Um feito inédito na aviação brasileira vai começar em Fortaleza no dia 15 de março de 2026. O administrador de empresas Alexandre Frota, conhecido como Alex Bacana, será o primeiro brasileiro a dar a volta ao mundo solo em uma aeronave monomotor, cruzando os cinco continentes.
A princípio, a jornada prevê 74 mil quilômetros de percurso, passagem por 45 países e cerca de 150 dias de voo, com decolagem e retorno à capital do Ceará.
Assim, o caráter inusitado da ação chama atenção: além de ser uma expedição aérea solo de longa distância, o projeto envolve travessias sobre áreas remotas como Groenlândia e Islândia. Além disso, conta com o cruzamento de oceanos e escalas estratégicas na Europa, Oriente Médio, Ásia e Oceania antes do retorno pelas Américas.

Da gestão financeira ao cockpit
Aos 52 anos, Frota construiu carreira no mercado financeiro antes de decidir enfrentar um dos maiores desafios da aviação leve brasileira. Formado pela Universidade de Fortaleza e com MBA pelo IBMEC, ele afirma que aplicou à expedição a mesma lógica usada na gestão de patrimônio e análise de risco.
Antes de mais nada, o plano começou a ser estruturado em 2022, pouco depois de conquistar o brevê de piloto, aos 44 anos. De acordo com ele, a ideia amadureceu ao longo de mais de uma década até ganhar formato técnico e cronograma operacional.
“O projeto foi tratado como um plano de longo prazo. Houve fase de preparação técnica, organização financeira e definição clara de etapas. Não existe improviso quando se assume uma responsabilidade dessa dimensão”, afirma.

Reserva financeira e planejamento familiar
Um dos pontos que mais diferenciam a iniciativa é o planejamento financeiro prévio. Casado e pai de dois filhos, Frota só confirmou a data da decolagem após estruturar reserva suficiente para cobrir integralmente o período da viagem.
Dessa forma, o planejamento incluiu:
- Provisionamento das despesas familiares
- Organização patrimonial
- Estruturação de seguros internacionais
- Manutenção das atividades profissionais de forma remota
- Matriz formal de gestão de riscos
A aeronave experimental passou por estudo detalhado de performance, e a rota contempla aeroportos alternativos ao longo do trajeto.
Rota global e desafios técnicos
O itinerário inclui:
- América do Norte
- Groenlândia
- Islândia
- Europa continental
- Oriente Médio
- Ásia
- Oceania
- Retorno pelas Américas
Em suma, cruzar cinco continentes sozinho em monomotor exige cálculo rigoroso de autonomia de combustível, planejamento meteorológico e gestão permanente de riscos — especialmente em regiões de clima instável e infraestrutura limitada.
De diário pessoal a projeto multiplataforma
O “Frotas Pelo Mundo” começou como um diário compartilhado com familiares. Desse modo, com o tempo, ganhou estrutura profissional, incluindo equipe de marketing e produção dedicada por seis meses.
O projeto prevê:
- Série documental
- Entradas ao vivo
- Cobertura multiplataforma
- Ações educacionais ao longo do percurso
A proposta é conectar a experiência da aviação com temas como disciplina, planejamento e transição de carreira.
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Um experimento de resiliência
Para o piloto, a volta ao mundo representa um experimento prático sobre maturidade, método e responsabilidade.
Ele compara o voo ao mercado financeiro: não é possível controlar fatores externos como o clima, mas é possível controlar preparo, combustível e alternativas de pouso.
Ao mesmo tempo, o aspecto mais incomum da iniciativa está justamente na combinação entre vida corporativa consolidada, início tardio na aviação e uma meta de escala global — algo raríssimo mesmo entre pilotos experientes.
Portanto, com decolagem marcada para 15 de março de 2026, em Fortaleza, o cearense pretende provar que disciplina e planejamento podem transformar um projeto improvável em realidade concreta — cinco continentes depois, com pouso final no mesmo ponto de partida.


