Início » Economia » Nordeste dispara mais de 15% número de investidores no Tesouro Direto

Economia

Nordeste dispara mais de 15% número de investidores no Tesouro Direto

Enquanto o Sudeste ainda concentra o maior volume financeiro em investimentos, o Nordeste brasileiro acelera forte e mostra que o perfil do investidor está mudando de endereço. Nos últimos 12 meses, o número de investidores na região ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
25 de maio de 2026 - às 09:37
Atualizado 25 de maio de 2026 - às 09:37
4 min de leitura

Enquanto o Sudeste ainda concentra o maior volume financeiro em investimentos, o Nordeste brasileiro acelera forte e mostra que o perfil do investidor está mudando de endereço.

Nos últimos 12 meses, o número de investidores na região Nordeste cresceu 15,4%, índice superior à média nacional (15,23%) e bem à frente do Sudeste, que registrou o menor crescimento entre as cinco regiões: apenas 11,7%.

A princípio, os dados são do Balanço do Tesouro Direto (BTD) de março de 2026 e confirmam uma tendência clara: a interiorização dos investimentos no Brasil ganhou velocidade.

Crescimento por região: Nordeste e Norte lideram

RegiãoCrescimento em 12 meses
Norte15,7%
Nordeste15,4%
Centro-Oeste14,9%
Sul13,5%
Sudeste11,7%
Média Brasil15,23%

Paraíba lidera no Nordeste: 17,2% de crescimento

Entre os estados nordestinos, a Paraíba mantém a liderança isolada. Foram 17,2% de aumento no número de investidores no último ano — o que também coloca o estado entre os que mais cresceram em todo o país.

Posição no BrasilEstadoCrescimento em 12 meses
Rondônia (Norte)18,9%
Paraíba (Nordeste)17,2%
Piauí (Nordeste)17,1%
Acre (Norte)17,1%

Piauí também aparece no pelotão da frente, com impressionantes 17,1% de crescimento. Outros estados da região vêm acelerando rapidamente, mesmo sem figurar no top 5 nacional.

Nordeste quadruplica base de investidores em 4 anos

O movimento não é de agora. Desde 2022, a região vem ampliando sua participação no Tesouro Direto de forma consistente.

No Nordeste, a base de CPFs ativos saltou de 214 mil para mais de 482 mil investidores em quatro anos — um crescimento superior a 125%.

Juntos, as regiões Norte e Nordeste tiveram um salto de 125% no mesmo período, superando com folga o crescimento nacional, que ficou abaixo dos 100%.

Embora o Sudeste ainda concentre o maior bolo financeiro (herança de décadas de centralização bancária), o vigor das novas adesões claramente mudou de endereço.

Por que o Nordeste está crescendo tanto?

Três fatores principais explicam essa virada:

  1. Títulos com aplicações abaixo de R$ 10
    O Tesouro Direto passou a oferecer produtos que competem diretamente com a poupança e outros investimentos bancários tradicionais de baixa rentabilidade, derrubando a barreira de entrada.
  2. Juros altos tornam o retorno mais perceptível
    Com a taxa básica de juros elevada, quem guarda pequenas quantias percebe um ganho real ao migrar da poupança para os títulos públicos. Esse efeito é ainda mais forte em regiões onde a poupança sempre foi o principal instrumento de guarda de dinheiro.
  3. Segmentação por objetivos concretos
    Desde a gestão de Rogério Ceron (hoje secretário-executivo da Fazenda), o Tesouro Nacional tem oferecido soluções atreladas a metas reais:
    • Educa+: formação universitária
    • RendA+: previdência complementar
    • IPCA+: proteção contra inflação
      Isso aproximou o investidor comum do mercado de títulos públicos, desmistificando o investimento como algo distante ou complicado.
O Tesouro Direto é uma das formas mais seguras de investir.

O que isso significa?

Em suma, a migração da poupança para os títulos públicos no Nordeste e no Norte sinaliza uma maturidade crescente na gestão do patrimônio das famílias brasileiras, inclusive fora dos grandes centros financeiros tradicionais.

Desse modo, mostra que a dinâmica de migração se acentua quando os juros estão elevados, pois o retorno se torna mais perceptível para quem guarda pequenas quantias.

Assim, com o Tesouro Direto cada vez mais acessível e o Nordeste mostrando disposição para investir, a tendência é que essa disparidade histórica continue diminuindo.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.