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João Pessoa se une para implantar plano de prevenção em áreas de riscos

João Pessoa deu seu primeiro passo para mapear áreas de risco e proteger quem vive nas encostas. Essa é a iniciativa que a Prefeitura de João Pessoa está executando para construir um novo olhar sobre ...
REDAÇÃO ELISEU, da Agência NE9
20 de outubro de 2026 - às 10:03
Atualizado 20 de outubro de 2026 - às 10:03
5 min de leitura

João Pessoa deu seu primeiro passo para mapear áreas de risco e proteger quem vive nas encostas. Essa é a iniciativa que a Prefeitura de João Pessoa está executando para construir um novo olhar sobre a prevenção de desastres. Para isso, oito secretarias municipais se reuniram na última segunda-feira (19) para dar o primeiro passo nessa iniciativa com a Oficina Técnica de Capacitação do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR).

Com palestra, visita de campo e troca de experiências, a cidade começa a construir um mapa das áreas vulneráveis a deslizamentos e enchentes — e, mais do que isso, uma nova forma de enxergar a prevenção.

A cidade que aprende a se proteger

Há cidades que esperam a chuva chegar para reagir. João Pessoa escolheu outro caminho: o de aprender antes, mapear antes, prevenir antes.

Dessa forma, profissionais da Coordenadoria Municipal de Proteção de Defesa Civil (Compdec-JP) e de outras sete secretarias da Prefeitura de João Pessoa participaram da Oficina Técnica de Capacitação do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR).

O encontro, realizado no Centro de Cooperação da Cidade, no bairro do Altiplano, não ficou apenas na teoria: houve palestra, debate e visita de campo para demonstrar, na prática, onde a cidade é mais vulnerável.

O que é o PMRR

O Plano Municipal de Redução de Riscos é uma iniciativa do Ministério das Cidades, por meio do programa Periferia Sem Risco. Antes de mais nada, o objetivo é:

  • Mapear áreas vulneráveis a deslizamentos e enchentes;
  • Preparar as Defesas Civis para agir com mais eficiência;
  • Ajudar as cidades a conseguir verbas federais para obras de prevenção e proteção social.

Na prática, o PMRR funciona como um diagnóstico técnico e participativo que orienta o poder público sobre onde investir, como agir e quem proteger primeiro.

O que foi discutido na oficina

Ao mesmo tempo, o encontro abordou três eixos principais:

  1. Mapeamento de áreas suscetíveis — identificação dos locais com maior probabilidade de deslizamentos e inundações.
  2. Propostas de medidas para redução e mitigação de riscos — o que fazer para diminuir os perigos e reduzir os danos.
  3. Estruturação de processos participativos — como envolver a comunidade e as diversas secretarias na construção das soluções.

A oficina contou ainda com uma parte prática, com visita de campo para demonstração dos locais vulneráveis.

A fala do coordenador

“O Plano Municipal de Redução de Riscos será ferramenta importante no sentido de melhor desenvolvermos ações preventivas e ampliarmos a nossa capacidade de preparação e eventuais respostas em função do registro de ocorrências, principalmente, inundações e deslizamentos, o que ocorre com mais frequência durante o inverno. O Sistema de Proteção e Defesa Civil Municipal vem operando de forma integrada, por recomendação expressa do prefeito Leo Bezerra, na expectativa de ofertar o bem-estar necessário a toda população.”
— Kelson Chaves, coordenador da Defesa Civil

A prevenção que salva vidas

E esse trabalho integrado, com ações de prevenção, vem fazendo a diferença na vida de quem mora em áreas de risco na Capital.

“A prevenção tem sido nossa maior aliada dentre as fases de Proteção e Defesa Civil. Estamos a contabilizar 2.118 dias sem registro de vítimas fatais decorrentes de fenômenos naturais que atingem a nossa cidade.”
— Kelson Chaves

2.118 dias. Quase seis anos sem vítimas fatais decorrentes de fenômenos naturais. O número não é obra do acaso: é resultado de planejamento, integração entre secretarias e uma cultura de prevenção que vem sendo construída em João Pessoa.

A avaliação do geólogo

O geólogo Felipe Tenório, do consórcio Tetra Tech-Reconverte, responsável pela elaboração do PMRR, foi um dos ministrantes da oficina e avaliou o encontro de forma positiva, tanto na parte teórica quanto na visita de campo.

“Essa interação foi bastante proveitosa, pois foi possível discutir diversos conceitos relacionados a mapeamento de áreas de risco geodinâmico e hidrológico, e falar sobre as metodologias e como podem ser aplicadas para minimização dos problemas e que o Município possa agir da melhor forma possível na prevenção de riscos.”
— Felipe Tenório, geólogo

As secretarias envolvidas

A oficina não ficou restrita à Defesa Civil. Reuniu profissionais de oito secretarias municipais, em um esforço conjunto que reflete a complexidade do tema:

SecretariaSigla
Coordenadoria Municipal de Proteção de Defesa CivilCompdec-JP
Desenvolvimento SocialSedes
PlanejamentoSeplan
InfraestruturaSeinfra
Meio AmbienteSemam
Gestão Governamental e Articulação PolíticaSeggov
Desenvolvimento UrbanoSedurb
Participação PopularSEPP

João Pessoa convive com um desafio comum a muitas cidades brasileiras: crescer sem ocupar áreas de risco. Encostas, margens de rios e terrenos frágeis são, historicamente, os locais onde a população mais vulnerável encontra moradia — e onde as chuvas de inverno cobram o preço mais alto.

O PMRR não resolve tudo. Não constrói casas, não remove famílias, não impede a chuva. Mas faz algo fundamental: dá ao poder público um mapa do perigo e à população uma chance de ser protegida antes que o pior aconteça.

Dessa forma, a PMJP está construindo uma cultura de prevenção. E os 2.118 dias sem vítimas fatais são a prova de que esse caminho funciona.