperar da quarta-feira?
Se a Quaest confirmar a tendência de vantagem consolidada de Lula, o campo governista respirará aliviado. Se mostrar uma recuperação de Flávio, a oposição ganhará fôlego para tentar virar o jogo. E se os números apontarem crescimento significativo de terceiras vias (Caiado, Zema ou outros), o tabuleiro pode ficar ainda mais imprevisível.
Uma coisa é certa: dia 10 de junho será um divisor de águas neste início de pré-campanha. Guarde a data.



