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Mercado imobiliário do Nordeste acelera com lançamentos, valorização e boom de luxo

Capitais da região apresentaram aumentos expressivos, refletindo tanto a escassez de estoque quanto o fortalecimento da demanda, inclusive de investidores.
Eliseu Lins, da Agência NE9
27 de fevereiro de 2026 - às 08:30
Atualizado 27 de fevereiro de 2026 - às 08:30
4 min de leitura

O mercado imobiliário brasileiro encerrou o quarto trimestre de 2025 com recordes históricos em lançamentos, vendas e valor geral de lançamentos (VGL), segundo levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

A princípio, dentro desse cenário nacional de expansão, o Nordeste se consolidou como um dos principais vetores de crescimento, com forte aceleração nos últimos meses do ano.

De acordo com os dados da pesquisa Indicadores Imobiliários Nacionais, elaborada pela Comissão da Indústria Imobiliária (CII/CBIC) em correalização com o SESI Nacional e parceria com a Brain Inteligência Estratégica, o quarto trimestre registrou crescimento de 18,6% no volume de lançamentos no país, totalizando 133.811 unidades.

No acumulado de 12 meses, foram 453.005 unidades lançadas, alta de 10,6%, com VGL recorde de R$ 292,3 bilhões.

Nordeste: aceleração acima da média no último trimestre

No recorte regional, o Nordeste apresentou desempenho expressivo no 4º trimestre de 2025:

  • 22.514 novos lançamentos residenciais, alta de 27,4% em relação ao 3º trimestre;
  • 76.593 unidades lançadas no acumulado de 12 meses;
  • 19.787 imóveis vendidos no último trimestre, crescimento de 2,2% frente ao trimestre anterior;
  • 80.111 unidades comercializadas em 2025.

Os números indicam uma combinação de demanda aquecida e boa capacidade de absorção do estoque. O volume disponível caiu 5,5% em relação a 2024, sinalizando escoamento consistente e mercado saudável no encerramento do ano.

Capitais nordestinas ganham protagonismo no mercado imobiliário

Ao mesmo tempo, o dinamismo regional tem forte concentração nas capitais. Fortaleza liderou o ranking nacional no segmento econômico (imóveis voltados para renda entre R$ 2 mil e R$ 12 mil) durante o 3º e 4º trimestres. Recife e Salvador também se mantiveram entre os mercados mais competitivos do país.

Além do segmento popular, o Nordeste avançou em nichos de maior valor agregado. O mercado de luxo cresceu 85% em dois anos (até fevereiro de 2025), com destaque para a orla de Maceió e para Recife, que assumiu a terceira posição nacional no segmento, atrás apenas de São Paulo e Goiânia.

Valorização acima da média nacional

Outro dado relevante é a valorização imobiliária. O Nordeste concentrou metade dos imóveis que mais encareceram no Brasil em 2025, superando a média nacional de 6,52% registrada pelo Índice FipeZAP. Capitais da região apresentaram aumentos expressivos, refletindo tanto a escassez de estoque quanto o fortalecimento da demanda, inclusive de investidores.

Tecnologia impulsiona vendas

O avanço tecnológico também tem papel estratégico no desempenho regional. Dessa maneira, o uso de inteligência artificial, análise preditiva de demanda e tours virtuais tem acelerado a tomada de decisão do comprador, especialmente em mercados como Fortaleza, João Pessoa, Maceió, Recife e Salvador.

Essas ferramentas ampliaram o alcance das incorporadoras e reduziram o ciclo de vendas, contribuindo para manter o ritmo mesmo em um cenário de juros elevados.

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No Brasil, as vendas totais cresceram 5,4% em 12 meses, passando de 404,2 mil para 426,2 mil unidades, com Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 264,2 bilhões em 2025. Assim, para o presidente-executivo da CBIC, Fernando Guedes Ferreira Filho, o desempenho evidencia a robustez do setor mesmo diante de condições macroeconômicas desafiadoras.

Assim, no caso do Nordeste, os indicadores mostram que a região não apenas acompanhou o ciclo positivo nacional, como apresentou aceleração superior à média no último trimestre — consolidando-se como um dos principais polos de expansão do mercado imobiliário brasileiro em 2025.

Portanto, o conjunto de lançamentos, vendas, valorização e redução de estoque sinaliza um ambiente de confiança, sustentado por demanda ativa, déficit habitacional persistente e diversificação de produtos, do padrão econômico ao alto luxo.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.