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Globo Rural destaca queijo de manteiga do Seridó nordestino

Reportagem exibida neste domingo mostrou o modo de produção do tradicional queijo potiguar O tradicional queijo de manteiga do Seridó, um dos maiores símbolos da gastronomia do Rio Grande do Norte, ganhou destaque nacional neste ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
13 de julho de 2026 - às 07:24
Atualizado 13 de julho de 2026 - às 07:24
4 min de leitura

Reportagem exibida neste domingo mostrou o modo de produção do tradicional queijo potiguar

O tradicional queijo de manteiga do Seridó, um dos maiores símbolos da gastronomia do Rio Grande do Norte, ganhou destaque nacional neste domingo em uma reportagem do Globo Rural. A princípio, o programa mostrou como o produto é preparado nas queijeiras da região. Dessa forma, ressalta o processo artesanal, a qualidade da matéria-prima e a tradição que atravessa gerações.

Muito além do sabor característico, o queijo produzido no Seridó vive um momento importante. Ao mesmo tempo, os produtores trabalham para conquistar a Indicação Geográfica (IG), certificação concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) que reconhece produtos fortemente ligados ao seu território de origem.

Um patrimônio da gastronomia nordestina

Antes de mais nada, o produto é produzido principalmente na região de Caicó e em municípios vizinhos. Assim, o queijo de manteiga é resultado de uma técnica artesanal transmitida entre famílias há décadas.

Em suma, seu processo de fabricação combina leite fresco, aquecimento controlado e a incorporação da manteiga da própria produção. Desse modo, cria uma textura macia e um sabor marcante que conquistou consumidores em todo o Nordeste.

Portanto, a tradição transformou o produto em um dos principais representantes da culinária potiguar e em parada obrigatória para quem percorre a Rota do Queijo Potiguar.

Indicação Geográfica pode abrir novos mercados

A Associação dos Produtores de Queijo do Seridó (Amaqueijo) trabalha há vários anos para obter a certificação de Indicação Geográfica.

O processo conta com apoio técnico do Sebrae-RN, que auxilia na elaboração do caderno de especificações técnicas, na organização dos produtores e na estruturação do pedido junto ao INPI.

Caso o reconhecimento seja aprovado, o queijo de manteiga de Caicó passará a integrar um seleto grupo de produtos brasileiros protegidos pela origem geográfica, como:

ProdutoEstado
Melão de MossoróRio Grande do Norte
Bordado de CaicóRio Grande do Norte
Queijo CanastraMinas Gerais
Vinho do Vale dos VinhedosRio Grande do Sul

Além de valorizar o produto, a certificação fortalece a identidade regional, combate imitações e pode ampliar a presença do queijo em mercados nacionais e internacionais.

Selo Arte já amplia a comercialização

Enquanto a Indicação Geográfica ainda está em processo de obtenção, diversas queijeiras da região já conquistaram o Selo Arte, certificação concedida a produtos artesanais que seguem critérios de qualidade e segurança alimentar.

O selo permite a comercialização em todo o território nacional, ampliando as oportunidades para pequenos produtores.

De acordo com Isaías Fernandes, conhecido como Didi, presidente da Amaqueijo e produtor da Queijeira do Zaca, a certificação representa mais do que uma vantagem comercial.

“O queijo de manteiga do Seridó foi criado pelos nossos avós e bisavós. Lutar pela Indicação Geográfica é garantir que essa cultura continue viva e que o nosso produto seja respeitado.”

Qualidade reconhecida dentro e fora do Brasil

Nos últimos anos, os queijos produzidos no Seridó vêm acumulando premiações em concursos nacionais e internacionais.

Entre os destaques está o Queijo Serra de Santana, que representou o Rio Grande do Norte em competições na França, um dos países mais tradicionais do mundo na produção e avaliação de queijos artesanais.

Esses resultados reforçam a qualidade do leite produzido na região e o aprimoramento das técnicas adotadas pelas queijeiras potiguares.

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Muito além da gastronomia

A produção de queijo movimenta a economia do Seridó e gera renda para centenas de famílias. Além da fabricação artesanal, a cadeia produtiva beneficia diversos segmentos:

  • pecuária leiteira;
  • agricultura familiar;
  • comércio regional;
  • turismo gastronômico;
  • restaurantes;
  • feiras e eventos.

Portanto, com o crescimento da procura por produtos artesanais e de origem certificada, os produtores acreditam que a Indicação Geográfica poderá impulsionar ainda mais o desenvolvimento econômico da região.

Afinal, a reportagem exibida pelo Globo Rural reforça esse protagonismo ao levar para todo o país uma tradição que há décadas faz parte da identidade cultural e gastronômica do Seridó potiguar.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.