Outros estados do Nordeste podem ser ressarcidos
A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de estabelecer em 15% a tarifa global sobre produtos importados abre uma janela de recuperação para as exportações nordestinas.
A medida foi anunciada pelo próprio presidente na rede social Truth Social, elevando a tarifa universal de 10% para 15%, mas eliminando sobretaxas adicionais que chegavam a 40% sobre determinados produtos brasileiros.
No caso do Ceará, a expectativa é de recuperação entre US$ 700 milhões e US$ 900 milhões nos próximos seis meses. A estimativa é do diretor da JM Negócios Internacionais, Augusto Fernandes, que avalia que o novo cenário devolve competitividade aos produtos cearenses no mercado norte-americano.
Antes da mudança, alguns itens brasileiros estavam submetidos a uma carga total de até 50%, somando a tarifa universal e a sobretaxa adicional. Assim, com a unificação em 15%, apesar de representar um aumento sobre os 10% originais, o impacto é significativamente menor do que o modelo anterior.
A princípio, caso o volume projetado se confirme, os valores recuperados poderão praticamente dobrar o desempenho recente do comércio exterior cearense.
Em 2025, o Estado arrecadou US$ 1,05 bilhão com exportações. Apenas em janeiro de 2026, as vendas externas já superaram US$ 57 milhões.
Os dados foram compilados pelo Centro Internacional de Negócios (CIN), vinculado à Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec).

Setores estratégicos atingidos neste novo decreto
Entre os segmentos com maior potencial de retomada estão:
- Pescados
- Frutas tropicais, especialmente manga
- Mel
- Castanha
- Café
- Calçados
O chamado “tarifaço” anterior interrompeu uma trajetória de crescimento. Em 2025:
- Pescados registraram perda de US$ 13,1 milhões (-25%)
- Preparações hortícolas recuaram US$ 5,6 milhões (-15%)
- Calçados tiveram queda de US$ 2,6 milhões (-7%)
A manga foi um dos produtos mais afetados. Contudo, a interrupção das exportações comprometeu uma safra inteira, impactando produtores e indústrias da cadeia da fruticultura.
No caso dos pescados, os Estados Unidos são o principal parceiro comercial do Ceará. Em 2025, o Estado exportou US$ 39,4 milhões para o mercado norte-americano, valor equivalente a 46% do total da categoria — ainda assim 25% inferior ao registrado em 2024.
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Competitividade retomada
Segundo Augusto Fernandes, a normalização em 15% recoloca o Ceará — e, por extensão, o Nordeste — em condições mais equilibradas frente a concorrentes internacionais. Dessa maneira, a retirada da sobretaxa de 40% elimina um fator que, na prática, inviabilizava diversos produtos brasileiros no mercado americano. Com isso, a expectativa é de retomada gradual ao longo do primeiro semestre de 2026.
Nordeste pode ser amplamente beneficiado
Portanto, o efeito positivo não se restringe ao Ceará. Todos os estados do Nordeste que foram impactados pela sobretaxa poderão ser ressarcidos indiretamente por meio da retomada das exportações.



