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Fósseis descobertos no Nordeste revelam besouros que viveram com dinossauros

Pesquisadores descobriram na Chapada do Araripe, no Nordeste, três espécies inéditas de besouros que viveram há 113 milhões de anos, durante a Era dos Dinossauros.
Eliseu Lins, da Agência NE9
27 de julho de 2026 - às 10:47
Atualizado 27 de julho de 2026 - às 10:47
5 min de leitura

O Nordeste voltou a chamar a atenção da comunidade científica internacional com uma descoberta que reforça a importância da Chapada do Araripe como um dos maiores tesouros paleontológicos do planeta. Pesquisadores identificaram três espécies de besouros que viveram há cerca de 113 milhões de anos, durante o período Cretáceo, quando os dinossauros ainda dominavam a Terra. A princípio, as espécies eram totalmente desconhecidas da ciência e ajudam a reconstruir a evolução de um dos grupos mais antigos de insetos do mundo.

A descoberta teve publicação na revista científica Systematic Entomology pelos pesquisadores Gabriel Biffi, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP), Anderson Lepeco, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Rolf Beutel, da Universidade Friedrich Schiller de Jena, na Alemanha.

Chapada do Araripe continua surpreendendo a ciência

Reconhecida mundialmente pelos fósseis de dinossauros, pterossauros, peixes e plantas extremamente preservados, a Chapada do Araripe agora amplia sua importância científica ao revelar organismos muito menores, mas igualmente relevantes para compreender a história da vida na Terra.

Embora meçam apenas alguns milímetros de comprimento, os besouros encontrados fornecem informações valiosas sobre a biodiversidade existente há mais de 100 milhões de anos e sobre a evolução dos insetos, grupo que hoje representa a maior diversidade de animais do planeta.

De acordo com os pesquisadores, os fósseis pertencem à subordem Archostemata, considerada uma das linhagens mais antigas entre os besouros. No passado, esse grupo foi bastante diversificado, mas atualmente tem poucas espécies viventes.

parque_ecologico_do_boqueirao na Chapada do Araripe foto reprodução

Uma nova família para a ciência

Um dos aspectos mais relevantes da pesquisa é que um dos fósseis representa uma família completamente nova, jamais registrada anteriormente.

Além disso, outro espécime foi identificado como pertencente ao gênero Tetraphalerus, que ainda possui representantes vivos na América do Sul.

Em suma, essa ligação entre fósseis do período dos dinossauros e espécies atuais ajuda os cientistas a entender como determinados grupos conseguiram sobreviver às grandes transformações ambientais ocorridas ao longo de milhões de anos.

Fósseis preservados em detalhes impressionantes

Antes de mais nada, as condições geológicas da Formação Crato, localizada na Chapada do Araripe, permitiram uma preservação excepcional dos fósseis.

Dessa forma, os pesquisadores conseguiram observar detalhes minúsculos da anatomia dos insetos, como partes das asas, antenas, cabeça e estruturas do tórax, algo extremamente raro em fósseis de insetos tão antigos.

Esse nível de preservação é justamente um dos fatores que transformaram o Araripe em referência internacional para estudos paleontológicos.

Nordeste abriga um dos maiores patrimônios fossilíferos do planeta

A Chapada do Araripe fica entre os estados do Ceará, Pernambuco e Piauí, e é um dos principais sítios fossilíferos do mundo.

Assim, a região guarda registros de um antigo ambiente formado por lagos, rios e áreas úmidas que existiram durante o período Cretáceo, quando o Nordeste brasileiro apresentava características muito diferentes das atuais.

Graças às condições naturais da época, milhares de organismos ficaram preservados em rochas calcárias, permitindo que cientistas reconstruam ecossistemas inteiros de mais de 100 milhões de anos.

Descoberta reforça protagonismo científico do Nordeste

Além do valor acadêmico, a descoberta fortalece a importância do Nordeste para a pesquisa científica, o turismo paleontológico e a conservação do patrimônio natural brasileiro.

Nos últimos anos, fósseis encontrados na Chapada do Araripe têm contribuído para revelar novas espécies de dinossauros, pterossauros, peixes, plantas, crustáceos e insetos, colocando a região entre os principais centros mundiais de estudos sobre a vida pré-histórica.

Para os pesquisadores, cada novo fóssil encontrado amplia o conhecimento sobre a evolução da biodiversidade e reforça o papel estratégico da Chapada do Araripe como um verdadeiro laboratório natural a céu aberto.

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O que foi descoberto no Araripe?

ItemDetalhes
Idade dos fósseisCerca de 113 milhões de anos
LocalChapada do Araripe (Nordeste)
Espécies encontradasTrês novas espécies de besouros
Período geológicoCretáceo
Publicação científicaSystematic Entomology
InstituiçõesUSP, UFRJ e Universidade de Jena (Alemanha)

Por que a descoberta é importante?

  • Revela três espécies inéditas para a ciência.
  • Uma delas representa uma nova família de besouros.
  • Confirma a Chapada do Araripe como um dos maiores sítios fossilíferos do mundo.
  • Ajuda a entender a evolução dos insetos desde a Era dos Dinossauros.
  • Reforça a importância científica do patrimônio natural do Nordeste.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.