João Pessoa deu seu primeiro passo para mapear áreas de risco e proteger quem vive nas encostas. Essa é a iniciativa que a Prefeitura de João Pessoa está executando para construir um novo olhar sobre a prevenção de desastres. Para isso, oito secretarias municipais se reuniram na última segunda-feira (19) para dar o primeiro passo nessa iniciativa com a Oficina Técnica de Capacitação do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR).
Com palestra, visita de campo e troca de experiências, a cidade começa a construir um mapa das áreas vulneráveis a deslizamentos e enchentes — e, mais do que isso, uma nova forma de enxergar a prevenção.
A cidade que aprende a se proteger
Há cidades que esperam a chuva chegar para reagir. João Pessoa escolheu outro caminho: o de aprender antes, mapear antes, prevenir antes.
Dessa forma, profissionais da Coordenadoria Municipal de Proteção de Defesa Civil (Compdec-JP) e de outras sete secretarias da Prefeitura de João Pessoa participaram da Oficina Técnica de Capacitação do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR).
O encontro, realizado no Centro de Cooperação da Cidade, no bairro do Altiplano, não ficou apenas na teoria: houve palestra, debate e visita de campo para demonstrar, na prática, onde a cidade é mais vulnerável.
O que é o PMRR
O Plano Municipal de Redução de Riscos é uma iniciativa do Ministério das Cidades, por meio do programa Periferia Sem Risco. Antes de mais nada, o objetivo é:
- Mapear áreas vulneráveis a deslizamentos e enchentes;
- Preparar as Defesas Civis para agir com mais eficiência;
- Ajudar as cidades a conseguir verbas federais para obras de prevenção e proteção social.
Na prática, o PMRR funciona como um diagnóstico técnico e participativo que orienta o poder público sobre onde investir, como agir e quem proteger primeiro.
O que foi discutido na oficina
Ao mesmo tempo, o encontro abordou três eixos principais:
- Mapeamento de áreas suscetíveis — identificação dos locais com maior probabilidade de deslizamentos e inundações.
- Propostas de medidas para redução e mitigação de riscos — o que fazer para diminuir os perigos e reduzir os danos.
- Estruturação de processos participativos — como envolver a comunidade e as diversas secretarias na construção das soluções.
A oficina contou ainda com uma parte prática, com visita de campo para demonstração dos locais vulneráveis.
A fala do coordenador
“O Plano Municipal de Redução de Riscos será ferramenta importante no sentido de melhor desenvolvermos ações preventivas e ampliarmos a nossa capacidade de preparação e eventuais respostas em função do registro de ocorrências, principalmente, inundações e deslizamentos, o que ocorre com mais frequência durante o inverno. O Sistema de Proteção e Defesa Civil Municipal vem operando de forma integrada, por recomendação expressa do prefeito Leo Bezerra, na expectativa de ofertar o bem-estar necessário a toda população.”
— Kelson Chaves, coordenador da Defesa Civil
A prevenção que salva vidas
E esse trabalho integrado, com ações de prevenção, vem fazendo a diferença na vida de quem mora em áreas de risco na Capital.
“A prevenção tem sido nossa maior aliada dentre as fases de Proteção e Defesa Civil. Estamos a contabilizar 2.118 dias sem registro de vítimas fatais decorrentes de fenômenos naturais que atingem a nossa cidade.”
— Kelson Chaves
2.118 dias. Quase seis anos sem vítimas fatais decorrentes de fenômenos naturais. O número não é obra do acaso: é resultado de planejamento, integração entre secretarias e uma cultura de prevenção que vem sendo construída em João Pessoa.

A avaliação do geólogo
O geólogo Felipe Tenório, do consórcio Tetra Tech-Reconverte, responsável pela elaboração do PMRR, foi um dos ministrantes da oficina e avaliou o encontro de forma positiva, tanto na parte teórica quanto na visita de campo.
“Essa interação foi bastante proveitosa, pois foi possível discutir diversos conceitos relacionados a mapeamento de áreas de risco geodinâmico e hidrológico, e falar sobre as metodologias e como podem ser aplicadas para minimização dos problemas e que o Município possa agir da melhor forma possível na prevenção de riscos.”
— Felipe Tenório, geólogo
As secretarias envolvidas
A oficina não ficou restrita à Defesa Civil. Reuniu profissionais de oito secretarias municipais, em um esforço conjunto que reflete a complexidade do tema:
| Secretaria | Sigla |
|---|---|
| Coordenadoria Municipal de Proteção de Defesa Civil | Compdec-JP |
| Desenvolvimento Social | Sedes |
| Planejamento | Seplan |
| Infraestrutura | Seinfra |
| Meio Ambiente | Semam |
| Gestão Governamental e Articulação Política | Seggov |
| Desenvolvimento Urbano | Sedurb |
| Participação Popular | SEPP |
João Pessoa convive com um desafio comum a muitas cidades brasileiras: crescer sem ocupar áreas de risco. Encostas, margens de rios e terrenos frágeis são, historicamente, os locais onde a população mais vulnerável encontra moradia — e onde as chuvas de inverno cobram o preço mais alto.
O PMRR não resolve tudo. Não constrói casas, não remove famílias, não impede a chuva. Mas faz algo fundamental: dá ao poder público um mapa do perigo e à população uma chance de ser protegida antes que o pior aconteça.
Dessa forma, a PMJP está construindo uma cultura de prevenção. E os 2.118 dias sem vítimas fatais são a prova de que esse caminho funciona.


