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Governo de Sergipe conclui reestatização da Sergas e reassume 100% da distribuidora

O Governo de Sergipe anunciou a conclusão das negociações para assumir 100% do capital da Sergas, distribuidora estadual de gás canalizado. A princípio, o acordo foi fechado com a japonesa Mitsui Gás e Energia, que ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
26 de fevereiro de 2026 - às 08:52
Atualizado 26 de fevereiro de 2026 - às 08:52
4 min de leitura
Governador de Sergipe, Fábio Mitidieri PSD Foto César de Oliveira
Governador de Sergipe, Fábio Mitidieri PSD Foto César de Oliveira

O Governo de Sergipe anunciou a conclusão das negociações para assumir 100% do capital da Sergas, distribuidora estadual de gás canalizado. A princípio, o acordo foi fechado com a japonesa Mitsui Gás e Energia, que detinha 41,5% do capital total da companhia.

Ao mesmo tempo, a expectativa é que o contrato seja formalizado e liquidado até o fim de março. Dessa forma, consolida a reestatização completa da concessionária sob a gestão do governador Fábio Mitidieri.

Em suma, a fatia adquirida corresponde a 24,5% das ações ordinárias e 50% das ações preferenciais da empresa. Com a saída do único sócio privado remanescente, o Estado passa a deter integralmente o controle da distribuidora.

Revisão contratual e modernização do setor

A reestatização abre caminho para a revisão dos termos econômicos do contrato de concessão da Sergas, firmado no início da década de 1990.

O governo estadual avalia que o contrato precisa ser atualizado para refletir a nova realidade do mercado de gás natural, ampliando a competitividade energética e estimulando investimentos industriais no estado.

Em 2024, a Agrese chegou a recomendar a relicitação da concessão ou até a criação de uma segunda área de concessão, caso não houvesse consenso sobre a revisão da taxa de retorno da distribuidora.

Segunda ampliação da participação estatal

Esta é a segunda operação realizada pelo governo sergipano para ampliar sua participação na Sergas.

Em 2024, o Estado já havia adquirido a fatia da Norgás, em operação de R$ 132,5 milhões, elevando sua participação de 17% para 58,5%. O movimento ocorreu em meio a uma disputa societária envolvendo a Compass e a Norgás, além de questionamentos sobre o exercício do direito de preferência na venda de ativos.

A disputa teve origem após a Compass adquirir a Gaspetro, antiga holding da Petrobras, e iniciar a alienação de participações em distribuidoras do Nordeste.

Com decisões judiciais favoráveis ao Estado, Sergipe conseguiu barrar a transferência indireta do controle da Sergas para a Infra Gás — posteriormente adquirida pela Energisa. Desse modo, o acordo final excluiu a Energisa da composição societária da distribuidora sergipana.

Reestatização de setores estratégicos: tendência global

A decisão de retomar o controle integral da Sergas ocorre em um contexto internacional em que a privatização de setores estratégicos, como energia, infraestrutura e gás natural, vem sendo revista por diversos países.

Nos últimos anos, governos na Europa e em outras regiões têm reavaliado concessões privadas em áreas consideradas críticas para soberania energética, segurança de abastecimento e política industrial.

A volatilidade nos preços da energia, crises geopolíticas e a necessidade de planejamento de longo prazo têm levado estados nacionais a reforçar o controle público sobre ativos estratégicos.

De acordo com especialistas, em vez de novas privatizações amplas, observa-se uma tendência de:

  • Reestatização parcial ou total de distribuidoras de energia
  • Revisão de contratos de concessão antigos
  • Maior protagonismo estatal em infraestrutura crítica
  • Fortalecimento de empresas públicas para garantir modicidade tarifária

Nesse cenário, a decisão de Sergipe se alinha a uma estratégia de reposicionamento do Estado no setor energético.

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Com o controle integral da Sergas, o governo pretende:

  • Revisar parâmetros econômicos do contrato de concessão
  • Ajustar a taxa de retorno aos padrões atuais de mercado
  • Aumentar a competitividade do gás natural
  • Estimular novos investimentos industriais

Assim, a expectativa é que a modernização regulatória amplie o uso do gás como insumo energético, favorecendo a atração de indústrias e fortalecendo a matriz produtiva do estado.

Portanto, a reestatização da Sergas marca, portanto, uma inflexão estratégica na política energética sergipana, colocando o Estado no centro das decisões sobre um ativo considerado essencial para o desenvolvimento econômico regional.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.