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Acordo Mercosul-União Europeia já começa a gerar efeito no Nordeste

Vale do São Francisco já esporta frutas com tarifa zero O recém-assinado acordo entre o Mercosul e a União Europeia já começou a apresentar efeitos concretos para a economia nordestina — especialmente no setor de ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
25 de maio de 2026 - às 07:40
Atualizado 25 de maio de 2026 - às 07:40
4 min de leitura

Vale do São Francisco já esporta frutas com tarifa zero

O recém-assinado acordo entre o Mercosul e a União Europeia já começou a apresentar efeitos concretos para a economia nordestina — especialmente no setor de frutas exportadas pelo Vale do São Francisco.

A princípio, a primeira consequência prática anunciada envolve justamente um dos maiores polos de fruticultura irrigada do planeta, localizado entre Petrolina e Juazeiro.

Durante agenda oficial, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o prefeito do Recife, João Campos, anunciaram que frutas produzidas na região passam a ter tarifa zero para exportação ao mercado europeu, medida considerada estratégica para ampliar a competitividade do Nordeste no comércio internacional.

Na prática, produtos como manga, uva, melão e outras frutas frescas do semiárido nordestino chegam mais baratas e competitivas aos países europeus.

Nordeste pode ganhar bilhões com exportações

O Vale do São Francisco já é hoje um dos maiores exportadores de frutas do Brasil. A região é responsável por grande parte:

  • das mangas exportadas pelo país;
  • das uvas sem sementes;
  • e da produção irrigada voltada ao mercado externo.

Com o fim de tarifas para entrada desses produtos na Europa, produtores e exportadores esperam:

  • aumento imediato nas vendas;
  • novos contratos internacionais;
  • ampliação da produção;
  • e geração de empregos no interior nordestino.

O impacto tende a ser ainda maior porque a Europa é um dos principais compradores das frutas brasileiras de alto valor agregado.

Petrolina e Juazeiro viram peça estratégica do comércio exterior

Nos bastidores do agronegócio, o acordo é visto como uma vitória especialmente para o Nordeste. Enquanto outras regiões brasileiras concentram soja, milho e proteína animal, o semiárido nordestino se consolidou nas últimas décadas como potência em agricultura irrigada de exportação.

A combinação entre:

  • clima quente;
  • produção durante o ano inteiro;
  • irrigação do Rio São Francisco;
  • e tecnologia agrícola

transformou o sertão em referência internacional.

Hoje, frutas produzidas no Vale já abastecem:

  • supermercados europeus;
  • mercados do Oriente Médio;
  • e redes internacionais de alimentos.

Porto de Suape e aeroportos podem ganhar movimento

O acordo também pode acelerar investimentos logísticos no Nordeste. Contudo, com expectativa de crescimento das exportações, estruturas como: Porto de Suape, aeroportos cargueiros, centros de distribuição e terminais refrigerados devem ganhar ainda mais importância.

Boa parte das frutas exportadas pelo Vale precisa chegar rapidamente ao exterior, especialmente produtos frescos e de alto valor comercial.

O que muda com o acordo Mercosul-União Europeia?

O tratado comercial é considerado um dos maiores já assinados pelo Brasil e cria uma área de livre comércio envolvendo cerca de 700 milhões de consumidores.

A tendência é que diversos produtos brasileiros tenham redução gradual ou eliminação de tarifas para entrada no mercado europeu.

No caso das frutas nordestinas, os efeitos aparecem mais rapidamente porque o setor já possuía forte estrutura exportadora pronta para ampliar embarques imediatamente.

Mercosul e União Europeia assinam acordo
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O simbolismo do anúncio também chama atenção. Afinal, durante décadas, o semiárido nordestino esteve ligado à seca e dificuldades econômicas. Agora, o cenário muda com o sertão aparecendo como uma das regiões brasileiras mais preparadas para exportar alimentos premium ao mercado europeu.

Portanto, o acordo Mercosul-União Europeia pode acabar acelerando ainda mais essa transformação econômica do interior nordestino.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.