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Economia

Ceará pode recuperar até US$ 900 milhões com mudanças nos EUA

Os dados foram compilados pelo Centro Internacional de Negócios (CIN), vinculado à Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec).
Eliseu Lins, da Agência NE9
25 de fevereiro de 2026 - às 05:58
Atualizado 25 de fevereiro de 2026 - às 05:58
3 min de leitura

Outros estados do Nordeste podem ser ressarcidos

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de estabelecer em 15% a tarifa global sobre produtos importados abre uma janela de recuperação para as exportações nordestinas.

A medida foi anunciada pelo próprio presidente na rede social Truth Social, elevando a tarifa universal de 10% para 15%, mas eliminando sobretaxas adicionais que chegavam a 40% sobre determinados produtos brasileiros.

No caso do Ceará, a expectativa é de recuperação entre US$ 700 milhões e US$ 900 milhões nos próximos seis meses. A estimativa é do diretor da JM Negócios Internacionais, Augusto Fernandes, que avalia que o novo cenário devolve competitividade aos produtos cearenses no mercado norte-americano.

Antes da mudança, alguns itens brasileiros estavam submetidos a uma carga total de até 50%, somando a tarifa universal e a sobretaxa adicional. Assim, com a unificação em 15%, apesar de representar um aumento sobre os 10% originais, o impacto é significativamente menor do que o modelo anterior.

A princípio, caso o volume projetado se confirme, os valores recuperados poderão praticamente dobrar o desempenho recente do comércio exterior cearense.

Em 2025, o Estado arrecadou US$ 1,05 bilhão com exportações. Apenas em janeiro de 2026, as vendas externas já superaram US$ 57 milhões.

Os dados foram compilados pelo Centro Internacional de Negócios (CIN), vinculado à Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec).

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EXPORTAÇÕES EM PECEM CEARA foro divulgação

Setores estratégicos atingidos neste novo decreto

Entre os segmentos com maior potencial de retomada estão:

  • Pescados
  • Frutas tropicais, especialmente manga
  • Mel
  • Castanha
  • Café
  • Calçados

O chamado “tarifaço” anterior interrompeu uma trajetória de crescimento. Em 2025:

  • Pescados registraram perda de US$ 13,1 milhões (-25%)
  • Preparações hortícolas recuaram US$ 5,6 milhões (-15%)
  • Calçados tiveram queda de US$ 2,6 milhões (-7%)

A manga foi um dos produtos mais afetados. Contudo, a interrupção das exportações comprometeu uma safra inteira, impactando produtores e indústrias da cadeia da fruticultura.

No caso dos pescados, os Estados Unidos são o principal parceiro comercial do Ceará. Em 2025, o Estado exportou US$ 39,4 milhões para o mercado norte-americano, valor equivalente a 46% do total da categoria — ainda assim 25% inferior ao registrado em 2024.

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Competitividade retomada

Segundo Augusto Fernandes, a normalização em 15% recoloca o Ceará — e, por extensão, o Nordeste — em condições mais equilibradas frente a concorrentes internacionais. Dessa maneira, a retirada da sobretaxa de 40% elimina um fator que, na prática, inviabilizava diversos produtos brasileiros no mercado americano. Com isso, a expectativa é de retomada gradual ao longo do primeiro semestre de 2026.

Nordeste pode ser amplamente beneficiado

Portanto, o efeito positivo não se restringe ao Ceará. Todos os estados do Nordeste que foram impactados pela sobretaxa poderão ser ressarcidos indiretamente por meio da retomada das exportações.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.